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Porto Alegre, quinta-feira, 07 de janeiro de 2021.

Jornal do Comércio

Porto Alegre,
quinta-feira, 07 de janeiro de 2021.

Alterada em 07/01 às 15h44min

A vida humana: identidade, individualidade e unicidade

Por Dom Jaime Spengler, arcebispo metropolitano de Porto Alegre e primeiro vice-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.
Por Dom Jaime Spengler, arcebispo metropolitano de Porto Alegre e primeiro vice-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.
Quando tem início uma vida humana? A ciência genética tem oferecido elementos preciosas para uma resposta condizente. A partir do instante em que um óvulo é fecundado, inaugura-se uma nova vida que não é a do pai ou a da mãe, mas a vida de um novo ser humano que começa a se desenvolver no útero de uma mulher, onde recebe calor, alimento, segurança, ternura e cuidados para que possa alcançar a maturidade necessária para o parto.
A concepção da vida humana, e, portanto, de um indivíduo humano, é um dom do qual resultam deveres que limitam o direito de autodeterminação de nossa vida (H. Jonas).
Exigir do poder público condições dignas para a realização de aborto, aponta para uma autonomia não digna de um ser humano racional. Comemorar em clima de carnaval, como foi notícia recente, a aprovação de tal prática significa compactuar com outras iniciativas, cujos exemplos históricos deixaram marcas profundas no subconsciente da humanidade.
A questão da legalização da eliminação de uma vida humana traz as marcas de uma clara polarização política crescente, alimentada por fundamentalismos de toda espécie, o que é um risco para a própria democracia. Tal questão é apresentada de forma tal que como um tsunami vai levando consigo todos os temas, dilemas e questões existenciais fundamentais, cujo único objetivo é fomentar o populismo, sem ética e sem moral.
É sinal de degradação humana verificar que tema vital como aborto vai se tornando tema instrumentalizado por bandeiras pseudodemocráticas, para alcançar objetivos que anulam o direito a vida. Temas semelhantes devem ser tratados dentro do eixo racional que lhes é próprio a partir da bioética. Infelizmente foram sequestrados por ideologias e interesses políticos alheios a qualquer tipo de aprofundamento e discussão, levados para púlpitos permissivos e perigosos, cujo interesse não parece ser a defesa do direito à vida e promoção do bem comum.
A vida humana é dom, compromisso e responsabilização; isto se aprende e se ensina; é questão de autêntica educação.
Temas correlatos à vida humana, sua natureza e dignidade, não podem se tornar bandeiras nas mãos de quem não reconhece, por exemplo, que o embrião humano mantém permanentemente a sua própria identidade, individualidade e unicidade, permanecendo ininterruptamente o mesmo e idêntico indivíduo durante todo o processo do desenvolvimento, da fertilização em diante, apesar da crescente complexidade da sua totalidade.
O tema do aborto, como também temas correlatos, são temas de ética humana, anterior a qualquer confissão religiosa. A vida humana, desde a sua concepção até o seu ocaso natural, é dom, precisando ser protegida, promovida, respeitada e dignificada.
Primeira mensagem do ano, da Presidência da CNBB, defende a vacina para todos - Em sua primeira mensagem de 2021, a presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) defende que a vacina contra a Covid-19 é um direito de todos os brasileiros. A vacinação, de acordo com os bispos, é compreendida como fato social, não individual, para alcançar metas indicadas pelos epidemiologistas. “É uma questão de responsabilidade a rápida definição de estratégias para se começar imediatamente a vacinação”, defende o documento. Segundo a presidência da CNBB, é imprescindível que todos caminhem juntos, solidariamente, sem exclusões para a erradicação da Covid-19 do mapa do Brasil. “Não se vence uma pandemia isoladamente”, reforçam os bispos. “O novo que buscamos neste ano de 2021 requer a união de todos os cidadãos de boa vontade”, afirmam. As vidas perdidas, segundo o texto, não podem simplesmente compor quadros estatísticos. “É luto e dor no coração das famílias. São histórias interrompidas por uma ameaça ágil, perigosa e invisível, porém real”, defendem. Os bispos também conclamam os fiéis a não se deixarem vencer pelo cansaço, pelas desinformações e a evitar as aglomerações. “Não podemos nos render à indiferença de alguns, negacionismos de outros ou à tentação de nos aglomerarmos, permitindo que nos contaminemos e nos tornemos instrumentos de contaminação, sofrimento e morte de outras pessoas”, aponta o documento. Em outro trecho, a mensagem defende que a sociedade brasileira exige pronta união e atuação dos governantes, nas diferentes esferas do poder, guiados pela ciência e sérias indicações dos epidemiologistas, para que a vacinação comece urgentemente, pois, a cada dia, vidas são perdidas para a pandemia, agravada também por seus impactos econômico-sociais. Para a leitura do documento na íntegra acesse: https://bit.ly/3hQydQb
Publicada a nova Carta Apostólica “Patris Corde”, do Papa Francisco - Para celebrar os 150 anos do Decreto Quemadmodum Deus, com o qual o Beato Pio IX declarou o Esposo de Maria como Padroeiro Universal da Igreja, o Papa Francisco convocou o “Ano de São José” com a Carta Apostólica “Patris Corde – Com coração de Pai”, publicada no dia 8 de dezembro de 2020. As reflexões da Carta retomam a mensagem contida nos Evangelhos para evidenciar o papel central de São José na história da Salvação. Neste documento, o Santo Padre quer partilhar algumas reflexões pessoais sobre essa figura extraordinária, tão próxima da condição humana de cada um de nós. “São José faz recordar que todos aqueles que estão, aparentemente, escondidos ou em segundo plano, têm um protagonismo sem paralelo na história da salvação”. Em sua Carta Apostólica, o Papa oferece uma reflexão sobre São José como um pai amado, um pai na ternura, um pai na obediência, um pai na acolhida, um pai de coragem criativa, um pai trabalhador e um pai nas sombras. A Carta Apostólica “Patris Corde – Com coração de Pai” pode ser adquirida por meio do site: www.edicoescnbb.com.br, ou por meio da Central de Vendas: (61) 2193-3019 / 0800 940 3019. Esta edição conta ainda com o Decreto da Penitenciaria Apostólica com o qual se concede o dom de Indulgências especiais por ocasião do Ano de São José.
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Dom Jaime Spengler
Dom Jaime Spengler
A Arquidiocese de Porto Alegre renova sua tradicional coluna no Jornal do Comércio, antes intitulada "A Voz do Pastor", e passa a chamá-la "Olhar da Fé", com publicação exclusiva na versão online do veículo. Todas as quintas-feiras, Dom Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre, ou um dos bispos auxiliares trarão a visão do sagrado sobre temas importantes para a sociedade.