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Porto Alegre, segunda-feira, 31 de dezembro de 2018.
Dia de São Silvestre.

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Opinião Econômica: Marcia Dessen

Opinião Econômica

Edição impressa de 31/12/2018. Alterada em 31/12 às 00h43min

Propósito para poupar

Muita gente diz que não consegue guardar dinheiro para formar a necessária reserva financeira, que permite enfrentar emergências com tranquilidade e superar períodos de renda menor ou até mesmo a falta dela. O argumento é que não sobra nada depois de pagar o aluguel, os carnês e os itens essenciais, como alimentação.
As mesmas pessoas que não conseguem guardar dinheiro consomem, e conseguem pagar, relativamente em dia, com parcelamento a perder de vista, assumindo o compromisso de quitar parcelas que acreditam serão capazes de pagar.
A compra de uma geladeira nova, por exemplo, só é possível se for parcelada. Não interessa o valor total da compra, não se curvam ao argumento de que pagarão duas ou três vezes o valor do produto.
Multiplicar a quantidade de parcelas pelo valor de cada uma delas é uma operação matemática simplesmente ignorada, não interessa, a informação não vai alterar a decisão de compra.
Qual a taxa de juros embutida no valor da parcela? Mais uma informação inútil que não altera a decisão.
Certa vez, perguntaram a uma senhora, prestes a adquirir uma lava-roupa em 24 parcelas, se ela tinha pensado na alternativa de poupar o dinheiro e comprar à vista, pagando muito menos pela máquina. "O senhor nunca encarou um tanque de roupa suja na vida, né?", respondeu a senhora.
A lavadora de roupas custa parcelas mensais de R$ 150,00 e a libertará do tanque de roupa suja. O tempo que ela despendia na árdua tarefa de lavar roupas será usado na cozinha, com o prazeroso preparo de doces e salgados, cuja venda proverá a renda extra necessária para pagar as parcelas. Quanto pagará de juros, o preço final da máquina, não importa. A libertação do tanque a move e custa apenas R$ 150,00 por mês.
Muitas pessoas que aderem a consórcios e títulos de capitalização não ganham nada pelo esforço do depósito parcelado e serão punidas se deixarem de pagar. Mas é exatamente essa obrigação que representa para elas o mecanismo de "guardar" dinheiro.
No caso dos consórcios, o consumidor que desistir do contrato terá direito à devolução dos valores pagos, descontadas as taxas e as multas previstas. E, na maioria dos casos, deverá esperar a data final do contrato, meses ou anos, para a devolução do dinheiro. Além disso, deixará de participar dos sorteios mensais, a provável razão pela qual aderiu ao consórcio.
Nos títulos de capitalização, existem períodos de carência que podem chegar a 24 meses, o que impede o resgate do valor depositado.
A falta de pagamento da parcela impõe algumas punições: suspensão do título, exclusão dos sorteios, recebimento de parte do valor depositado depois de decorrido o período de carência.
Essas amarras e punições parecem funcionar para as pessoas com baixa disciplina que não conseguem guardar dinheiro. Fazem isso porque são obrigadas.
Além disso, a aversão a perda, de todo o valor depositado ou parte dele, garante o pagamento das parcelas, muitas vezes, em detrimento das reais prioridades do orçamento familiar. Para evitar perdas, continuam pagando, reféns de produtos escolhidos para "guardar" dinheiro.
Procure e descubra a chave, o gatilho, que muda sua programação mental. Sonhe e faça planos para realizar os sonhos, transformá-los em realidade. Encontre o propósito que te move para poupar e seja recompensado pelo esforço.
Feliz 2019!
Planejadora financeira CFP ("Certified Financial Planner"), autora de "Finanças Pessoais: O Que Fazer com Meu Dinheiro"
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