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Porto Alegre, quinta-feira, 24 de junho de 2021.
Dia da Indústria Gráfica.
Porto Alegre,
quinta-feira, 24 de junho de 2021.

Alterada em 24/06 às 15h17min

Vidas importam

Por Dom Jaime Spengler, arcebispo metropolitano e primeiro vice-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)
Por Dom Jaime Spengler, arcebispo metropolitano e primeiro vice-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)
Há quem diga que o mundo está virado do avesso. Vivemos um tempo novo no qual a incerteza parece se impor. De repente, de um dia para outro, caíram por terra um conjunto de convicções duramente construídas ao longo dos últimos decênios.
A ciência contemporânea, marcada por orgulho e prepotência, capaz de inventar um mundo paralelo ou virtual, proporcionar a clonagem humana, conceber a inteligência artificial, desejosa de tudo controlar, procurando caminhos para a saúde perfeita e almejando superar o desafio da morte se viu confrontada com um vírus perigoso e mortal.
Diante da pandemia do novo coronavírus, cientistas em seus laboratórios, sustentados por muito dinheiro, deram início a uma corrida contra o tempo e contra o vírus. Num tempo recorde, se conseguiu produzir vacinas que, aos poucos, vão sendo disponibilizadas para a população.
Contudo, no atual ritmo de vacinação, não se vislumbra, a curto prazo, um caminho de superação da tragédia que continua vitimando brasileiros. Tudo é ainda muito incerto.
“Diante de nossos olhos se esvanece, feito fumaça, o paradigma civilizatório que nos moldou ao longo dos últimos 200 anos – que somos senhores da criação, podemos fazer tudo e o mundo nos pertence” (O. Tokarczuck). Infelizmente, se pode constatar a continuidade de “uma profunda escuridão sobre nossas praças, ruas e cidades. (...) Estamos frágeis e desorientados, mas ao mesmo tempo somos importantes e necessários, todos convocados a remar juntos, cada um precisando confortar o outro” (Papa Francisco).
Por um lado, a morte de 500 mil brasileiros requer o silêncio respeitoso e as preces dos que têm fé. De outro, é necessário, nobre e digno o reconhecimento pelo empenho de tantas pessoas, em distintos espaços da sociedade, que colaboram no enfrentamento dos desafios que a pandemia impõe a todos; sinal de espírito humano e cívico.
Vidas importam! As vidas perdidas nesta tragédia da pandemia do novo coronavírus, marcada também por omissões, negligências, vaidades e interesses mesquinhos, não serão esquecidas.
Arquidiocese de Porto Alegre passa a disponibilizar semanalmente conteúdo da Leitura Orante - Desde o último domingo (20), a Lectio Divina (ou Leitura Orante da Palavra) poderá ser acessada diretamente no site da Arquidiocese de Porto Alegre, no endereço www.arquipoa.com/leituraorante. Trata-se de uma prática e método considerado patrimônio de nossa Igreja para leitura, meditação, oração e contemplação da Palavra de Deus. O conteúdo dominical, edição exclusiva das Edições CNBB, será disponibilizado sempre com duas semanas de antecedência. "A Palavra de Deus é luz para os nossos passos, para a nossa vida. Podemos nos aprofundar no conhecimento da Palavra de Deus por meio da prática da Leitura Orante da Palavra", estimula Dom Jaime Spengler, arcebispo metropolitano. No site, os seguintes conteúdos serão encontrados: vídeo de exortação de Dom Jaime Spengler; roteiros fixos todas as edições dominicais da Leitura Orante da Palavra; roteiros dominicais da Leitura Orante de Palavra (disponibilizados com duas semanas de antecedência). A Lectio Divina, que pode ser traduzida como “leitura divina” ou “leitura espiritual”, é mais conhecida atualmente em nossa Igreja como Leitura Orante da Palavra. Trata-se de uma prática e método de leitura, meditação, oração e contemplação cujos princípios foram expressos por volta do ano 220 e praticados por monges católicos, especialmente Pacômio, Agostinho, Basílio e Bento. A sistematização do método da Leitura Orante nós encontramos nos escritos de Guigo, o Cartuxo, por volta do século XII. No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina. O método mais antigo, e que inspirou outros mais recentes, é que, seja pessoalmente, em comunidade ou no círculo bíblico, nós comecemos a reflexão com a Palavra de Deus e que, depois da invocação do Espírito Santo, sigamos os seguintes "degraus da escada" que nos ajuda a subir até Deus: 1- Lectio (Leitura); 2- Meditatio (Meditação); 3- Oratio (Oração); 4- Contemplatio (Contemplação). Em poesia, Guigo, o Cartuxo, na obra Scala Claustralium (A escada dos monges), escreveu: “a leitura procura a doçura da vida bem-aventurada; a meditação a encontra; a oração a pede, e a contemplação a experimenta. A leitura, de certo modo, leva à boca o alimento sólido, a meditação o mastiga e tritura, a oração consegue o sabor, a contemplação é a própria doçura que regala e refaz. A leitura está na casca, a meditação na substância, a oração na petição do desejo, a contemplação no gozo da doçura obtida.”
Papa aos idosos: "salvaguardar as raízes, transmitir a fé aos jovens e cuidar dos pequeninos" - Na última terça-feira (22), foi divulgada a mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial dos Avós e dos Idosos que será celebrado no 4° domingo de julho, neste ano, no dia 25. O Papa Francisco escreveu sua mensagem colocando-se lado a lado com os idosos, e iniciou afirmando: “’Eu estou contigo todos os dias’ (cf. Mt 28, 20) é a promessa que o Senhor fez aos discípulos antes de subir ao Céu; e hoje repete-a também a ti, querido avô e querida avó. Sim, a ti! ‘Eu estou contigo todos os dias’ são também as palavras que eu, Bispo de Roma e idoso como tu, gostaria de te dirigir por ocasião deste primeiro Dia Mundial dos Avós e dos Idosos: toda a Igreja está solidária contigo – ou melhor, conosco –, preocupa-se contigo, ama-te e não quer deixar-te abandonado”. Depois de ter recordado as perdas e sofrimentos por causa da pandemia, o Papa consolou: “O Senhor conhece cada uma das nossas tribulações deste tempo. Ele está junto de quantos vivem a dolorosa experiência de ter sido afastado; a nossa solidão – agravada pela pandemia – não O deixa indiferente”. Francisco explica o motivo pelo qual proclamou justamente neste ano o Dia Mundial dos Avós e dos Idosos: “Mesmo quando tudo parece escuro, como nestes meses de pandemia, o Senhor continua a enviar anjos para consolar a nossa solidão repetindo-nos: ‘Eu estou contigo todos os dias’. Di-lo a ti, di-lo a mim, a todos. Está aqui o sentido deste Dia Mundial que eu quis celebrado pela primeira vez precisamente neste ano, depois dum longo isolamento e com uma retomada ainda lenta da vida social: oxalá cada avô, cada idoso, cada avó, cada idosa – especialmente quem dentre vós está mais sozinho – receba a visita de um anjo!”. Para assistir ao vídeo acesse: https://bit.ly/3gYPnLg.
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Dom Jaime Spengler
Dom Jaime Spengler
A Arquidiocese de Porto Alegre renova sua tradicional coluna no Jornal do Comércio, antes intitulada "A Voz do Pastor", e passa a chamá-la "Olhar da Fé", com publicação exclusiva na versão online do veículo. Todas as quintas-feiras, Dom Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre, ou um dos bispos auxiliares trarão a visão do sagrado sobre temas importantes para a sociedade.