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Porto Alegre, quarta-feira, 26 de setembro de 2018.
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Opinião Econômica: Nizan Guanaes
Nizan Guanaes

Opinião Econômica

Edição impressa de 25/09/2018. Alterada em 24/09 às 21h53min

A Casa Santa Terezinha

Não existe vida saudável sem abraçarmos causas. Sem razões maiores para viver, nós morremos ainda vivos.
Nesses tempos de deserto do Brasil, vendo nossa caminhada errática em busca da terra prometida (lembrando que Moisés vagou com seu povo 40 anos pelo deserto), rezar, treinar para a maratona e ajudar a cuidar da Casa Santa Terezinha têm sido um bálsamo para mim.
A Casa Santa Terezinha fica colada na Igreja de Santa Terezinha, em Higienópolis, num prédio onde funcionava o antigo Instituto Moreira Salles.
A Casa Santa Terezinha nasceu da fé, da vontade e da compaixão da dermatologista Régia Patriota, que me chamou para abraçar essa grande causa que é cuidar de crianças com genodermatose -doenças genéticas e graves de pele.
Essas doenças, embora não sejam infeciosas, parecem infecciosas. As crianças, além de dores lancinantes e incômodos terríveis, sofrem preconceitos e exclusão.
Não existem políticas públicas para tratar dessas doenças complexas, e as famílias dos doentes geralmente não têm informações suficientes sobre como cuidar das meninas e meninos afetados por elas.
A sociedade brasileira não tem muito contato com a doença, e, quando tem, geralmente se escandaliza e sente repulsa dada a gravidade das chagas.
O Brasil é um grande país, cheio de pessoas sérias, generosas, fazedoras e decentes como a dermatologista Régia Patriota. Que, além de seu enorme trabalho diário, sonha há anos em desenvolver a Casa Santa Terezinha. Doutora Régia é o Brasil que eu quero.
Eu costumo rezar e cantar na Igreja de Santa Terezinha, e foi lá que a doutora Régia me encontrou e me recrutou. Para mim, aquele encontro oi um chamado.
Tenho trabalhado muito para construir a Casa Santa Terezinha, mas, por mais que eu faça por ela, o que eu faço é pequeno diante do que ela está fazendo por mim.
Ao contemplar crianças perseverando e sorrindo, apesar daquelas cicatrizes e chagas, eu coloco a minha vida na verdadeira perspectiva e as minhas dores, nos seus devidos lugares.
E por que estou falando disso num caderno de economia?
Porque o terceiro setor precisa cada vez mais dos empresários e dos empreendedores para cuidar da parte de gestão, de governança, de levantar fundos.
E também porque a espiritualidade e o empreendedorismo não são eixos excludentes. Pelo contrário. Os valores que a espiritualidade e a fé podem incutir nos negócios e em seus líderes -como integridade, justiça, cooperação, respeito, confiabilidade e serviço- são poderosas alavancas nos mercados do século 21.
Uma grande rede de lojas nos Estados Unidos, The Container Store, diz a seus colaboradores que eles têm uma obrigação moral de resolver os problemas de seus clientes, não apenas vender os produtos da empresa. E a empresa vai indo muito bem assim.
As coisas que somos na vida não são méritos nossos. Elas vêm de Deus, da natureza, nós nascemos assim.
Agora, no que a gente se transforma, isso sim é mérito nosso. Essa dimensão maior, essa dimensão de propósito e de valores, é sempre necessária. Ainda mais aqui. Ainda mais agora.
Santa Terezinha e sua casa me dão força e perspectiva nessa nossa caminhada errática de tantos anos pelo deserto em busca de um destino para o Brasil.
Às vezes parece que só mesmo um milagre será capaz de concluir esta caminhada.
Mas quem acredita em Santa Terezinha acredita em milagre.
Publicitário, fundador do Grupo ABC
 
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Comentários
Edson Luiz Fernandes 25/09/2018 23h45min
Notável o conteúdo humanístico, de Nizan Guanaés, na Opinião Econômica do dia 25/09/2018. Demonstra, positivamente, que espiritualidade e empredorismo NÃO SÃO EIXOS EXCLUDENTES! Demarcam o caminho em busca do Brasil que eu quero. Parabéns!