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Porto Alegre, sexta-feira, 30 de julho de 2021.
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Notícia da edição impressa de 30/07/2021.
Alterada em 30/07 às 03h00min

Fanatismo ideológico e revoluções

fanatismo ideológico

fanatismo ideológico


/AVIS RARA/DIVULGAÇÃO/JC
Hoje, e talvez mais do que nunca na História, se discute sobre fanatismos ideológicos revolucionários, sobre suas origens e como podemos entendê-los numa atualidade global que mostra complexidades, velocidades e matizes que talvez nunca tenham sido imaginados pelos humanos. Num mundo pós-moderno, em meio a informações contraditórias, mudanças rápidas e em grande quantidade, o cidadão definitivamente fica aturdido tentando entender as pessoas, os líderes e os acontecimentos que explodem nas mídias.
Hoje, e talvez mais do que nunca na História, se discute sobre fanatismos ideológicos revolucionários, sobre suas origens e como podemos entendê-los numa atualidade global que mostra complexidades, velocidades e matizes que talvez nunca tenham sido imaginados pelos humanos. Num mundo pós-moderno, em meio a informações contraditórias, mudanças rápidas e em grande quantidade, o cidadão definitivamente fica aturdido tentando entender as pessoas, os líderes e os acontecimentos que explodem nas mídias.
As origens dos cultos revolucionários: fanatismo ideológico (Avis Rara, R$ 37,90, 176 pág, tradução de Marly Peres), clássico do grande historiador Albert Mathiez (1874-1932) publicado na França em 1904 e agora pela primeira vez no Brasil, é, acima de tudo, um profundo estudo sobre o fanatismo político, que foi a base para sua tese de Mestrado na Universidade de Sorbonne. A obra é uma espécie de lanterna na selva escura, uma ferramenta para, ao menos, tentar entender o que acontece.
O grande historiador, após examinar os cultos das Revoluções Francesa e Bolchevique, consegue lançar luz sobre toda a política contemporânea e, de fato, todos os que acompanham o noticiário político e cultural observam a imensa variabilidade de formas com que o movimento revolucionário se faz presente.
Como está dito na apresentação da obra: "Por maiores que sejam as diferenças de conteúdo discursivo entre o revolucionário que combatia o capitalismo com um fuzil e aquele que combate o machismo com um iPhone, a forma do culto que um e outro praticam é exatamente a mesma."
Mathiez mostra as crenças e práticas comuns dos revolucionários e, segundo ele, elas derivam dos teóricos iluministas do século XVIII, principalmente Jean Jacques Rousseau. Mathiez mostra as diferenças entre utilizar o organismo social como instrumento de felicidade ou tratá-lo com veneração e adoração.
Enfim, uma obra para buscar entender temas como neoliberalismo, reforma agrária, distribuição de renda, divisões identitárias, corrupção, intolerância e outras questões candentes de nossos tempos.

A confiança em si

Nesses tempos de pandemia não está nada fácil manter e/ou recuperar a autoconfiança, ter sucesso na vida pessoal, familiar e profissional e seguir adiante, procurando boa saúde física e mental.
A confiança em si - uma filosofia (Estação Liberdade, 160 pág, R$ 49,00, tradução de Luciano Vieira Machado) de Charles Pépin, consagrado filósofo, escritor e professor francês, em capítulos breves e com linguagem acessível, é desses livros que realmente nos ajudam a superar o medo e a timidez e a encarar os desafios diários desses tempos em que muitos quando acordam já estão pensando no momento em que vão dormir outra vez.
Charles Pépin já teve seus livros editados em mais de trinta países e é autor do best-seller As virtudes do fracasso (2018) e de O encontro: uma filosofia e A alegria, que estão no prelo da Editora Estação Liberdade. Pépin nasceu em 1973, é professor no Liceu DEtat de La Légion dHonneur, em Saint-Denis e na Sciences-Po, em Paris. Colaborou muito tempo na TV Culture e, por dez anos, organizou o Filosofia às segundas, conferências semanais no cinema MK2 Odéon de Paris. Há dois eles ele mantém o podcast Charles Pépin: uma filosofia prática no Spotify.
Em síntese, o livro de Pépin, com base em textos de filósofos e sábios, em trabalhos de psicanalistas e psicólogos, mas também na experiência de grandes esportistas, artistas e anônimos, lança luz sobre o mistério da autoconfiança e nos mostra como podemos fazer desabrochar um aptidão tantas vezes escondida, que está aguardando para ser retirada da surdina.
De forma clara e objetiva, os dez capítulos da obra apresentam os dez passos que o autor considera essenciais para o desenvolvimento da confiança em si. O primeiro estimula os leitores a cultivarem os bons vínculos, sair de casa, encontrar pessoas inspiradoras e entender que a confiança está ligada com amor e amizade.
A segunda lição trata de incentivar a prática de exercícios físicos e mentais que auxiliem para a conquista da confiança em si. O terceiro passo convida as pessoas a ouvirem a própria voz e a confiar na intuição. O quarto passo trata de valorizar a beleza e o encantamento. No quinto capítulo a tomada de decisões e a saída da zona de conforto são abordadas.
O sexto passo cuida de pôr a "mão na massa", fazer, usar as mãos, a inteligência e o coração. O sétimo passo é sobre a importância de agir, de convidar o eu para a roda da existência. No oitavo capítulo o autor trata de confiança e exemplaridade, mostrando a relevância do exemplo, da admiração pelo outro. O nono passo trata de como pesa manter-se fiel ao próprio desejo. O décimo e último passo trata de confiar nos mistérios da vida e suportar as perdas e os problemas, para depois encontrar de novo as alegrias.
Ao final da obra, o autor apresenta breves palavras de conclusão, ressaltando que ter confiança em si não é estar seguro de si. É ter coragem para enfrentar o incerto e não fugir dele e encontrar na dúvida força para seguir.
 

Lançamentos

Poesia Projetada (Editora Metamorfose, R$ 30,00, 188 pág) de Ana Mello, poeta, contista, cronista e professora na Metamorfose Cursos, traz poemas do projeto que apresentou versos na janela da autora, projetados nas noites de Porto Alegre, com grande repercussão nas mídias sociais, como: "Perdi no cotidiano/ o passar/ dos anos."
Wilde em Berneval (Editora Coralina, R$ 38,00, 218 pág), romance do professor universitário, músico e escritor Gérson Werlang, é apresentado por Ignácio de Loyola Brandão: "Gérson restaura Oscar Wilde, pioneiro nas lutas de gays, lésbicas e outras minorias, que hoje erguem suas vozes. Livro poético, vigoroso, malicioso, com toda a ironia que fez de Wilde um grande nome da literatura."
Pretos na Tela - Fotos de Dulce Helfer (Walper Ruas Produções, 30 pág), álbum da consagrada fotógrafa, é parte da exposição Pretos na Tela da Casa de Cultura Mario Quintana. Dulce atuou nos filmes de Tabajara Ruas como fotógrafa de cena e a obra traz belas imagens de artistas que lutam, com seu trabalho, contra a discriminação e o racismo.
 

a propósito...

Obras como a de Pépin mostram como a filosofia ganhou nova importância nas últimas décadas, especialmente quando tratada de modo claro e útil. No Brasil a filosofia voltou aos currículos escolares e, em vários países do mundo, os filósofos passaram a ser procurados para refletir sobre questões que a ciência não conseguiu resolver, inclusive no mundo dos negócios. A vida, a morte, o ser humano, as relações entre as pessoas, o amor, a amizade, o trabalho e outros temas essenciais são infinitos e eternos e necessitam nossa capacidade de falar, pensar, filosofar, imaginar, sonhar, refletir e agir para lidar com eles. Pessoas e mundo melhores se constroem com a ajuda da filosofia, que há milênios acompanha a humanidade. 
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