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Porto Alegre, quinta-feira, 04 de março de 2021.

Jornal do Comércio

Porto Alegre,
quinta-feira, 04 de março de 2021.
04/03/2021 - 15h45min.
Alterada em 04/03 às 15h45min

Um micro-organismo nos desafia

Por Dom Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre e primeiro vice-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)
Por Dom Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre e primeiro vice-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)
Desde março de 2020, parece o entardecer, parece cair a noite sobre nós. Densas trevas cobriram as nossas praças, ruas e cidades; apoderaram-se das nossas vidas, enchendo tudo dum silêncio ensurdecedor e dum vazio desolador, que paralisa tudo à sua passagem: pressente-se no ar, nota-se nos gestos, dizem-no os olhares. Revemo-nos temerosos e perdidos. Fomos surpreendidos por uma tempestade inesperada e furibunda que atinge a todos, sem distinções. Estamos no mesmo barco, todos frágeis e desorientados, mas ao mesmo tempo importantes e necessários. Sim, importantes, pois toda vida humana é importante! Necessários, pois para afrontar as peripécias do tempo, é decisivo remar juntos (cf. Papa Francisco, 27.03.2020).
O tempo quaresmal que estamos vivendo convida-nos à reflexão e à revisão de vida. A perplexidade que caracteriza o tempo presente à causa da crise sanitária, com seus desdobramentos, exige lucidez e coragem. Coragem para acolher as orientações que as autoridades sanitárias propõem. Lucidez para reconhecer e compreender a necessidade de engajamento de todos para a superação dos desafios que o novo coronavírus nos impõe.
Para fazer frente às adversidades que se sobrepõem, urge determinação das melhores forças da nação para a construção e implementação de um “Pacto pela Vida e pelo Brasil”, pois a vida e saúde dos cidadãos é seu patrimônio maior.
A determinação de critérios para superação da crise não pode estar ancorada em princípios meramente econômicos. A dimensão econômica da vida social, com suas normas, é certamente importante. Contudo, é necessário se perguntar se o atual sistema que rege as leis do mercado promove equanimidade ou exclusões e desigualdades.
Não faltam indicações de que o atual sistema econômico é perverso. Por isso, junto com a disponibilidade de vacinas para todos, “é necessário corrigir os modelos de crescimento incapazes de garantir o respeito ao meio ambiente, o acolhimento da vida, o cuidado da família, a equidade social, a dignidade dos trabalhadores e os direitos das futuras gerações” (Papa Francisco).
Curso formou novos Conselheiros de Políticas Públicas - A Dimensão de Justiça Caridade e Paz da Arquidiocese de Porto Alegre, em parceria com o Mensageiro da Caridade, o Grupo Fé e Cidadania e a Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana, concluiu no dia 18 de fevereiro o Curso de Formação de Conselheiros de Políticas Públicas. Foram três meses de aulas on-line e atividades complementares. O grupo é formado por 48 participantes, que receberam certificados pela ESTEF. O corpo de assessores teve qualificados como dirigentes de grandes projetos, conselheiros de políticas públicas, gestores de órgãos públicos e professores universitários. A participante de Esteio, Cláudia Alves, destacou o alto nível do programa de formação pela qualidade das temáticas e assessores qualificados. “Este aprendizado conduz a uma nova postura. Temos de batalhar por políticas públicas que garantam a inclusão e os direitos das pessoas em situação de vulnerabilidade”. Ela afirmou que o curso mostrou um procedimento importante para o trabalho social da Igreja. “A caridade é necessária, mas o mais importante é a transformação social que assegure os direitos das pessoas”. Ela manifestou o desejo do grupo de continuidade deste processo de formação, com intuito de qualificar a presença dos cristãos nos espaços de gestão das políticas públicas. O Diretor Executivo do Mensageiro da Caridade, Luís Carlos Campos, afirmou que a entidade sentiu-se honrada em participar desse projeto de políticas públicas com o aporte de fé. “Tenho certeza que o curso despertou o interesse e a oportunidade de qualificar para a defesa dos direitos das pessoas. O desejo é que essa formação seja transformada em incidência política, para buscarmos o desenvolvimento social”. O arcebispo Dom Jaime Spengler agradeceu o empenho da equipe que concebeu e viabilizou a iniciativa. Para ele, tomar consciência e buscar o aperfeiçoamento das políticas públicas, amparados pela fé cristã e da Doutrina Social da Igreja requer esforço persistente e coletivo. “É esperançoso ver o desejo que os leigos têm de se qualificar para ser uma presença competente nos diversos conselhos”. Ele lembrou a recomendação do Papa Francisco de que participar das políticas públicas nos abre os olhos para vermos que no pobre a carne de Cristo torna-se visível para ser reconhecido, tocado e assistido cuidadosamente. “O desmonte do caminho democrático que estamos percebendo no Brasil nos instrumentos de cuidado e promoção da vida, nos convoca ao empenho com determinação nos espaços públicos”. Ele acrescentou que se envolver com as políticas públicas é ajudar a construir uma verdadeira fraternidade e resgatar a dignidade e nobreza de cada vida humana. “Nossa consciência não pode ficar adormecida diante do drama da pobreza, que cresce de forma assustadora entre nós”.
Fundo Nacional de Solidariedade destina recursos para Acre e Amazonas - O Fundo Nacional de Solidariedade (FNS) da CNBB destinou a doação de 141 mil reais para os Regionais Noroeste e Norte 1 da Conferência para auxiliar no enfrentamento da pandemia e das consequências das enchentes e da crise migratória na região. Em reunião virtual realizada na manhã desta quarta-feira (3), o secretário-geral da CNBB, dom Joel Portella Amado, definiu com os bispos dos dois estados sobre a distribuição dos recursos. A doação de recursos, segundo dom Joel, “não é mérito de ninguém, pelo contrário, é obrigação que decorre da fé de estarmos compartilhando um pouco daquilo que nós temos”. O secretário-geral da CNBB definiu a ocasião como um “momento de oração e de celebração pela alegria de, em meio a tantas dores, a tantas dificuldades, nos alegrarmos por fazer o bem”. Após o Conselho Gestor do FNS destinar recursos para 15 projetos sociais de ajuda humanitária, no mês passado, com recursos doados pela agência alemã Adveniat, uma parte do valor ainda estava disponível para aplicação em outra situação emergencial. Assim, o Secretariado Geral colocou em debate a questão com secretários executivos dos Regionais e depois decidiu pela aplicação no Norte do Brasil. O Acre enfrenta, além das consequências da pandemia do novo coronavírus, um crescimento nos casos de dengue, alagamentos e enchentes por conta da cheia histórica dos rios e uma crise na fronteira com o Peru devido à tentativa de migrantes haitianos retornarem para seu país. Por esse motivo e pelas doações que chegam à capital amazonense, dom Leonardo Steiner sugeriu a dom Joel que a maior parte dos recursos fosse destinada ao Regional Noroeste. Assim, os participantes aprovaram a seguinte divisão: 90 mil reais serão aplicados no enfrentamento da crise no Acre e os outros 51 mil reais serão entregues para o Regional Norte 1, que compreende o Norte do Amazonas e Roraima.
Papa pede orações pela viagem ao Iraque - Na Audiência Geral desta quarta-feira (3), o Papa Francisco pediu orações para que sua viagem ao Iraque possa se realizar como o programado, evitando assim que o povo iraquiano seja desapontado uma segunda vez, visto a proibição de São João Paulo II visitar o país, como era seu desejo: “Depois de amanhã, se Deus quiser, irei ao Iraque para uma peregrinação de três dias. Há algum tempo desejo encontrar aquele povo que tanto sofreu; encontrar aquela Igreja mártir na terra de Abraão. Junto com outros líderes religiosos, também daremos outro passo em frente na fraternidade entre os crentes. Peço-lhes para acompanhar com a oração esta Viagem Apostólica, para que possa se realizar da melhor forma e dê os frutos esperados. O povo iraquiano nos espera; esperava São João Paulo II, que foi proibido de ir. Não se pode desapontar um povo pela segunda vez. Oremos para que esta viagem possa ser bem feita. A Viagem Apostólica ao Iraque é uma das mais importantes e complexas do Pontificado do Papa Francisco, envolvendo também questões de segurança e com a adoção de todos os cuidados para evitar contágios com a Covid-19. "Sois todos irmãos", é o lema desta viagem, que é uma “viagem de fraternidade” aberta a todos, onde Francisco quer mostrar sua proximidade especialmente às comunidades cristãs perseguidas, com as visitas a Mosul, Qaraqosh e Erbil, no Curdistão iraquiano. Um dos pontos-altos da viagem será a visita a Ur, terra de Abraão, local símbolo para as três religiões monoteístas, onde será realizado o encontro inter-religioso que pretende reunir representantes de todas as religiões presentes no Iraque: cristãos de diversas denominações, muçulmanos xiitas e sunitas, judeus, yazidis, zoroastristas, entre outros. São João Paulo II havia expresso o desejo de poder visitar Ur no Ano Santo de 2000, intenção esta manifestada na "Carta sobre as peregrinações aos lugares ligados à história da salvação", de 29 de junho de 1999. A peregrinação acabou não se realizando devido à guerra e às dificuldades nas tratativas com Saddam Hussein. Assim, Francisco realizará este desejo não realizado do Pontífice polonês, passando a ser o primeiro Papa a visitar Ur, e o Iraque.
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