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Porto Alegre, sexta-feira, 07 de maio de 2021.
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Notícia da edição impressa de 07/05/2021.
Alterada em 07/05 às 03h00min

Quem é o dono de Kafka?

O último processo de Kafka: A disputa por um legado literário (Arquipélago Editorial)

O último processo de Kafka: A disputa por um legado literário (Arquipélago Editorial)


/ARQUIPÉLAGO EDITORIAL/DIVULGAÇÃO/JC
Como sabemos, pouco antes de morrer precocemente, o genial e sempre depressivo escritor Kafka, autor de O Processo, A metamorfose e outros clássicos da literatura mundial, pediu ao amigo, o escritor famoso e sempre animado Max Brod, que queimasse a maioria de seus manuscritos, muitos deles inéditos. Felizmente Max não atendeu ao pedido e, quando morreu, décadas depois, foi tranquilo com a realização da tarefa de ter consolidado Kafka como o maior nome da literatura no século XX.
Como sabemos, pouco antes de morrer precocemente, o genial e sempre depressivo escritor Kafka, autor de O Processo, A metamorfose e outros clássicos da literatura mundial, pediu ao amigo, o escritor famoso e sempre animado Max Brod, que queimasse a maioria de seus manuscritos, muitos deles inéditos. Felizmente Max não atendeu ao pedido e, quando morreu, décadas depois, foi tranquilo com a realização da tarefa de ter consolidado Kafka como o maior nome da literatura no século XX.
O último processo de Kafka: A disputa por um legado literário (Arquipélago Editorial, 272 páginas, R$ 64,90, tradução de Rodrigo Breunig), do escritor, jornalista e tradutor americano-israelense Benjamin Balint, nascido em 1976, recebeu em 2020 o Prêmio Sami Rohr de Literatura Judaica.
A narrativa de Balint mostra que a história dos papéis de Kafka não terminou com Max Brod. Grande parte dos documentos, até 2016, juntaram pó durante 50 anos num pequeno apartamento de Tel Aviv, desorganizados e cercados por inúmeros gatos, sem que se soubesse ao certo que tesouros havia neles.
Balint fez um mergulho fascinante na origem, na importância inestimável e no destino de grande parte desses documentos, utilizando para isso talentos de pesquisador, ensaísta, biógrafo e repórter. Seu olhar examina a trajetória da longa amizade de Kafka com Max (que o chamava de "milagre terrreno") e a longa batalha judicial de uma velhinha solitária contra interesses nacionais.
Fica a pergunta: quem é legítimo herdeiro do espólio do judeu de língua alemã que queria incinerar O processo? Israel, onde ele jamais pisou? A Alemanha, que matou suas três irmãs no Holocausto? Ninguém? A humanidade?
Enquanto vai buscando respostas, o autor investiga, com rigor e profundidade, os universos das artes, do mercado editorial, as pesquisas acadêmicas, os museus, as bibliotecas, os tribunais, o judaísmo, o nazismo, o exílio, a linguagem e o materialismo. O autor mostra, acima de tudo, a grandiosidade de Kafka e seu impacto no mundo.

Druk - assista com moderação?

Beber fermentados é mais velho que andar a pé. Nos primórdios do Egito, na China de 7000 a.C. e na Índia entre os anos 2000 e 3000 a.C. a galera já tomava umas para soltar a língua, o corpo e o espírito. Dionísio, Deus grego dos ciclos vitais, das festas e do vinho, já animava a festa e fazia contraponto com o equilibrado Apolo. Nestes dez mil anos de pileques, muita bebida rolou e Humphrey Bogart, machão sem revólver e 1,73 de altura, dizia que a humanidade estava sempre a duas ou três doses de uísque atrasada.
Druk - Mais uma rodada, ótimo exemplo do brilhante cinema dinamarquês, recebeu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e o diretor Thomas Vinterberg foi indicado a Melhor Direção. A Dinamarca é por vezes citada como o país das pessoas mais felizes do mundo. Seus habitantes gostam de sanduíche-aberto - prato nacional, tomar cerveja, andar de bicicleta e ficar conversando na frente da lareira. O filme questiona essa tal felicidade e, acima de tudo, nos remete a grandes discussões sobre tédio, normalidade, finitude e limites na vida. Normal.
Freud, depois de passar anos ouvindo as senhoras e senhoritas, perguntou: o que querem as mulheres? Druk deixa no ar a pergunta: o querem os homens? Quatro professores de meia-idade, um deles mais deprimido do que os outros, decidem aumentar a percentagem de álcool no sangue para encarar os problemas de depressão, conjugais e familiares de quem já tem mais de 40.
Óbvio que não vou dar spoiler e deixo para os leitores o prazer de assistir ao belo filme e pensar sobre bebidas, hábitos, família, limites e tudo mais. Tenho amigos da liga anti-alcoólica, outros que bebem "socialmente" e alguns que passam ou passaram dos limites, como um que foi para o andar de cima aos 51 anos. Esses dias me disseram que certas garrafas de vinho sabem mais que bibliotecas inteiras. Uns dizem "beba com moderação", outros acham que é preciso "sair da caixinha", mandar os limites para longe e buscar novas percepções e raciocínios.
Além da grande direção de Vinterberg, que perdeu a filha quatro dias antes das filmagens em um acidente de trânsito, e da interpretação esplêndida de Mads Mikkelsen, o filme passa muita amorosidade, paixão e inspiração pela vida e mostra, definitivamente, que pessoas curiosas e bem-humoradas tornam o planeta mais respirável.
As pessoas sempre consumiram muita bebida alcoólica em quase todo o mundo e, depois da pandemia (em especial durante os dias de semana), o consumo aumentou expressivamente, em várias partes do planeta. Entre a moderação e o excesso, entre os benefícios e males, entre a liberação e a proibição, as bebidas vão fazendo parte da história da humanidade e filmes como Despedida em Las Vegas e outros tratam da questão. Desde sempre, há milênios, parece que a maioria concorda que excessos de qualquer tipo são prejudiciais para o corpo, a alma e o convívio, e que a verdade está no meio. Será mesmo?
 

a propósito...

Na História, muitos líderes importantes como Winston Churchill, escritores como Hemingway e artistas como Elton John se envolveram com álcool e outras drogas. A OMS fala num padrão de 10g de etanol puro e recomenda a homens e mulheres que não excedam duas doses por dia e se abstenham pelo menos dois dias por semana. A Niaaa (National Institute on Alcool Abuse and Alcoholism) fala em 14g de etanol e sugere duas doses diárias para homens e uma para mulheres. No Brasil, a ONG Cisa (Centro de Informações sobre Saúde e Álcool) adota a dose padrão de 14g. Druk, a meu ver, deve ser visto como arte para ver efeitos bons e ruins do álcool, para pensar sobre atitudes, saúde, liberdade, criatividade, serenidade e o que mais as pessoas quiserem, nessas buscas incessantes e infinitas da vida, plena de fracassos e sucessos. (Jaime Cimenti)
 

lançamentos

  • Crônicas de Terrano Quesmar - Maragato, Diplomata e Aristótélico Nato (Editora Movimento, 410 páginas, R$ 55,00), de Renato L. R. Marques, embaixador aposentado, que foi negociador dos tratados constitutivos do Mercosul e Secretário de Comércio Exterior, traz vivências do autor, com enfoques político, econômico e cultural.
  • Juntos, sempre - Confidências sobre um ano no inferno (Editora Intrínseca, 304 páginas, R$ 59,90), de Carlos e Carole Ghosn, mostra a detenção de Carlos, CEO da Renault e da Nissan, pelas autoridades japonesas em 2018. O relato mostra o período em que o casal ficou separado e a fuga posterior dele para Beirute, onde moram hoje.
  • Cinco Grandes Odes - seguido de Processionário para saudar o Novo Século e A Cantata a Três Vozes (Filocalia, 384 páginas, R$ 89,90) traz poemas do grande Paul Claudel (1868-1955), expoente da literatura francesa do século. Simbolismo, musicalidade, catolicismo, ciência e tecnologia marcam os versos, que trazem referências desde os gregos até Victor Hugo.
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