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Livros

- Publicada em 23 de Julho de 2021 às 03:00

Humor, mistério e o lado bom de envelhecer

O clube do crime das quintas-feiras

O clube do crime das quintas-feiras


/INTRINSECA/DIVULGAÇÃO/JC
Jaime Cimenti
O aclamado romance policial O clube do crime das quintas-feiras (Intrínseca, 400 págs., R$ 59,90 e e-book R$ 39,90, tradução de Jaime Biaggio), de Richard Osman, produtor e apresentador de televisão que hoje tem seu próprio game-show na BBC, é o maior fenômeno editorial britânico desde Harry Potter, com 1,5 milhão de exemplares vendidos até o momento.
O aclamado romance policial O clube do crime das quintas-feiras (Intrínseca, 400 págs., R$ 59,90 e e-book R$ 39,90, tradução de Jaime Biaggio), de Richard Osman, produtor e apresentador de televisão que hoje tem seu próprio game-show na BBC, é o maior fenômeno editorial britânico desde Harry Potter, com 1,5 milhão de exemplares vendidos até o momento.
É claro que o sucesso de público e crítica do livro de estreia de Osman não foi obra do acaso, e que não é por acaso que o romance foi premiado com o prêmio de autor do ano no British Book Awards.
Quatorze estúdios disputaram os direitos para o cinema. A empresa de Steven Spielberg ganhou e vai rodar o longa, com direção de Ol Parker (O exótico Hotel Marigold e Mamma mia) e produção de Jennifer Todd (Alice no País das Maravilhas). O autor do romance será o produtor-executivo.
A narrativa está centrada em um grupo de quatro idosos de mais de setenta anos, que se reúne todas as quintas-feiras em um retiro para aposentados no sudoeste da Inglaterra. Na agenda da sala de reunião consta que os encontros são para discutir ópera japonesa, mas não é o que acontece. Eles debatem casos policiais antigos sem solução, buscando justiça para as vítimas do passado.
O estranho grupo de detetives é composto por Joyce, que foi enfermeira por décadas; Ibrahim, que ajudou pacientes psiquiátricos em situações dificílimas; Ron, que era um reconhecido líder sindical; e Elizabeth, que sabe muitíssimo de redes de contato sigilosas e assassinatos.
Tudo corria normal até a morte de um discutível empreiteiro local, que coloca o grupo a apurar um caso atual. Com seus rostos inocentes e suas habilidades investigativas curiosamente eficazes, além de trocas clandestinas de favores com a policia (que parece estar sempre um passo atrás dos velhinhos), o quarteto vai viver aventuras. Mortes do presente se entrelaçam com antigos segredos - e, é claro, saber demais pode ser perigoso.
Bem como falou a revista People: o romance de estreia hilário mostra o lado bom de envelhecer.

Walter Galvani e o Mercado Público

Os mercados públicos, em quase todo o mundo, são os retratos das almas e das culturas materiais e imateriais dos povos. Quase sempre são locais de visita obrigatória para turistas e não-turistas. É bem o caso de nosso Mercado Público Municipal, inaugurado em 1869 sobre o primeiro aterro da cidade e que quase foi demolido no início dos anos 1970 pela administração do prefeito Telmo Thompson Flores.
O grande jornalista e homem de letras Walter Galvani faleceu há poucos dias. Recebi mensagem da querida jornalista Núbia Silveira informando que o escritor Paulo Palombo Pruss está liderando uma campanha para dar o nome de Galvani ao Mercado Público. Iniciativa meritória, merece apoio incondicional. Galvani, através do Correio do Povo e contando com aliados como Mario Quintana, Carlos Reverbel e Jayme Copstein, durante dois anos lutou bravamente pela preservação do prédio do Mercado. Na Feira do Livro de 1972, quando autografava um de seus livros, foi visitado por Thompson Flores e por Alberto André e recebeu a feliz notícia de que o prédio do Mercado não seria demolido.
Galvani personificou nossas melhores qualidades humanas e nosso melhor jornalismo, com seu trabalho competente, suas atitudes éticas e democráticas, com seus sorrisos e com uma bonomia que nos galvanizava, literalmente. Galvani introduziu um programa de estágio para jovens profissionais na redação do Correio. Nomes importantes como Nikão Duarte e Kenny Braga lá deram seus primeiros e inesquecíveis passos.
Galvani atuou com brilho na Academia Rio-Grandense de Letras, na Associação Rio-Grandense de Imprensa, no Conselho Estadual de Cultura e escreveu em vários jornais até poucos dias antes de nos deixar.
Galvani foi Patrono da Feira do Livro de Porto Alegre, escreveu 13 livros importantes, entre os quais Um século de poder: os bastidores da Caldas Júnior e Nau capitânia - Pedro Álvares Cabral, como e com o que começamos, que recebeu o Prêmio Casa de Las Americas, de Cuba, em 2001.
Atualmente, quando muito se discute sobre forma, conteúdo e atuação dos vários canais de mídia, mais do que nunca é fundamental lembrar o legado de homens de imprensa como Walter Galvani, Jayme Copstein, Carlos Reverbel, entre tantos outros ilustres periodistas, que procuravam trabalhar com verdade, ética, liberdade, respeito ao cidadão e o desejo de prestar um serviço social relevante. Isso era feito depois de ouvir todas as partes, buscar todas as informações possíveis, apurar os fatos, visitar as pessoas e os locais e entregar ao público o melhor possível, com o esforço diário e a marca de ser jornalista.
Sim, houve um tempo em que o jornalista não era notícia, que a comunicação estava a serviço das boas causas, tempo em que a comunidade e os periódicos tinham uma relação próxima. Claro que houve exceções, que nem todos os jornalistas e veículos eram santos, mas essa pauta não interessa aqui, onde se enaltecem os valores de pessoas como Galvani.
 

A propósito...

Portanto, diante de tudo, acho que deve ser apoiada, com todo o vigor, a ideia de se dar ao Mercado Público de Porto Alegre o nome de Walter Galvani. O Mercado já sobreviveu a dois incêndios e enchentes, tem santo muito forte e contou com Galvani e outros líderes e com o clamor popular para seguir, lépido e faceiro, oferecendo cultura, arte, movimentos sociais, histórias, contatos, espiritualidade, materialidade e tudo mais para nós e para os visitantes. Não será jamais um engano em bronze colocar o nome de Walter Galvani no Mercado Público. Tudo a ver. Obrigado, mais uma vez, Mario Quintana, sempre presente, assim como o Mercado, o Galvani e nosso fascínio por essa cidade que já foi uma açorianazinha tímida e que hoje é uma cidadã do mundo. (Jaime Cimenti)
 

Lançamentos

Travessias de Amanaã (Libretos, 136 págs., R$ 40,00) tem textos, poemas e reflexões de seis mulheres negras: Ana Dos Santos, Delma Gonçalves, Lilian Rocha, Carmen Lima, Fátima Farias e Taiasmin Ohnmarcht. As travessias de cada uma no mundo em diáspora mostram uma energia que passa de raiz a semente.
A cidadania da mulher brasileira: uma genealogia (Oikos Editora, 294 págs., R$ 50,00), de Ana Maria Colling, mestra em História do Brasil pela Ufrgs, doutora em História do Brasil pela Pucrs e professora da UFGD, é uma alentada e fundamentada obra sobre o acesso feminino à cidadania no Brasil, desde os primórdios até hoje.
Língua e Realidade (É Realizações, 392 págs., R$ 79,00), do grande pensador Vilém Flusser, especialista em tecnologia e comunicação, trata, com profundidade e amplitude, da língua, nossa maior herança e riqueza, nossa obra de arte mais antiga e mais recente. Flusser vai além de Heidegger e Wittgenstein sobre o tema.
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