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Porto Alegre, terça-feira, 23 de outubro de 2018.
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Opinião Econômica: Nizan Guanaes
Nizan Guanaes

Opinião Econômica

Edição impressa de 23/10/2018. Alterada em 22/10 às 23h28min

Apêndice

Diz o profeta Isaías, falando sobre Deus: "Meus caminhos não são os Seus caminhos, e meus pensamentos não são os Seus pensamentos". Fato. A gente planeja uma coisa, e a mão do invisível desenha outra.
Como já contei para vocês, eu estava me preparando para correr a Maratona de Nova Iorque no dia 4 de novembro próximo. Só que, no dia 27 de setembro, dei entrada no Hospital Sírio-Libanês em São Paulo para ser operado de emergência absoluta de uma apendicite supurada - aos 60 anos de idade.
Pulei uma fogueira.
Passei dois dias na UTI, mais dois dias na unidade semi-intensiva e, ao todo, fiquei 11 dias internado no hospital. Depois, fiquei mais uma semana de molho em casa me recuperando.
Apêndice é uma coisa anacrônica, obsoleta, que não tem nenhuma função no corpo da gente. A não ser a função de dar errado.
Na empresa (e também na vida da gente) tem um monte de apêndices - práticas, processos, convicções, que podem até ter feito sentido um dia, mas que não valem mais no mundo de hoje e ficam ali só para dar errado.
Por que não tiramos esses apêndices? Por descaso, desleixo, zona de conforto, procrastinação. Podem ser coisas pequenas, mas esse troço mata.
Algumas das maiores organizações do mundo e do Brasil foram mortas ou gravemente danificadas por apêndices supurados. Por isso, meu amigo, minha amiga, se você não tirou o apêndice de seu trabalho, de sua empresa, de sua vida, tire logo. Não é fácil. Às vezes a gente não tira essas coisas por ego, vaidade, teimosia, descaso. Já me dei muito mal por isso.
E, como o apêndice é pequeno, a gente não lembra que ele está ali e pode matar.
Ao longo da minha vida profissional, eu já trabalhei com mais de 300 anunciantes, em todos os setores, e posso descrever dezenas e dezenas de apendicites empresariais supuradas, coisas que eram tão irrelevantes, mas que de repente viraram septicemia organizacional. E aí não tem Raul Cutait, David Uip nem Roberto Kalil que deem jeito.
Uma pesquisa nova realizada com quase 600 funcionários e supervisores de empresas americanas e chinesas, divulgada na semana passada, mostra que chefes procrastinadores que adiam decisões importantes ou as deixam para a última hora podem ter efeito devastador na gestão das companhias em que atuam, reduzindo o comprometimento de toda a sua equipe com o trabalho a ser feito.
Uma das piores recessões da economia brasileira se encerrou oficialmente no ano passado, mas a recuperação da atividade segue lenta. A crise foi longa, profunda e dolorosa. E muitas empresas fizeram o dever de casa da crise: revisaram suas operações, cortaram custos, buscaram vantagens competitivas, criaram novos produtos e mercados, investiram em produtividade e em inovação. E cortaram seus apêndices.
Elas estão prontas para correr a Maratona do Brasil, que sempre foi uma prova duríssima de resistência.
E você? Fez a lição de casa da crise?
Quanto à Maratona de Nova Iorque, vou correr apenas 20 de seus 42 quilômetros no mês que vem. Vou participar da festa, fazer um treino de luxo e celebrar que estou vivo, que a vida segue. E que os caminhos da gente, como diz lindamente o profeta Isaías, não são exatamente o que a gente pensa e traça.
Até para o ano, Maratona (integral) de Nova Iorque. Até dia 3 de março, Maratona de Tóquio.
Mais uma vez, fica a dica: tirem seus apêndices.
Publicitário, fundador do Grupo ABC
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