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Porto Alegre, sexta-feira, 09 de outubro de 2020.
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Jornal do Comércio

Porto Alegre,
sexta-feira, 09 de outubro de 2020.
Notícia da edição impressa de 09/10/2020.
Alterada em 09/10 às 03h00min

Beltas & Brovanos, o bem e o mal

A rigor toda literatura produzida desde sempre pode ser considerada fantástica. Mas a verdadeira literatura fantástica tem suas características próprias, como o fato de estar centrada em elementos não existentes ou não reconhecidos na realidade registrada pela ciência ou pela história. Escritores como J.R.R. Tolkien (O Senhor dos Anéis) e C.S.Lewis (As crônicas de Nárnia) são ótimos exemplos. No Brasil dos últimos anos, a literatura fantástica atingiu importância com autores como André Vianco, Marcos DeBrito, Thomas Portella e Raphael Fernandes, entre outros, em obras literárias e outras mídias.
A rigor toda literatura produzida desde sempre pode ser considerada fantástica. Mas a verdadeira literatura fantástica tem suas características próprias, como o fato de estar centrada em elementos não existentes ou não reconhecidos na realidade registrada pela ciência ou pela história. Escritores como J.R.R. Tolkien (O Senhor dos Anéis) e C.S.Lewis (As crônicas de Nárnia) são ótimos exemplos. No Brasil dos últimos anos, a literatura fantástica atingiu importância com autores como André Vianco, Marcos DeBrito, Thomas Portella e Raphael Fernandes, entre outros, em obras literárias e outras mídias.
Beltas & Brovanos (Araucária, 332 páginas), que tem por subtítulo Uma história de Aruã, é o romance de estreia em literatura de M.V. Caselgrandi, jovem de 21 anos, estudante de Direito em Uruguaiana, nascida no Rio Grande do Sul. A alentada narrativa inicia em 1228 na fictícia Domânia, com a chegada ao poder dos brovanos e vai até o ano de 1281, com o lendário Roma de Protegal chegando à Ravadônia.
A densa e bem construída narrativa revela a paixão da autora, desde a infância, pelos livros e o sonho de ser escritora, que ora se realiza. É uma estreia literatura madura, que deve ser saudada e aponta para um futuro promissor. Nos ágeis e sintéticos 24 capítulos, se desenrola o longo conflito entre os beltas, do bem, com os brovanos, do mal, nas ilhas que compõe a região de Aruã.
Os beltas e brovanos, que tinham habilidades fora do comum, envelhecimento e vida e morte diferente dos homens, passaram a conviver com os humanos. Beltas e brovanos poderiam conviver com os humanos, mas não podiam dividir o mesmo espaço, pois eram inimigos por natureza. Os brovanos tomaram o poder e quase dizimaram os beltas. Os sobreviventes que não foram escravizados se esconderam num esconderijo paradisíaco no extremo sul da Quinta Ilha. Lá se reergueram, mas sem esperanças de liberdade, até um humano vindo do norte chegar...
Glossário, linha do tempo e foto da autora com seu pai estão nas últimas páginas da obra, que se insere com força no âmbito de nossa literatura fantástica.

São Francisco, o homem do milênio

Hora de trabalhar, de escrever, encarar a tela em branco, espantar o branco e outras cores ou até a ausência de cores, o preto, a ausência de luz. Estava pensando em escrever sobre os melhores lugares do mundo para trabalhar, o STF, o Senado do Brasil ou o Vaticano, por exemplo. Ou até em alguma diretoria cultural do Banco do Brasil, sei lá.
Aí refleti que deveria falar de coisas importantes, dos problemas da economia brasileira, dos acertos e desacertos do governo ou a reunião dos poderes no fim de semana, para um churrasquinho, uma gelada e um jogo de futebol. Me ocorreu trocar uma ideia sobre as trumpeadas e as estonteantes ideias do Donald Trump, que, mesmo encostado na previdência segue tra(u)mpeando.
Depois decidir abordar as grandes questões ambientais, a vacina contra o vírus e até pensei que seria bom uma vacina contra mentiras científicas ou não. Aí concluí que meus queridos leitores já leram e pensaram sobre os assuntos todos, devem estar de saco cheio e que seria melhor assunto mais agradável e saudável.
Melhor falar de São Francisco de Assis, que, em meio aos milhares de santos da Igreja Católica, se destaca por seguir sendo uma luz, um monte de faróis espalhados pelo planeta. Ele faleceu em 3 de outubro de 1226, aos 44 anos e, em 1999, depois de uma pesquisa com seus leitores, a revista TIME atribuiu a ele o título de Homem do Segundo Milênio. Por seu poder transformador, suas ideias sobre natureza e animais, sua profunda influência na religião e na cultura em nível mundial, São Francisco de Assis, "hippie" do século XIII, realmente é maior que gigantes do pensamento, das artes e da ciência como Leonardo da Vinci, Marx, Freud, Einstein, Shakespeare e Machado de Assis, para citar apenas alguns.
No belíssimo filme Irmão Sol, Irmã Lua, de 1972, de Franco Zefirelli, em cena imortal, Francisco tem um encontro com o Papa da época. Depois de reconhecer que Francisco era o verdadeiro cristão e lhe beijar os pés, o Papa explica que a instituição e a vida eram o que eram. O pobrezinho de Assis, humilde, minoritário na Igreja, mas atento às desigualdades, à natureza, aos animais e ao que de melhor as pessoas têm, somente em 2013 teve seu nome escolhido por um Papa, justamente um papa vindo do "fim do mundo", como disse o Papa Francisco, no dia em que foi escolhido.
As profecias apocalípticas de Nostradamus e São Malaquias apontam o Papa Francisco como o último papa antes do "final dos tempos". Os supersticiosos lembram que na última hora do primeiro dia da votação do conclave que escolheu Francisco, a luz da cúpula da Basílica de São Pedro foi cortada repentinamente e um raio atingiu a mesma cúpula apenas um dia depois de Bento XVI ter renunciado.
Profecias muitas vezes são furadas como escumadeiras e tomara que o Papa Francisco não seja o primeiro e último Francisco e que muitos outros o sucedam. Quem sabe um dia Francisco e suas ideias sejam majoritários na Igreja Católica e em outras entidades públicas e privadas.
 

a propósito...

Se o exemplo de vida real e espiritual, os ideais e tudo mais de São Francisco fossem mais seguidos, certamente teríamos um mundo melhor, um planeta com natureza menos devastada, sem desigualdades tão gritantes e sem tantos conflitos de diversos tipos que as mídias expõe, de modo por vezes exagerado e com interesses escusos. Ao lado de Santa Teresa de Calcutá, Gandhi, Santa Dulce dos Pobres (Irmã Dulce), Mandela e outros gigantes, São Francisco é esperança eterna de vida, pessoas e mundo melhores. A simplicidade, a humildade, a bondade, a paz, o convívio harmonioso, os humanos, os animais e a natureza agradecem. "Uma luz que iluminou o mundo", escreveu Dante Alighieri sobre São Francisco. Melhor nem tentar apagá-la. (Jaime Cimenti)
 

lançamentos

  • Vida - Viagem sem roteiro (Editora AGE, 285 páginas, R$ 35,40), do empresário, engenheiro e escritor Felipe Daielllo, autor da trilogia Roda da fortuna, entre outros, traz dezenas de crônicas sobre vida, viagens, pessoas, natureza, cidades e outros tópicos relevantes, com linguagem clara, ágil e conteúdos informativos.
  • A caminho da guerra: Os Estados Unidos e a China conseguirão escapar da Armadilha de Tucídides? (Intrínseca, R$ 27,90, 495 páginas), de Graham Allison, diretor do Belfer Center, de Harvard e ex-conselheiro do Departamento de Defesa de Reagan, Clinton e Obama, discute a possibilidade de conflito entre as duas megapotências.
  • O enigma das ondas (Iluminuras, 152 páginas, R$ 53,00), de Rodrigo Garcia Lopes, inquieto e instigante poeta e tradutor, traz poemas fortes e maduros, com profundidade e registros múltiplos, a realidade contemporânea e a existência. Os 91 poemas são líricos, críticos, políticos, satíricos e reflexivos.
 
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