Porto Alegre, quarta-feira, 14 de abril de 2021.
Porto Alegre,
quarta-feira, 14 de abril de 2021.
Corrigir texto

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Mercado Digital

- Publicada em 19h37min, 13/04/2021. Atualizada em 14h33min, 14/04/2021.

As mídias sociais são uma ferramenta para empoderar a irracionalidade humana, alerta Pondé

Painel abordou cancelamento, medo e discursos morais na internet

Painel abordou cancelamento, medo e discursos morais na internet


Marcos Nagelstein/Agência Preview/Divulgação/JC
Vivemos em uma sociedade em que as pessoas estão com medo, com dificuldade de reagir aos desafios e propensas à polarização de ideias e, consequentemente, ao cancelamento de quem pensa diferente. Será que nos tornamos presas fáceis das milícias digitais?
Vivemos em uma sociedade em que as pessoas estão com medo, com dificuldade de reagir aos desafios e propensas à polarização de ideias e, consequentemente, ao cancelamento de quem pensa diferente. Será que nos tornamos presas fáceis das milícias digitais?
Para os especialistas que debateram esse tema ontem, no último dia do Fórum da Liberdade, promovido pelo Instituto de Estudos Empresariais (IEE), a resposta é sim. “As mídias sociais são uma ferramenta importante para empoderar a irracionalidade humana”, alertou o filósofo e escritor, Luiz Felipe Pondé.
Para ele, a sociedade contemporânea está refém destes grupos, o que não quer dizer que não seja possível lutar contra essa dominação. “Quando se fala em milícias digitais, o número de indivíduos envolvidos pode não ser muito grande, mas são pessoas que realmente se importam com aquilo”, observa. A mediação do debate foi do diretor de formação do IEE, Vítor Nunes.
O sociólogo húngaro Frank Furedi, analisa que, muitas vezes, essa polarização e ‘mentalidade de grupo’ vem de cima para baixo. “Há coisas terríveis acontecendo neste ambiente das redes sociais, diálogos corrosivos na linha da censura. As pessoas estão sendo encorajadas a não conversar e a só ouvir quem pensa como elas, o que leva a um alto grau de intolerância. E não estamos falando de multidões iletradas, das massas, mas das elites culturais que estão sendo complacentes contra a liberdade de expressão”, critica.
Para ele, é preciso um esforço de todos para reverter isso, e uma forma é ajudando a influenciar positivamente as novas gerações. “Muitos estão se informando assistindo Netflix e nas mídias sociais, que transmitem, muitas vezes, ideias incorretas. Precisamos ajudá-los a aprender a pensar de forma independente e a se desafiarem. Só assim não estará tudo perdido”, destacou.
Furedi falou sobre o medo que toma conta do mundo, algo que floresceu ainda mais com a pandemia da Covid-19, e dos riscos disso para a sociedade. “Entre os britânicos, o medo está tão grande que já se tornou algo internalizado. As pessoas continuam amedrontadas, mesmo que tenhamos uma das populações mais vacinadas do mundo e que o índice de mortalidade esteja baixo. O resultado disso é que a sociedade fica com cada vez com mais dificuldade de lidar com riscos e incertezas”, alerta o sociólogo.
Para o cientista político americano Jason Brennan, quando as pessoas têm medo, se tornam irracionais e conformistas, dispostas a abandonar tudo se estiverem assustadas. “Se você fica muito tempo sentado, seus ossos vão enfraquecer, e o mesmo acontece com nosso cérebro. Só somos mais fortes ao encarar desafios. Pessoas fracas se tornam fáceis vítimas de aproveitadores”, relata.
O cientista político afirma que o engajamento das pessoas em assuntos políticos nem sempre tem a ver com a política e, sim, em participar de um grupo social. Assim, se alguém criticar aquele grupo, o indivíduo o defende para mostrar que é um membro leal. Outro comportamento típico é o uso de discursos de moralidade, que levam à intolerância.
Para ele, precisamos ter cuidado quando formos cometer uma elevação moral em relação a outras pessoas, especialmente quando estivermos em posições de poder. “Deveríamos estar abertos a críticas e a entender que somos falhos, Mas, temos um conceito muito inflado de nós mesmos.”, destaca Brennan.
O que temos visto nos últimos tempos é que pensamentos divergentes de determinado grupo levam a uma espécie de linchamento digital. Pondé enxerga um componente de negócios nesta cultura do cancelamento.
“Se eu cancelar um influenciador, talvez os patrocinadores se afastem e eu ganhe espaço. Da mesma forma, algumas empresas têm pressionado veículos de comunicação a demitir jornalistas que tenham publicado algum pensamento que, por algum motivo, tenha virado alvo de críticas das pessoas”, exemplifica.
Comentários CORRIGIR TEXTO