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28/05/2020 - 18h29min. Alterada em 29/05 às 10h46min

Empresas miram na inovação para responder à crise

Na área industrial, companhias como a Randon precisaram se adaptar rapidamente ao home-office

Na área industrial, companhias como a Randon precisaram se adaptar rapidamente ao home-office


CLEBER ZEFERINO/DIVULGAÇÃO/JC
A inovação acelerou em todos os segmentos do mercado. Os movimentos na direção do digital, que até então muitas empresas realizavam timidamente, estão ocorrendo de forma extraordinária em função da pandemia da Covid-19. Não necessariamente por uma convicção, mas por uma necessidade.
A inovação acelerou em todos os segmentos do mercado. Os movimentos na direção do digital, que até então muitas empresas realizavam timidamente, estão ocorrendo de forma extraordinária em função da pandemia da Covid-19. Não necessariamente por uma convicção, mas por uma necessidade.
“Esse cenário exigiu mais velocidade de processos que estavam incubados ou sendo conduzidos de forma mais lenta. É uma nova realidade que transcende as empresas, pois sentimos primeiro a necessidade de transformação de nós mesmos, a nossa reinvenção como cidadão, consumidor e funcionário”, analisa o CTO das Empresas Randon, Daniel Ely.
Cada segmento da economia sente os impactos do coronavírus com uma intensidade, e reage, também, como consegue. Mas, mesmo a indústria, que costuma ter uma resistência maior, como destaca o gestor, precisou avançar rapidamente em algumas ações. O exemplo é o home office. “A gente tinha na Randon um projeto de ir migrando algumas áreas, porém, de repente, em três dias tínhamos 15% trabalhando remotamente”, relembra, destacando que são 12 mil colaboradores.
Ele conta que com a chegada da Covid-19, o primeiro momento para a fabricante foi olhar para dentro e reorganizar a casa. Alguns mercados para os quais a Randon fornece produtos foram mais afetados, como os das montadoras de carros, e outros menos, como o agronegócio. “Fizemos ações para manter a liquidez, revisitar o portfólio e, dentro desta perspectiva, acelerar alguns projetos e deixar outros de lado”, revela.
Para Ely, essa agilidade que está sendo exigida é uma oportunidade para acelerar a inovação e aumentar colaboração. “A liderança está sendo desafiada a refletir e tomar decisões rápidas em todos os âmbitos de forma coordenada”, destaca o gestor, que é um dos idealizadores do Hélice, que faz conexão de startups com grandes corporações na Serra Gaúcha. Aliás, essa área continua prioritária para a Randon. “Uma das iniciativas que mantivemos foi o investimento nas startups, justamente para buscar novas soluções para o futuro”, acrescenta.
O CTO da companhia foi um dos participantes de uma LIVE promovida essa semana pelo BRDE Labs, a Ventiur Aceleradora e a Aliança para Inovação para, justamente, debater as demandas e oportunidades deste cenário que estamos vivendo para o agronegócio, a indústria e o varejo.
A diretora de Inovação da Lebes, Priscila Drebes, comentou durante o encontro virtual que no primeiro momento, a decisão foi segurar os investimentos. O que não foi algo fácil. “O varejo foi diretamente impactado. Foram momentos difíceis, especialmente a tomada de decisão de fechar todas as nossas 170 lojas. Teve uma comoção grande dos colaboradores”, relembra.
Mas, passado o susto, veio a fase de conseguir ter um pouco mais de previsibilidade do futuro, algo que não existia em março quando as medidas mais contundentes de isolamento social começaram a ser tomadas. E com isso de planejamento de ações para mitigar as perdas e retomar as vendas.
No caso da rede de lojas, isso envolveu desde o home office até a readequação do modelo de vendas já que, naquele momento, o e-commerce, não era muito representativo para a Lebes. “De um dia para o outro tivemos que fazer essa transformação. Vendemos muito nas lojas físicas e por crediário, o que era feito diretamente no ponto físico, e tivemos que apostar mais no aplicativo e no próprio WhatsApp para poder atender os clientes”, exemplifica.
Já o setor de agronegócios não tem sentido a crise de forma tão contundente, observa Donário Lopes de Almeida, da comissão de Inovação da Farsul. Isso porque, a pandemia chegou no final da colheita da maioria das commodities brasileiras, como soja e arroz, que não é a etapa mais complexa. Além disso, ele destaca que o agronegócio vive um momento extraordinário, com uma grande safra e preços em alta. “Eu sou produtor e colhemos o arroz no auge da Covid-19. Lá na fazenda estava tudo tranquilo. De uma forma geral, o impacto é muito menor que outros setores”, diz.
Algumas cadeias, claro, estão sendo mais afetadas, como a de proteína animal. “Com o risco de contaminação nos frigoríficos, muitos estão sendo fechados, o que pode ser preocupante já que existem muitas cadeias integradas, como a de frango e suínos que não tem como parar”, analisa. A área de hortifrúti também está sendo impactada, já que o contato do produtor com o consumidor ficou mais complicado.
Paradoxalmente, o ano é complicado no Rio Grande do Sul. “A seca afetou muito soja e milho que, junto com a Covid-19, acaba afetando a produção”, acrescenta.

Modelo das startups apoia reinvenção dos negócios

Facebook redes sociais
Redes sociais passaram a ser opção para vendas de produtos
Tim-Bennett by unsplash/Divulgação/JC
O cenário de crise está levando as empresas a se tornarem startups, comenta o executivo da Silver Angels, Luiz Pimentel. “Todos estão tentando encontrar uma forma de fazer as coisas mais rapidamente e de forma eficiente. É na crise que vemos as grandes oportunidades surgirem”, analisa.
Ele, que participou do debate para falar um pouco sobre a disrupção possível a partir da Covid-19, cita o exemplo do Alibaba, maior e-commerce criado na China, e que surgiu durante a pandemia de SARS. “Os empreendedores brasileiros são muito criativos. Torço para que as lições aprendidas durante a pandemia perdurem e tragam sucesso para as empresas”, projeta.
Pimentel analisa algumas mudanças que esse cenário de exigência maior por digitalização está trazendo. Uma delas é a presença de novos públicos no e-commerce. “Há um aumento da penetração das idades mais avançadas, que não tinham ideia da facilidade das compras digitais. Eles não podem se expor ao risco e estão aderindo mais”, observa.
Donário Lopes de Almeida, da comissão de Inovação da Farsul, concorda com essa visão e cita exemplos de como esse cenário traz oportunidades para quem apostar na criatividade. Ele conta que, na pecuária, há muito comércio de gado, que normalmente acontece em eventos presencias, como leilões. Isso foi proibido. “O processo de digitalização que estava acontecendo ganhou velocidade. Eu mesmo comprei terneiras para a minha propriedade em uma LIVE no Facebook, algo que era impensável há seis meses”, relata.
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