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Porto Alegre, domingo, 19 de julho de 2020.
Nelson Mandela Day.

Jornal do Comércio

Porto Alegre,
domingo, 19 de julho de 2020.
Notícia da edição impressa de 19/06/2020.
Alterada em 19/06 às 03h00min

O futuro do sistema que domina o mundo

Capitalismo sem Rivais, de Branko Milanovic

Capitalismo sem Rivais, de Branko Milanovic


//REPRODUÇÃO/JC
Capitalismo sem rivais - O futuro do sistema que domina o mundo (Todavia, 376 páginas, R$ 67,92, tradução de Bernardo Ajzenberg), do celebrado economista servo-americano Branko Milanovic, há poucos dias lançado no Brasil, em síntese, é um grande e provocativo ensaio sobre desigualdade na atualidade, escrito por um dos maiores especialistas na matéria. É um relato didático e instigante sobre a consolidação do capitalismo e o futuro do sistema econômico que domina o mundo.
Capitalismo sem rivais - O futuro do sistema que domina o mundo (Todavia, 376 páginas, R$ 67,92, tradução de Bernardo Ajzenberg), do celebrado economista servo-americano Branko Milanovic, há poucos dias lançado no Brasil, em síntese, é um grande e provocativo ensaio sobre desigualdade na atualidade, escrito por um dos maiores especialistas na matéria. É um relato didático e instigante sobre a consolidação do capitalismo e o futuro do sistema econômico que domina o mundo.
Branko Milanovic nasceu em Belgrado, na Sérvia. Foi economista-chefe do departamento de pesquisa do Banco Mundial e, atualmente, é professor do Graduate Center da City University de Nova York. Branko faz parte de uma nova geração de economistas embasados na análise de dados que ajudou a rastrear o que aconteceu com a distribuição de renda nos últimos anos.
Com grande erudição e com base em farta documentação e análise de dados, o economista demonstra que o capitalismo acabou por se tornar o único sistema econômico vigente e mostra com clareza as diferenças entre os dois capitalismos predominantes: o político, exemplificado pela China, e o meritocrático liberal, representado, em especial, pelos Estados Unidos. Ele mostra as formas como se relacionam entre si e a constituição de suas desigualdades internas.
Branko investiga as formas atuais do capitalismo e faz conjecturas sobre o futuro, oferecendo soluções criativas para aperfeiçoar um sistema incontornável, mas ainda atravessado por injustiça e desigualdade.
A crítica recebeu muito bem a obra e referenciou que ela, ao enfocar criativamente temas de pesquisa econômica e sua influência no debate político, nos auxilia muito a entender a nova ordem mundial e o que pode resultar disso .
Diz o autor: "O capitalismo foi muito mais bem-sucedido do que seus rivais ao criar a condição necessária, segundo o filósofo John Rawls, para que a estabilidade de qualquer sistema, a saber: que em suas ações cotidianas os indivíduos expressem - e assim reforcem - os principais valores nos quais se baseia o sistema social".

De bar em bar

Na calçada da rua do edifício onde moro existiam cinco restaurantes e um café. Hoje, restam um restaurante e um café. Tomara que resistam e sigam com as portas abertas. Na Padre Chagas e ruas vizinhas, muita coisa fechou, com a pandemia, a crise, os aluguéis e outras mazelas.

Pelas manhãs, quando eu passava caminhando pela frente dos estabelecimentos da minha rua, observava os veículos trazendo bebidas, flores, utensílios e alimentos, e os funcionários cuidando da limpeza e da arrumação das mesas e cadeiras. Gostava daquele ritual diário, com sol ou com frio, com chuva ou não, era bonito ver o "making of" de mais uma jornada etílica e gastronômica. Aquela atividade toda era pontual e diária como as luzes das manhãs. Aquela atividade era como montar um palco.

Muitas vezes caminhando por ali na hora do almoço, observava as pessoas, a grande maioria ainda sóbria naquele horário, fazendo suas refeições, conversando em português, inglês, espanhol ou outras línguas. Umas tratavam de amenidades, outras de negócios e outras já tratavam de alguma paquera vespertina. As casas, as árvores, as pessoas e tudo mais lembravam cidades como Londres, Paris, Nova York ou Bento Gonçalves. Bonito de ver os casais e as famílias nos fins de semana, em volta das mesas, trocando sorrisos, beijos, abraços, palavras ou silêncios.

É triste ver um bar, um café ou um restaurante fechar. É mais triste do que ver fechar uma loja, um banco, uma academia de ginástica ou um salão de beleza. Tudo abre e fecha nessa vida e nesse mundo, com exceção das espertas, cautelosas, unidas e autuariais seguradoras, que raramente quebram. Ferragens quase nunca fecham - mas aí é outra história.

Depois das duas da tarde, aproximadamente, os estabelecimentos se aprumavam de novo, tiravam uma sesta e esperavam pelo pessoal da noite. Quando ia caminhar de noitinha, passava pelos bares e restaurantes e os frequentadores já estavam na happy hour, iniciando os árduos trabalhos. Hora e meia ou duas horas depois, eu voltava e as pessoas já estavam mais animadas, falando mais alto, rostos mais afogueados, gestos mais largos e italianados e papos loquazes sobre amores, política, futebol, economia e outras relevâncias.

Dá dó ver as portas fechadas, os caminhões levando mesas e cadeiras, ver as panelas, os fornos e os móveis na calçada e aquele clima de fim de festa. Os bares, cafés e restaurantes vivem para sempre na memória das pessoas, que lembram, por exemplo, do imortal galeto do Marreta e das sopas da madrugada da Tia Dulce. Aqui em Porto Alegre, os estabelecimentos mais antigos têm entre 40 ou 70 anos de existência. Tomara que algum, pelo menos, complete 100 anos, tipo o Café Haiti, da Otávio Rocha; o Komka, a churrascaria Santo Antônio; o Copacabana e outros mais.

Em um belíssimo conto de Ernest Hemingway, num pequeno bar, um velho homem, sozinho, reluta em sair de lá, já tarde da noite. O garçom jovem e impaciente reclama, quer mandar o idoso embora e aí o garçom mais velho pede calma a ele e dá a entender que no futuro o jovem vai compreender melhor certas coisas.

Lançamentos

O boxeador e outras crônicas (Edição da Autora, 120 páginas, R$ 35,00), primeiro livro de crônicas de Susana Vernieri, escritora, advogada, jornalista e doutora em Literatura Brasileira pela Ufrgs, trata, com linguagem clara, bem elaborada e ágil, de infância, memória, drama e comédia. A obra traz dois roteiros ainda não filmados, escritos com Mirela Kruel.
As treze - Histórias diversas (Edição do Autor, 96 páginas), de A. T. Sérgio, escritor pernambucano, romancista, organizador e participante de antologias de terror, policial e suspense, traz narrativas de terror, um gênero ainda pouco valorizado no Brasil das últimas décadas. A obra está indicada para o Prêmio Odisseia.
A verdadeira história da Virgem Maria (Editora Planeta, 208 páginas, R$ 39,90), do Pe. João Carlos Almeida, romance histórico na voz da mãe de Jesus, é obra de um dos maiores especialistas em Mariologia do Brasil. Virgem Maria conta a sua própria história, iniciando pelos acontecimentos da Bíblia e seguindo para sua ascensão ao céu.
 

a propósito...

Se Deus quiser - e ele há de querer - e o tempo ajudar, essa pandemia pandemônica vai terminar. Como já aconteceu antes na história, tomara que venha uma nova belle époque e que os bares, cafés, restaurantes e tudo mais abram totalmente suas portas. De bar em bar, assim caminha a humanidade, que precisa tomar umas para segurar esses rojões municipais, estaduais, federais e mundiais que andam nos atirando. Aí minhas caminhadas das manhãs e das noites voltarão a ser o que eram, assim como voltarão a ser o que eram as pessoas que sabem bem demais o que rola numa mesa de bar ou de restaurante. Nos futuros bares e restaurantes, vamos lembrar dos antigos, das conversas, das confrarias, das pessoas maravilhosas, dos papos retos, tortos e das fofocas eternas. Vamos mudar o mundo e resolver tudo. Vamos fazer uma bar....baridade!!! (Jaime Cimenti)

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