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Porto Alegre, quarta-feira, 29 de julho de 2020.

Jornal do Comércio

Porto Alegre,
quarta-feira, 29 de julho de 2020.

Alterada em 29/07 às 19h01min

Quanto vale a vida?

Por Dom Adilson Pedro Busin, cs, bispo auxiliar da Arquidiocese de Porto Alegre.
Por Dom Adilson Pedro Busin, cs, bispo auxiliar da Arquidiocese de Porto Alegre.
O mundo anda atônito com a pandemia da COVID-19. Quanto sofrimento humano! Há quem diga: “Já não aguentamos mais ficar em casa!” Sofre-se perdas de familiares, sofre-se com angústia, medo, depressão, conflitos de relacionamento, e, infelizmente, também o suicídio. No silêncio, uma voz grita: “Senhor ouvi-nos. Livrai-nos deste mal”.
Todo clamor de dor é justo e justificável. Há, porém, quem tem um peso ainda maior sobre suas costas: as pessoas vítimas do tráfico humano. Muitas delas longe da pátria e, pior, sem ter casa, nem lar, nem consolo familiar. “Estacionados” nas fronteiras, nas orlas dos mares, nas rotas das florestas, ou mesmo escondidas em lugares “invisíveis” de nossas cidades. As estatísticas da ONU revelam que 70% das vítimas são mulheres. Pessoas transformadas em objeto de comércio abominável e criminoso. É uma realidade infiltrada em muitas rotas migratórias, mas não somente. Este crime com seus tentáculos, abastece a “indústria” do tráfico de órgãos. Pervade os meandros do mundo da prostituição infantil e da exploração sexual. Mistura-se às formas modernas de trabalho escravo. Tráfico de pessoas não é apenas uma página triste de nossa história; ainda existe tráfico de pessoas no Brasil. Infelizmente, muda seu modo de atuar no decorrer histórico da humanidade. Scalabrini – pai e apóstolo dos migrantes - referindo aos traficantes de migrantes, dizia no final do século XIX: “Estes são chacais de carne humana”. Pessoas e redes de ação que não têm escrúpulo em se valer da fraqueza, da miséria ou perseguição, para explorá-las e vendê-las, jogando-as numa situação de vida que para muitos é sem volta.
Neste dia 30 de julho celebra-se o Dia Internacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas. Por isso, a escolha deste tema. O olhar da fé nos faz ver além de nossas paredes. A humanidade cresce quando, juntos, busca-se a superação de seus problemas. O cristão é convidado a tomar posição na vivência do Reino de Deus. Denunciar, enfrentar e combater o tráfico de pessoas é compromisso profético e evangélico. Olhos vigilantes, coração de compaixão e atitudes de compromisso, como Jesus, o Bom Samaritano. O tráfico de pessoas pode estar mais perto de nós do se pode imaginar. Informação, atenção e denúncia podem ajudar muito. O Brasil tem políticas e órgãos que enfrentam este crime. Há muitas entidades civis que estão nesta tarefa. Na ONU, e mesmo no Vaticano, há secções destinadas a trabalhar na prevenção e no enfrentamento a este crime que afeta todos os continentes. Pessoas, grupos e entidades se organizam em esfera global, como que uma “rede do bem” para enfrentar este mal. As consequências da pandemia podem agravar ainda mais a situação pelo empobrecimento geral. A CNBB, há quatro anos, criou uma comissão especial para este serviço. A conferência dos religiosos/as e várias congregações se somam a este trabalho. É uma missão árdua. Sem aplausos, no silêncio, como se deve ser, no “meio da massa”, fermentando o bem. Proteger e cuidar da vida de tantas pessoas enganadas e roubadas na sua dignidade. O rosto de Jesus é desfigurado nestes irmãos. “Eu vim para que todos tenham vida e tenham em abundância” (Jo 10, 10). E quanto vale a vida? Você pode fazer parte desta causa. Diga não ao tráfico de pessoas. Se precisar, denuncie. Disque 100.
 
Mensageiro da Caridade na Ilha do Pavão - A população das Ilhas do Guaíba foi beneficiada com mais uma ação do Mensageiro da Caridade. Na tarde do dia 24, a entidade realizou a doação de 120 cestas básicas e 120 cobertores para as famílias atingidas pelas enchentes na Ilha do Pavão. Também foi distribuída grande quantidade de roupas e brinquedos para as crianças. O recurso para aquisição de cobertores e 20 cestas básicas foi destinado ao Mensageiro da Caridade pelo Comitê Emergencial de Combate à Fome no RS, integrado pela Cáritas/RS, CONSEA/RS (Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional) e outras organizações da sociedade civil. As demais cestas básicas foram doadas pela Diamanju Agrícola LTDA. A empresa da cidade de Anta Gorda repassou centenas de cestas básicas adquiridas com parte do faturamento de seus negócios e doações dos empregados. Conforme uma das proprietárias da empresa, Amanda Casagrande, os dirigentes lançaram a campanha “Movimento Conexão do Bem” que rendeu mais de R$ 150 mil. Além do repasse de cestas básicas para o Mensageiro da Caridade, foram repassadas máscaras e equipamentos para os profissionais de saúde de hospitais de Passo Fundo, Lajeado e Cascavel. A iniciativa beneficiou outras entidades da sociedade civil no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. O Diretor Executivo do Mensageiro da Caridade, Luís Carlos Campos, afirmou que a população das Ilhas do Guaíba ainda luta para se recuperar das perdas com a enchente. “Por isso, permanecemos vigilantes para as necessidades dessa população”. Ele acrescentou que a entidade continua mobilizando a comunidade para que manifeste sua solidariedade por meio da campanha que a entidade lançou para arrecadar recursos, a fim de auxiliar a população penalizada pelo isolamento social e pelas enchentes das últimas semanas.
 
Ajude com uma cesta básica - O período de isolamento social, necessário em função da pandemia da COVID-19, e as constantes chuvas agravaram ainda mais a situação das famílias em situação de vulnerabilidade social em Porto Alegre e região. Em função disso, a Cáritas/Mensageiro da Caridade organizou ações nas regiões das Ilhas e vilas Maria da Conceição e Cruzeiro, em Porto Alegre, para atender, nas próximas semanas, cerca de 450 famílias que foram cadastradas e passaram por triagem prévia. A campanha “A doação de uma ‘cesta’ é uma forma ‘básica’ de amar” foi lançada no dia 21, com o objetivo de suprir a demanda das famílias atendidas. A meta é arrecadar as 450 básicas por meio de doações em dinheiro, que podem ser feitas por boleto bancário ou cartão de crédito. A tecnologia da arrecadação online é da empresa OKPago, que zerou suas taxas de lucro para esta ação pela primeira vez em quatro anos de operação. Acesse, conheça a Campanha Emergencial e contribua: https://bit.ly/cestabasicamensageiro.
 
Tráfico Humano - Nesta quinta-feira (29), às 19h, a Comissão Episcopal Pastoral Especial para o Enfrentamento ao Tráfico Humano (CEPEETH) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realiza a live: “Quanto vale a vida?”, para falar sobre a realidade do tráfico de pessoas. A transmissão ao vivo terá as participações do bispo da prelazia do Marajó (PA) e presidente da CEPEETH, dom Evaristo Pascoal Spengler, da irmã Eurides Alves de Oliveira, que é membro da Comissão, e de Roberto Marinucci, do Centro Scalabriniano de Estudos Migratórios. O evento online faz parte da campanha “Quanto vale a vida?”, que tem o objetivo de mobilizar e sensibilizar a Igreja do Brasil, assim como toda a sociedade brasileira, para o enfrentamento ao tráfico de pessoas na semana do Dia Mundial de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, 30 de julho. A campanha também pretende chamar a atenção do poder público para a promoção e inclusão social das vítimas e a garantia de seus direitos. Será possível acompanhar pelo Facebook e pelo YouTube da Cáritas Brasileira. Durante a partilha online, haverá a contextualização sobre a realidade do tráfico de pessoas, resgate da missão da Igreja presente nessa temática e as modalidades do tráfico de pessoas. No mesmo dia, a Comissão convida para a realização de um gesto concreto: acender uma vela e, em oração, fazer um minuto de silêncio pelas vítimas do tráfico de pessoas. Pede-se que tire uma foto da luz e publique em suas redes sociais com as hashtags: #TraficoHumanoNão e #Endhumantrafficking #CNBB. Diante da gravidade desse crime, a Comissão pede uma atuação firme das instituições públicas, para que haja um efetivo combate a esse mal e a punição de agentes criminosos.
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