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Porto Alegre, segunda-feira, 29 de outubro de 2018.
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Opinião Econômica: Marcia Dessen
Marcia Dessen

Opinião Econômica

Edição impressa de 29/10/2018. Alterada em 29/10 às 01h00min

Quanto mais volátil, maior o risco

Volatilidade é uma medida estatística da dispersão do retorno de determinado ativo ou índice de mercado. Em outras palavras, a flutuação dos preços para cima e para baixo. Aqui entre nós, não temos nenhum problema com as flutuações "para cima". O problema é quando os preços flutuam "para baixo".
Aprendemos, com as finanças comportamentais, que a dor das perdas, assim percebidas as flutuações negativas, é muito maior do que o prazer dos ganhos, assim percebidas as flutuações positivas.
Interessante lembrar que a mera flutuação do preço não representa efetivamente uma perda ou ganho, que só se materializa quando decidimos vender, sair da posição. Curiosamente, tendemos a realizar o prejuízo, com receio de perder mais, mas não realizamos o lucro, achando que os ganhos futuros serão maiores e para sempre. Só mesmo a psicologia econômica para explicar tal comportamento.
A volatilidade é uma característica de investimentos mais arriscados, faz parte da natureza desses ativos. Esperamos ganhar mais investindo em ações exatamente em razão do risco e de maior incerteza que somos desafiados a aceitar.
A lógica é a mesma quando investimos em títulos de crédito de empresas, menos sólidas, com classificação de risco menos favorável, muitas vezes sem garantia, cobrando maior retorno pelo risco sobre o capital investido. Ou quando investimos em ativos de longo prazo, com juros prefixados, que "perdem" quando a taxa de juros sobe.
Nossos investimentos, mesmo e particularmente os de longo prazo, são afetados por variáveis de curto prazo que impactam fortemente os preços dos ativos. A enorme incerteza que cercou as eleições presidenciais, por exemplo, é o mais recente exemplo de como os preços podem oscilar, para cima e para baixo.
Nas últimas semanas, o índice da bolsa das principais ações negociadas no mercado flutuou fortemente. O real se valorizou perante o dólar e outras moedas estrangeiras, depois de longo e acentuado período de desvalorização. Os juros de longo prazo, que haviam subido bastante, estão voltando ao patamar de semanas atrás, enquanto a taxa de curto prazo, a Selic, permanece impávida, em 6,5% ao ano, como se nada estivesse acontecendo.
A disposição de suportar a volatilidade tende a recompensar o investidor disciplinado, e, muitas vezes, as maiores recompensas acontecem logo após períodos de alta turbulência. É tolice tentar adivinhar exatamente quando esses momentos de volatilidade começam e terminam. Sejamos prudentes diante de previsões espetaculares.
Para suportar as flutuações adversas nos preços, no curto prazo, devemos lembrar que investimos por anos, por décadas, e não por semanas ou meses. Os objetivos de curto prazo, se corretamente investidos em ativos conservadores de taxa pós-fixada, não serão impactados pela volatilidade dos demais ativos.
Não podemos esquecer que risco não é sinônimo de perda, mais adequado dizer sinônimo de incerteza, lembrando que toda incerteza carrega riscos e oportunidades, que precisam ser analisadas e avaliadas dentro de um contexto mais amplo, o contexto particular de cada um de nós, o mais importante de todos, a despeito de prognósticos especulativos.
Se nossa carteira de investimento estiver bem estruturada, adequada aos nossos objetivos e horizonte de tempo, respeitando nossa capacidade e disposição de suportar riscos, é essencial manter a disciplina em tempos voláteis. A única maneira de o mercado nos recompensar, no longo prazo, é estarmos dispostos a tolerar suas excentricidades.
Planejadora financeira, autora de "Finanças Pessoais: O Que Fazer com Meu Dinheiro"
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