Corrigir texto

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, quinta-feira, 01 de abril de 2021.
Dia da Mentira.
Porto Alegre,
quinta-feira, 01 de abril de 2021.
Notícia da edição impressa de 01/04/2021.
Alterada em 01/04 às 03h00min

Grandes questões do Brasil por Simon Schwartzman

Simon Schwartzman, professor e pesquisador da USP e de outras instituições importantes, doutor em ciências políticas pela Universidade da Califórnia (Berkeley) e autor da coletânea 130 anos: em busca da República (Prêmio Jabuti de 2020 na categoria Ciências Sociais, publicado pela Editora Intrínseca) é um dos mais renomados intelectuais brasileiros.
Simon Schwartzman, professor e pesquisador da USP e de outras instituições importantes, doutor em ciências políticas pela Universidade da Califórnia (Berkeley) e autor da coletânea 130 anos: em busca da República (Prêmio Jabuti de 2020 na categoria Ciências Sociais, publicado pela Editora Intrínseca) é um dos mais renomados intelectuais brasileiros.
Simon foi presidente do IBGE de 1994 a 1998, pesquisador e presidente do Instituto de Trabalho e Sociedade, no Rio de Janeiro, colabora como articulista e analista em jornais como O Estado de São Paulo, Folha de São Paulo e O Globo e é membro da Academia Brasileira de Ciências.
Simon publicou há poucos dias Falso mineiro - Memórias da Política, Ciência, Educação e Sociedade (História Real, 400 páginas, R$ 69,90, e-book R$ 34,90), obra que bem revela que sua carreira se confunde com a história das ciências sociais no Brasil e que mostra sua trajetória intelectual, com abordagens profundas, científicas e claras sobre grandes temas brasileiros.
Nesse momento de gravidade federal que vivemos, a obra vem em muito boa hora e mostra que nossas instituições ainda estão disformes e precárias, mas que devemos trabalhar pelo Brasil e confiar nas verdadeiras práticas democráticas. Narrando suas memórias, o grande professor fala de política, ciência, educação e sociedade e percorre minuciosamente a história de nossas políticas públicas das últimas décadas, convidando os leitores a pensar, refletir e agir. "Nos resta a esperança de que o trauma da pandemia de Covid-19 possa criar condições para que o País se reorganize em bases mais sólidas, com políticas sociais mais consistentes e mecanismos institucionais que tornem o governo mais estável e livre de extremismos."
Ao longo de sua vida acadêmica, Simon estudou profundamente temas como modernidade, autoritarismo, violência, desenvolvimento científico, educação e cultura. Em Falso mineiro, ele retoma a reflexão sobre essas questões essenciais. A partir do passado, pergunta e responde o mestre: por que o Brasil não conseguiu consolidar uma sociedade mais democrática, justa e economicamente produtiva?

Pandemia, Páscoa, renascer

Na cultura judaica a Páscoa (Pesach-Passagem) é comemorada em oito dias de festa e simboliza um dos momentos mais importantes da libertação do povo judeu, por volta de 1250 a.C. Houve um grande êxodo do cativeiro dos judeus no Egito. As celebrações e os símbolos da Páscoa Judaica remetem à redenção do povo, esperanças e surgimento de uma nova vida. O matzá (pão sem fermento) representa justamente a fé dos hebreus. Na fuga não houve tempo para fermentar o pão.
Para os católicos a Páscoa relembra a crucificação e morte de Jesus Cristo (que morreu na cruz para salvar as pessoas e libertá-las do pecado) e celebram sua ressurreição. Ovos, coelhos, círio pascal, cordeiro, pão e vinho (corpo e sangue de Jesus) e outros símbolos remetem a pensamentos sobre vida, morte, esperança, dias futuros mais doces e tranquilos, renascimento, salvação e eternidade.
Essa é a segunda Páscoa em tempos de pandemia. Se Deus quiser será a última, que as pessoas e tudo mais estão no limite e merecem melhores dias. Nesses dias cheios de medo, insegurança, dificuldades e carências de quase todos os tipos, por vezes temos a impressão de sobreviver dia por dia e dar um suspiro de alívio na hora de dormir na própria cama e não na cama geralmente gélida de um hospital.
Há quem acorde pela manhã já pensando em quantas horas faltam para adormecer novamente e, quem sabe, sonhar com viagens, liberdades, beijos, abraços e outras coisas que foram suprimidas pelo isolamento social. Estudar as outras pestes antigas, a gripe espanhola do início do século XX e outras calamidades sanitárias não deixa de ser interessante, até para se dar conta de que nessa vida tudo é mesmo passageiro, com exceção do Silvio Santos, da Rainha Elizabeth, do Sarney, da Coca-Cola, do Inter, da Mangueira e outras entidades, algumas que até se intitulam imortais e que dão umas morridas por aí.
Mesmo com esse desemprego terrível, essa quebradeira descomunal e com todos os problemas políticos, econômicos, éticos, filosóficos, espirituais, psicológicos e tantos outros, é preciso manter a fé e não deixar o samba morrer. Não está fácil e Nossa Senhora Aparecida deve estar bem estressada com a situação de Aparecida, dos brasileiros e deve estar rezando por nós, 24 horas por dia.
Não quero barras, ovos e coelhos de chocolate na Páscoa. Quero que nossas autoridades dos três poderes e alguns aí do quarto poder (imprensa) se comportem, se entendam e pensem que estamos todos nessa canoa viral e que precisamos sair depressa. Quero cientistas sérios e verdadeiros como um gigante Sabin (que não ganhou dinheiro com a vacina da pólio e nem um merecido Nobel). Quero cientistas que botem até fé na ciência e quero pessoas que coloquem ciência na fé.
Quero uma vacina básica, fazer exercícios de respiração e ver no oxímetro que está tudo 97, 98 ou 100% e receber notícias de nascimentos de netos, formaturas, viagens, festa de 15, de 20, de 30 anos, de 100 e outras coisas boas. O massacre de parentes e amigos que se vão quase todo dia está demais. Ninguém merece.
 

a propósito...

Esses dias um psiquiatra disse que na pandemia é melhor, se possível, conversar com os familiares e amigos do que simplesmente trocar mensagens eletrônicas. É verdade, e de preferência, se der, conversar para cima, assuntos mais leves, positivos, tentar não falar só de mortes, vírus e desgraças. Falando nisso, melhor não assistir demais esse noticiário carro fúnebre, tantas vezes praticado com intenções deletérias, parcialidade, fake news e outras mazelas próprias da mídia. Parece que os tabloides ingleses se espraiaram pelo mundo. Se possível, ajude os outros, especialmente os que precisam mais. Se cada um se cuidar e não der trabalho para o coletivo, melhor. Aglomerações clandestinas ou públicas deveriam ser feitas bem longe, lá na Lua, por exemplo, que aí facilita para os que estão com pressa de ir para o andar de cima. Boa Páscoa, boa vida nova para todos. (Jaime Cimenti)
 

lançamentos

  • O Gênero do Cuidado - Desigualdades, Significações e Identidades (Ateliê, 296 páginas, R$62,00), de Nadya Guimarães e Helena Hirata, sociólogas da USP, com colaborações de outros especialistas, trata da teia que envolve cuidado, trabalho, relações públicas e privadas, mercado, família e outros temas para pensar nesses tempos sombrios.
  • O Protocolo Russo - Como derrubei o império secreto de Putin (Faro, R$ 44,90, 224 páginas), de Grigory Rodchenhov, originou Icaro, Oscar da Netflix. Revelou o maior escândalo do esporte mundial: protocolo de administração de esteroides orientado por Putin se transformou em humilhação mundial, com exclusão da Rússia das olimpíadas de Tóquio.
  • Niksen: Abraçando a arte holandesa de não fazer nada (Editora Rocco, 192 páginas, R$ 49,90), da famosa escritora e jornalista holandesa Olga Mecking, ensina como não fazer nada em casa, no trabalho e nos espaços públicos, com base em sociologia, biologia, psicologia e história e para ser menos estressado, ansioso e desanimado.
Comentários CORRIGIR TEXTO