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Porto Alegre, segunda-feira, 10 de setembro de 2018.

Jornal do Comércio

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Opinião Econômica: Marcia Dessen
Marcia Dessen

Opinião Econômica

Edição impressa de 10/09/2018. Alterada em 09/09 às 22h13min

Psicologia econômica

A teoria moderna de finanças conta com a premissa da racionalidade do investidor. Entretanto, estudos inovadores, combinando psicologia e economia, mostraram que as emoções e os julgamentos irracionais afetam nossa tomada de decisões.
Nossa capacidade limitada de processar informações e a dificuldade de identificar a melhor opção nos levam à utilização de atalhos mentais (heurísticas) que simplificam o processo de decisão.
A ancoragem, por exemplo, é uma heurística frequentemente observada. Como você responderia à seguinte pergunta: "O Ibovespa, principal índice do mercado de ações no Brasil, valorizou 26% em 2017. Quanto deve valorizar em 2018?".
A informação sobre o desempenho do ano anterior é irrelevante, a correlação entre o desempenho de um período e de outro é praticamente zero. No entanto, a maioria dos investidores usará essa referência para estabelecer sua estimativa.
Um estudo interessante pesquisou se a forma de apresentar um problema (framing) influencia nossa escolha. Racionalmente, um mesmo problema, enunciado de duas maneiras distintas, não poderia produzir resultados diferentes. No entanto, não é isso que se observa.
Um grupo de pessoas foi convidado a decidir sobre a implementação de um programa de saúde pública para combater uma doença epidêmica envolvendo 600 pessoas: 1) se o programa A for adotado, 200 pessoas serão salvas; 2) se o programa B for adotado, há 1/3 de probabilidade de que 600 pessoas sejam salvas e 2/3 de que ninguém se salve. Resultado: 72% dos participantes preferem o programa A.
O mesmo problema foi enunciado de maneira diferente para outro grupo de pessoas: 1) se o programa C for adotado, 400 pessoas morrerão; 2) se o programa D for adotado, há 1/3 de probabilidade de que ninguém morra e 2/3 de probabilidade de que 600 pessoas morram. A maioria preferiu o programa D, e apenas 22% optaram pelo programa C.
Quando o problema enuncia-se de forma a salvar vidas, as pessoas são conservadoras, preferem garantir vidas salvas a tomar riscos. Quando se fala em mortes, as pessoas são propensas ao risco, arriscam para tentar evitar as perdas de vidas.
Qualquer semelhança com a maneira segundo a qual tomamos decisões de investimentos não é mera coincidência.
O que você prefere: ganhar R$ 900,00 ou 90% de chance de ganhar R$ 1.000,00?
Se você escolheu a certeza de receber R$ 900,00, respondeu como a maioria das pessoas, apesar de ambas terem o mesmo valor esperado.
As pessoas são, em geral, avessas ao risco, procurando obter um ganho certo, mesmo que o valor esperado da alternativa seja potencialmente superior. Esse viés comportamental é conhecido como "aversão ao risco".
O exemplo que acabamos de ver considera somente ganhos, e, curiosamente, quando as escolhas são perdas, o resultado é diferente. Você prefere 1) perder R$ 900,00 ou 2) 90% de chance de perder R$ 1.000,00 ou seja, 10% de chance de perder R$ 0?
Em vez de escolher a perda certa da escolha 1, como no caso de ganhos, a maioria escolherá a aposta arriscada da opção 2. Esse comportamento ajuda a entender por que investidores em ações, por exemplo, resistem a vender posições com prejuízo.
Escolhem manter o investimento na esperança de que o valor voltará ao preço original de compra. O nome desse viés é "aversão à perda". Segundo Kahneman e Tversky, os investidores sentem muito mais a dor da perda do que o prazer de um ganho equivalente.
Planejadora financeira CFP ("Certified Financial Planner"), autora de "Finanças Pessoais: O Que Fazer com Meu Dinheiro"
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