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Porto Alegre, quinta-feira, 17 de dezembro de 2020.

Jornal do Comércio

Porto Alegre,
quinta-feira, 17 de dezembro de 2020.

Alterada em 17/12 às 15h28min

A tradição do presépio

Por Dom Jaime Spengler, arcebispo metropolitano e primeiro vice-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)
Por Dom Jaime Spengler, arcebispo metropolitano e primeiro vice-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)
O Natal celebra a encarnação de Deus na história humana. Em muitos lugares existe a tradição de montar o presépio. Qual a origem dessa tradição? Ela é fruto de uma intuição de Francisco de Assis.
“Três anos antes da morte do bem-aventurado Francisco, aconteceu um outro fato maravilhoso, que penso dever narrar, embora deixe outros de lado. O santo homem meditava sempre e com assiduidade os fatos relativos à vida de Cristo e, enquanto lhe fosse possível, não queria deixar passar nem um jota ou um ponto (Mt 5,18) daquilo que é narrado nos livros do santo Evange­lho. Ao contrário, dentre todas as coisas que foram escritas sobre Cristo, além daquelas que acontecem na instabilidade da nossa vida, desejava ardentemente carregar o suavíssimo jugo e o peso levíssimo (Mt 11,30) do Senhor.
Por isso, uma vez, ao aproximar-se a festa do Natal do Senhor e querendo representar da maneira mais verossímil possível a hu­mildade e a pobreza do menino salvador que nasceu em Belém, o homem de Deus preveniu um homem devoto e nobre, de nome João, na vila de Greccio. Este lhe preparou o boi e o asno com o presépio em vista das futuras alegrias da festa.
Enfim, chegou a solene noite, e o bem-aventurado Fran­cisco estava presente com muitos irmãos que vieram com ele. No presépio foi colocado o feno, trouxeram o boi e o asno e com alegria começaram as celebrações da vigília. Tendo acorrido muita gente de todas as partes, a noite foi passada em meio a uma insólita alegria, toda iluminada por velas e fachos, e as solenida­des da nova Belém foram celebradas com um novo rito. Os ir­mãos cantavam os devidos louvores do Senhor, e todos os que es­tavam presentes aplaudiam com cantos de alegria. O bem-aventurado Francisco estava diante do presépio; repito, es­tava ali entre suspiros de imensa alegria; estava ali inundado de indizível suavidade.
Finalmente, sobre o mesmo presépio, celebrou-se o rito da Missa, e o próprio santo, como levita, vestindo os solenes para­mentos, cantou com voz sonora o Evangelho e depois pregou do­cemente ao povo sobre o pobre Rei nascido em Belém. Sentia tanta doçura e piedade pelo nascimento do referido Rei que, quando devia nomear Jesus Cristo, por sua excessiva ternura de amor, como que balbuciando, o chamava de ‘menino de Belém’”. (Juliano de Espira. Vida de S. Francisco, n. 53-4).
Arquidiocese segue novas determinações do Estado no combate à pandemia - De acordo com as determinações do último Decreto do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, publicado em 14 de dezembro de 2020, seguindo o Modelo de Distanciamento Controlado, a Arquidiocese de Porto Alegre comunica as alterações no âmbito das paróquias de seu território: em caso de Bandeira Amarela a ocupação das igrejas nas missas deve ser de até 50% da capacidade templo, com uso obrigatório de máscaras, uso de álcool em gel para higienização e informativo visível e distanciamento de 1 metro entre os presentes; em caso de Bandeira Laranja a ocupação das igrejas nas missas deve ser de até 30% da capacidade templo, com uso obrigatório de máscaras, uso de álcool em gel para higienização e informativo visível; em caso de Bandeira Vermelha a ocupação das igrejas nas missas deve ser de até 20% da capacidade templo, com uso obrigatório de máscaras, uso de álcool em gel para higienização e informativo visível; em caso de Bandeira Preta não deve haver realização de missas de forma presencial, com transmissão das celebrações somente pela internet.
Casal do RS integra ação da Comissão Vida e Família como cooperadores do Serviço à Vida - A Pastoral Familiar no Brasil ganhou uma nova identidade de trabalho com a inclusão do serviço à vida como ação transversal em todos os seus setores. Tal iniciativa, proposta pela Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da CNBB, pretende reforçar a promoção, a defesa e o cuidado da vida com a ajuda dos casais cooperadores do serviço à vida. Os casais recebem esse nome a partir do segundo capítulo da exortação apostólica Familiaris Consortio. No trecho, o Papa João Paulo II tratou da transmissão da vida, com o título “Cooperadores do amor de Deus criador”. Assim, de acordo com a comissão, a identidade que melhor expressa a missão deste casal é a expressão “casal cooperador do serviço à vida”. A ideia é que o casal cooperador atue como uma ponte entre as propostas da Pastoral Familiar Nacional com os Regionais e Dioceses. Também os casais deverão promover a animação de celebrações temáticas, articular debates sobre promoção, defesa e cuidado com a vida com as demais pastorais e com as comissões de bioética, universidades ou outros grupos que atuam nos dilemas sobre as questões da dignidade da vida, além de unir as forças vivas das demais Pastorais (Criança, Pessoa Idosa, da Aids, da Saúde) para atividades que possam ser em comum ao cuidado com a vida. Por meio da Comissão Nacional da Pastoral Familiar, a Comissão para a Vida e Família articulou casais para desempenharem este serviço nos 18 regionais da CNBB. No Rio Grande do Sul, o casal Vinícius e Lisilene Vendrusculo representa o Regional Sul 3 da CNBB. Após um período como coordenadores do Setor Família da diocese de Montenegro (RS), foram convidados pelo assessor eclesiástico da Pastoral Familiar no regional, padre Edson Pereira, e pelo bispo referencial, dom Aparecido Donizete, que é auxiliar na arquidiocese de Porto Alegre, para participar da Comissão Regional da Pastoral Familiar na condição de casal vice coordenador. “Com isso, foi-nos proposto à época que ajudássemos a organizar o trabalho de Promoção e Defesa da Vida. A partir daí, começamos a participar de formações e nos inteirarmos sobre o que já havia nesse sentido. Auxiliamos na promoção da Semana da Vida e começamos um contato com as dioceses do regional para verificar o que havia de trabalho nesse sentido”, conta Vinícius. Com a nova identidade de casais cooperadores no serviço a vida, Vinícius e Lisilene farão um levantamento de o que há se serviço à vida em cada diocese gaúcha e buscarão formar uma equipe com ao menos um casal cooperador de cada diocese do regional para articular o serviço à vida, em consonância com a Pastoral Familiar Nacional.
Mensagem do Papa para o Dia Mundial da Paz - Todos remando juntos no mesmo barco, cujo leme é a dignidade da pessoa e a meta, uma globalização mais humana. Em síntese, esta é a ideia que o Papa Francisco expressa na mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2021, celebrado em 1° de janeiro. O texto foi publicado nesta quinta-feira (17) pela Sala de Imprensa da Santa Sé, cujo título é “A cultura do cuidado como percurso de paz”. A mensagem não deixa de analisar a marca deste 2020: a pandemia. O pensamento do Pontífice foi às pessoas que perderam um familiar ou uma pessoa querida ou a quem ficou sem emprego. E um agradecimento especial a quem trabalha em hospitais e centros de saúde, com um renovado apelo às autoridades para que as vacinas sejam acessíveis a todos. No longo texto, o Papa faz uma “gênese” da cultura do cuidado desde os primórdios da criação, como narram vários episódios bíblicos. No Antigo Testamento, talvez o mais emblemático seja a relação entre Caim e Abel, e a famosa resposta depois do assassinato: Sou eu, porventura, o guardião do meu irmão? “Com certeza”, responde o Papa sem pestanejar. Já no Novo Testamento, Jesus encarna o ápice da revelação do amor do Pai pela humanidade. Para Francisco, todos os valores cristãos constituem uma bússola para dar um rumo comum ao processo de globalização, "um rumo verdadeiramente humano". “Através desta bússola, encorajo todos a tornarem-se profetas e testemunhas da cultura do cuidado, a fim de preencher tantas desigualdades sociais.”. “As causas de conflitos são muitas, mas o resultado é sempre o mesmo: destruição e crise humanitária. Temos de parar e interrogar-nos: O que foi que levou a sentir o conflito como algo normal no mundo? E, sobretudo, como converter o nosso coração e mudar a nossa mentalidade para procurar verdadeiramente a paz na solidariedade e na fraternidade?” Toda a mensagem do Pontífice, enfim, é estruturada para afirmar o princípio de que não há paz sem a cultura do cuidado.
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Dom Jaime Spengler
Dom Jaime Spengler
A Arquidiocese de Porto Alegre renova sua tradicional coluna no Jornal do Comércio, antes intitulada "A Voz do Pastor", e passa a chamá-la "Olhar da Fé", com publicação exclusiva na versão online do veículo. Todas as quintas-feiras, Dom Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre, ou um dos bispos auxiliares trarão a visão do sagrado sobre temas importantes para a sociedade.