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Notícia da edição impressa de 28/08/2020.
Alterada em 27/08 às 21h37min

O governador do fim do mundo

Entre dados históricos e as névoas da ficção, o autor pinta, com grande habilidade narrativa

Entre dados históricos e as névoas da ficção, o autor pinta, com grande habilidade narrativa


PORTAL EDIÇÕES/DIVULGAÇÃO/JC
O governador do fim do mundo, que tem por subtítulo: O Rio Grande de São Pedro nos tempos do Marquês do Pombal (Portal Edições, 440 páginas, R$ 59,90) é o romance mais recente e a 15ª obra de ficção do premiado escritor e jornalista porto-alegrense Sinval Medina, nascido em 1943 e radicado em São Paulo desde 1971. O volume encerra o ciclo iniciado com O cavaleiro da terra de ninguém, no qual traça o perfil de dois dos personagens mais importantes da história do Rio Grande do Sul no século XVIII.
O governador do fim do mundo, que tem por subtítulo: O Rio Grande de São Pedro nos tempos do Marquês do Pombal (Portal Edições, 440 páginas, R$ 59,90) é o romance mais recente e a 15ª obra de ficção do premiado escritor e jornalista porto-alegrense Sinval Medina, nascido em 1943 e radicado em São Paulo desde 1971. O volume encerra o ciclo iniciado com O cavaleiro da terra de ninguém, no qual traça o perfil de dois dos personagens mais importantes da história do Rio Grande do Sul no século XVIII.
Com o lançamento de O governador do fim do mundo, Sinval comemora 40 anos de literatura na sua nova casa, a Portal Edições. Sinval Medina estreou na literatura de ficção em 1980, com Liberdade Condicional. Em 1999, conquistou com Tratado da Altura das Estrelas o Prêmio Zaffari Bourbon, na Jornada de Literatura de Passo Fundo, e, em 2019, lançou pela Portal Edições a coletânea de ensaios Colcha de retalhos, em conjunto com Fios da meada, de Cremilda Medina.
A narrativa inicia em 1765. Um jovem capitão da cavalaria vindo de Lisboa chega no Rio de Janeiro. Após alguns dias de espera e angústia (ele fora transferido do Reino por motivos disciplinares), o Vice-Rei da Coroa no Brasil lhe dá duas notícias. A boa: ele acaba de ser promovido a coronel. A má: foi nomeado comandante de armas da Capitania de São Pedro do Rio Grande do Sul, que o Vice-Rei definiu como "o fim do mundo".
A rica e despovoada terra de ninguém, que ia da vila da Capitania de Santa Catarina às margens do Rio da Prata, foi invadida em grande parte pelos espanhóis e o governo foi transferido às pressas para Viamão. Com o inimigo às portas, a população vive um clima de pavor, subordinada a uma administração completamente desorganizada.
O governador José Custódio de Sá e Faria recebe com simpatia o capitão e aí os dois vão começar o trabalho hercúleo de reconquistar a província que ameaça se desprender do Brasil. Entre dados históricos e as névoas da ficção, o autor pinta, com grande habilidade narrativa, um retrato com muitas cores do protagonista que, se não fosse real, bem poderia ser personagem de folhetim.

O equilíbrio difícil

Vamos combinar: está difícil buscar algum equilíbrio, neste mundo de egos do tamanho e da altura das montanhas do Himalaia, o "teto do mundo". Cada um quer ter razão sempre, falar por último, muitas vezes, aos gritos e aos palavrões. A apelação para nacionalismos, fanatismos, fundamentalismos, ditaduras de esquerda, direita e de centro, populismos e outros ismos estão aí para embolar os meios e as extremidades dos campos. Parecemos envolvidos numa luta global de vale-tudo ou numa sessão mundial de psicoterapia de grupo, sem um coordenador capaz de botar ordem no pedaço.
Num jantar de posse da presidência norte-americana, o eleito disse para o garçom: "Quero mais um pãozinho". O garçom disse: "Me mandaram servir só um pãozinho por pessoa". "Mas eu sou o presidente!", disse o chefão. "E eu sou o garçom responsável por servir os pãezinhos...." A historinha mostra como o "sabe com quem está falando?" dançou e como é difícil conjugar ordem coletiva com arranjos de caráter pessoal. A coisa não está fácil, se é que algum dia foi.
Meu pai sempre me ensinou que a verdade está no meio, que tudo que é exagerado não serve e que devemos buscar o equilíbrio. Seis décadas depois, lembro das palavras e procuro pensar e agir com o tal meio-termo. Não está fácil. Não me considero isentão, esquerdão, direitão ou centrão. Extremismos nunca me interessaram e me socorro muitas vezes das lições do eterno mestre italiano Norberto Bobbio (1909-2004), que era didático, claro, científico, e nos auxilia a entender fascismo, marxismo, direita, democracia, esquerda e muita coisa deste complicado mundo de Deus e do Diabo. Bobbio era um grande vecchio. No final da vida, rodeado pelos netos, disse: "Agora me interessam mais os affetti do que os concetti".
Há os que não gostam de pessoas equilibradas ou "mornas", como eles dizem quando querem ofender os defensores do meio-termo. Tudo bem, cada um tem o direito de pensar e de se expressar livremente, com o mínimo de censura, mas eles devem lembrar que é preciso tudo para compor uma vida social razoável, em meio a tantos países e divisões. A História mostra períodos de abertura, fechamento, paz e guerra, depressão e euforia e os humanos devem tirar lições dessa velha Mestra, a História, para não repetir ou ao menos não tentar repetir erros do passado.
O inegável, porém, é que certos valores milenares permanecem e/ou vão se aperfeiçoando. A democracia, a pluralidade, os direitos e as liberdades individuais, especialmente o direito à vida, o direito ao trabalho e o direito de ir e vir, bem como o direito à liberdade de pensar e de se expressar, devem ser cuidadosamente cultivados, ou então voltaremos para a barbárie, se é que saímos verdadeiramente dela.
Tortura, censura, desrespeito à lei, especialmente à Constituição, têm sido combatidos pela maior parte das pessoas, em muitos países do mundo. São lutas difíceis em meio a línguas, costumes, religiões e territórios diferentes. Democracia, liberdade e civilidade são construções permanentes, patrimônios universais que precisam ser cuidados com dedicação.

A propósito...

No Brasil em que estamos vivendo, penso que mais do que nunca é preciso buscar diálogo, entendimento, soluções melhores para o coletivo e um futuro melhor para filhos, netos e bisnetos. Ficar isento, só criticando ou só elogiando, de modo por vezes fanático, exagerado e irracional, decididamente, não nos ajuda nem ao País. Elogiar o bom, criticar e tentar melhorar o ruim, apelar para a conversa, a democracia, a liberdade, o respeito à pluralidade e ao bom senso é o melhor possível, claro que com o devido respeito às opiniões em contrário... Ao fim e ao cabo, se a gente não se Raoni a gente se Sting... Não podemos nos dispersar, disse o imortal Tancredo Neves, que lá de cima deve estar pensando que a diverticulite o livrou da pura bucha... (Jaime Cimenti)

Lançamentos

  • Conhecimento, ignorância, mistério (Bertrand Brasil, R$ 49,90, 112 páginas), do grande escritor, filósofo e pesquisador Edgar Morin, nascido em Paris em 1921, explora as grandes perguntas e fornece respostas para nos guiar até o século XXI. Morin fala da necessidade de transcender as disciplinas segmentadas que nos limitam e nos convida a ingressar em novos territórios do conhecimento.
  • Cartas para Martin (Intrínseca, 256 páginas, R$ 39,90), romance de estreia de Nic Stone, best-seller do The New York Times, dois anos antes do assassinato de George Floyd, tratou de violência, desigualdade social e racismo e a destacou no cenário literário norte-americano. O protagonista Jus, 17 anos, escreve cartas para Martin Luther King Jr. e busca aplicar os ensinamentos o grande líder.
  • Mundopoética- Geopolíticas do literário (Class, 290 páginas, R$ 20,00), organizado pelos professores-doutores Cinara Ferreira e Andrei Cunha, tem textos deles e de especialistas sobre questões da produção do conhecimento crítico e acadêmico e nas obras literárias em diálogo com outras obras, artes e disciplinas, cumprindo o papel da Literatura Comparada de pensar o literário além das fronteiras nacionais e disciplinares.
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