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Mercado Digital

24/06/2020 - 00h23min. Alterada em 25/06 às 10h55min

Mercado pode se unir e dar outro destino à Ceitec, sugere Krummenauer

Krummenauer diz que Ceitec não conseguiu se firmar como player de mercado

Krummenauer diz que Ceitec não conseguiu se firmar como player de mercado


FREDY VIEIRA/JC
A direção do governo federal é clara: não quer mais que a Ceitec seja uma estatal. Mas, para o presidente do conselho de administração da empresa, Ronald Krummenauer, isso não significa necessariamente o fim da Ceitec. “A liquidação é uma hipótese, caso nada mais aconteça, mas nada impede que algo possa mudar isso, como a própria transformação em uma Organização Social (OS) ou a venda. Para isso, o mercado precisa demonstrar interesse”, aponta.
A direção do governo federal é clara: não quer mais que a Ceitec seja uma estatal. Mas, para o presidente do conselho de administração da empresa, Ronald Krummenauer, isso não significa necessariamente o fim da Ceitec. “A liquidação é uma hipótese, caso nada mais aconteça, mas nada impede que algo possa mudar isso, como a própria transformação em uma Organização Social (OS) ou a venda. Para isso, o mercado precisa demonstrar interesse”, aponta.
Esse assunto continuará sendo discutido na LIVE desta quinta-feira (25), às 19h, no YouTube e Facebook do Jornal do Comércio. 
Krummenauer afirma que se propõe a intermediar junto ao governo federal propostas de parcerias ou a compra da operação até que seja assinado o decreto pelo presidente Jair Bolsonaro, o que ele acredita que deve levar uns dois meses. Depois disso, toda diretoria atual será destituída.
A Ceitec, afirma Krummenauer, nasceu no modelo errado, já que não deveria ter sido criada como uma estatal federal, mesmo que existam exemplos de países em governos invistam nesse tipo de indústria. “A empresa teve o seu papel no desenvolvimento da indústria de microeletrônica e incentivou a vinda de outros players, como a HT Micron, mas nunca conseguiu se firmar no mercado”, analisa.
Krummenauer relata que desde o início de 2019 acompanhou as discussões do governo federal que sinalizavam que, caso não houvesse mercado para a privatização, o governo partiria para a liquidação da operação.
Diversas conversas aconteceram com as companhias do setor, mas, não evoluíram. Por outro lado, os players deste mercado afirmam que nunca chegaram a receber uma proposta de venda da Ceitec para poderem avaliar. “Muitas empresas foram procuradas pelo governo para dar ideias sobre o futuro da Ceitec, mas seria interessante o governo colocar as condições para a privatização”, comenta Rogério Nunes, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Semicondutores (Abisemi) e CEO da Smart Modular Technologies, player de semicondutores brasileiro.
O executivo acredita que, com um planejamento adequado, executivos de mercado no comando, um plano de produtos e suporte do governo, a Ceitec tem chances de sucesso. “A privatização é importante para a própria Ceitec, mas não gostaríamos de ver o governo liquidando a empresa e, sim, administrando de outra forma”, diz.
Nunes avalia que o setor de semicondutores é muito importante para um país e não pode ser negligenciado pelo mercado e nem pelo governo. Ele observa que mesmo que o investimento de cerca de R$ 900 milhões feitos pelo governo federal na empresa nos últimos dez anos parecerem muito, é pouco perto do que esse mercado exige.
Entre 2014 e 2018, os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) investiram US$ 50 bilhões em semicondutores, cerca de US$ 7 bilhões a US$ 8 bilhões por ano nas empresas já firmadas e com alto nível de rentabilidade neste segmento, para que conseguissem se manter competitivas. Nos Estados Unidos, está tramitando no congresso um projeto de lei que prevê o aporte de US$ 22,5 bilhões para fomentar ainda mais a produção local de semicondutores. “Não podemos ficar de fora deste mercado que é o que mais gera inovação tecnológica e propicia a condição de podermos desenvolver produtos eletrônicos e, assim, reduzir a dependência das importações”, destaca Nunes.
O professor do Instituto de Informática da Ufrgs, Ricardo Reis, concorda. “Todos os países que dominam tecnologia investem pesado na área de semicondutores”, relata. Ele acredita que a Ceitec pode ser bem atrativa, especialmente, para empresas do exterior que tenham uma visão mais estratégica de desenvolvimento nesta área. Mas, diz que o momento não é propicio para a venda.
“Com a pandemia, pouca gente quer investir e as empresas do exterior não estão sentindo segurança na estabilidade do Brasil”, aponta.
Gostou da entrevista? Na quinta-feira (25), às 19h, o Jornal do Comércio realiza a LIVE com a participação do secretário do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) do Ministério da Economia, Wesley Cardia, e o presidente da Sociedade Brasileira de Microeletrônica (SBMICRO), Nilton Morimoto, para debater o futuro da empresa. Saiba mais clicando aqui.
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