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Porto Alegre, segunda-feira, 27 de agosto de 2018.
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Opinião Econômica: Marcia Dessen
Marcia Dessen

Opinião Econômica

Edição impressa de 27/08/2018. Alterada em 26/08 às 22h44min

Tesouro Direto de graça?

Sabemos (ou deveríamos saber) que nada é de graça. No mercado financeiro, então, é natural a desconfiança quando nos oferecem alguma coisa gratuita porque é natural que custos sejam pagos, direta ou indiretamente.
A forma de remunerar o produto ou serviço pode variar: uma tarifa, uma comissão, uma taxa de administração, uma corretagem, enfim, algum dinheiro sai do nosso bolso em troca do produto ou do serviço que compramos.
O relacionamento é, muitas vezes, moeda de troca. A tarifa do pacote da conta-corrente, por exemplo, pode ser zero se tivermos um cartão de crédito, dois ou três débitos automáticos, investimentos acima de determinado montante etc. A receita vem do conjunto de produtos e serviços que mantemos com a instituição, suficiente para "isentar" o custo de outro serviço.
Você desconfia quando vê corretoras, inclusive algumas ligadas a grandes bancos, que não cobram nada nas operações do Tesouro Direto? Fica ressabiado, procurando a pegadinha, tentando entender como elas ganham dinheiro?
Pois saibam que elas não trabalham de graça! Nós, investidores, não pagamos diretamente, mas parte do que desembolsamos para a B3 é repassada para elas. Entenda como funciona.
Recordando: o Tesouro Direto, programa para venda de títulos públicos federais para pessoas físicas pela internet, foi desenvolvido pelo Tesouro Nacional em parceria com a BM&FBovespa (atual B3). A B3, por sua vez, precisa das instituições financeiras para o ciclo operacional.
O Tesouro Nacional emite os títulos; a B3 mantém o sistema Tesouro Direto, guarda os títulos e envia extratos mensais aos investidores; a instituição financeira cadastra o investidor, transfere os valores e os títulos e recolhe o Imposto de Renda.
São dois os custos do investidor: 1) taxa de custódia de 0,30% ao ano sobre o valor dos títulos cobrada pela B3; e 2) taxa cobrada pela instituição financeira, livremente pactuada com o investidor. O site do Tesouro Direto lista as instituições habilitadas e as taxas cobradas por cada uma delas.
Com o objetivo de incentivar a distribuição do Tesouro Direto, a B3 mantém um Programa de Expansão da Base de Investidores do Tesouro Direito, que, mediante cumprimento das regras definidas, repassa aos agentes de custódia parte da taxa cobrada por ela.
De acordo com o programa de incentivo da B3, as corretoras que tiverem melhor desempenho em algumas métricas, entre elas a quantidade de novos CPFs investindo em Tesouro Direto, passam a ter um "crédito" na B3. Elas podem utilizar o crédito para abater as próprias taxas da B3, e pelo menos 25% desse crédito deve ser investido em ações de divulgação e educação do produto no mercado.
É uma ação ganha-ganha-ganha. A B3 e o Tesouro Nacional ganham porque estão estimulando a divulgação de um produto que ainda é desconhecido da maioria da população. As corretoras ganham, pois têm um estímulo financeiro direto no produto, e o mercado ganha, pois parte dos recursos deve obrigatoriamente ser revertida em ações educativas.
Algumas instituições usam o Tesouro Direto e esse programa de incentivo como oportunidade de ganhar participação de mercado. Uma vez dentro de casa, a instituição tentará "sofisticar" o cliente e oferecer produtos mais rentáveis, de maior risco.
Se é um trabalho bem-feito, conduzido com ética e respeito ao perfil do cliente, não há nada de errado. O investidor sempre terá o direito de dizer "não, obrigada", caso a oferta não esteja alinhada com seus objetivos.
Planejadora financeira, autora de Finanças pessoais: o que fazer com meu dinheiro
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