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Porto Alegre, segunda-feira, 30 de julho de 2018.

Jornal do Comércio

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Opinião Econômica: Marcia Dessen
Marcia Dessen

Opinião Econômica

Edição impressa de 30/07/2018. Alterada em 29/07 às 23h04min

O sobe e desce das cotas de fundos

Os ativos negociados no mercado perderam valor diante das notícias recentes. Os preços estão baixos, e, enquanto muitos fogem em busca de mais segurança, você investe, decidido a correr o risco, acreditando na recuperação do mercado.
Sua expectativa se confirma, os juros caem, a Bolsa atrai investidores e os preços sobem! Você quer dividir os lucros com quem correu menos risco e investiu quando o mercado já estava em franca recuperação? É evidente que não.
O mesmo raciocínio se aplica quando o movimento inverso acontece. Quem investe na alta, com rentabilidade passada linda, terá de arcar com eventuais prejuízos caso o pior cenário aconteça.
Assim é a vida de quem investe coletivamente, em fundos de investimento, condomínio sujeito a regras que se aplicam a todos os cotistas. O que vale para um vale para todos. Assim como acontece nos condomínios residenciais.
O patrimônio de um fundo de investimento pertence a centenas, milhares de cotistas. É representado pelos ativos financeiros que compõem a carteira do fundo, constituída pelo gestor do fundo, conforme regulamento. O gestor equivale ao síndico de um condomínio residencial, responsável pela gestão dos recursos arrecadados.
A comparação para por aqui. Em um condomínio residencial, somente as áreas comuns são compartilhadas e cada um é o único dono da sua unidade, comprada por um preço que ele negociou individualmente e que pode ser mantida ou vendida quando o proprietário quiser, pelo preço que ele conseguir. O lucro (ou prejuízo) auferido por um condômino na venda da sua unidade não é compartilhado com os demais.
Em um fundo de investimento, 100% do patrimônio pertence a todos, sua porta de entrada e de saída está sempre aberta, permitindo que cotas sejam compradas e vendidas todos os dias. Para que essa negociação seja feita pelo preço justo, cada ativo da carteira é contabilizado, diariamente, pelo valor de mercado.
Quando a "marcação a mercado" apura valorização dos ativos, o valor da cota sobe e todo o mundo fica feliz. Entretanto, quando ocorre uma desvalorização nos ativos da carteira, o valor da cota cai, o investidor não gosta e muitas vezes reage precipitadamente, resgatando cotas que pretendia manter.
O procedimento incomoda, mas existe uma razão inquestionável para ser feito todos os dias. Quando a marcação deixa de registrar uma desvalorização, por exemplo, a cota fica falsamente elevada, prejudicando quem compra cotas naquele dia (investidor paga mais do que vale), favorecendo quem resgata e recebe mais dinheiro do que deveria.
O inverso é verdade. Quando o administrador do fundo omite uma valorização e mantém o valor da cota abaixo do verdadeiro, ganha quem compra cotas naquele dia (investidor paga menos do que vale) e perde quem resgata cotas naquele dia e recebe menos do que tem direito.
A marcação a mercado é exigida pela CVM, órgão regulador dos fundos, e deve ser feita para evitar a transferência de riqueza de um cotista para outro. Apesar do desassossego que provoca, ela assegura que os seus ganhos (ou perdas) são seus, de mais ninguém.
O mesmo conceito se aplica ao Tesouro Direto, que, embora não seja um condomínio, permite a compra e a venda diária dos títulos públicos, pelo valor de mercado. Quem se incomoda com a flutuação de preços pode esperar o vencimento do título e receber exatamente o que contratou no dia da compra, opção não disponível para cotistas de fundos, cuja cota não tem vencimento.
Planejadora financeira CFP ("Certified Financial Planner"), autora de "Finanças Pessoais: O Que Fazer com Meu Dinheiro"
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