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Porto Alegre, terça-feira, 21 de julho de 2020.

Jornal do Comércio

Porto Alegre,
terça-feira, 21 de julho de 2020.
Notícia da edição impressa de 20/03/2020.
Alterada em 22/03 às 10h51min

A mais querida antologia poética do Japão

Dizer que ela é a antologia mais querida não é exagero

Dizer que ela é a antologia mais querida não é exagero


REPRODUÇÃO/DIVULGAÇÃO/JC
Cem poemas de cem poetas (Class, 266 páginas) traz, pela primeira vez em português, a tradução integral da mais querida antologia poética do Japão, compilada pelo poeta e filólogo Fujiwara no Teika (1162-1241), uma das maiores, mais celebradas e influentes figuras da literatura clássica japonesa. Dizer que ela é a antologia mais querida não é exagero.
Cem poemas de cem poetas (Class, 266 páginas) traz, pela primeira vez em português, a tradução integral da mais querida antologia poética do Japão, compilada pelo poeta e filólogo Fujiwara no Teika (1162-1241), uma das maiores, mais celebradas e influentes figuras da literatura clássica japonesa. Dizer que ela é a antologia mais querida não é exagero.
A coletânea traz poemas escritos ao longo de aproximados 600 anos, entre os séculos V e XIII, e esta cuidadosa edição foi elaborada com tradução e notas de Andrei Cunha, doutor em Literatura Comparada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), onde também é professor de Língua, Cultura e Literatura Japonesa. A orelha do livro é de autoria de Paulo WarthGick, doutor em Literatura pela Pennsylvania State University e professor de Literatura do Instituto de Letras e fundador do Núcleo de Estudos Japoneses da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que escreveu: "Cem poemas de cem poetas nos abre horizontes e alarga nossa percepção do universo da cultura japonesa, bem como convida a participar do fazer poético. Essa é uma das características mais marcantes da lírica japonesa - insinua-se o momento e o leitor penetra o universo do poema, trazendo para ele sua experiência emocional, afetiva e sensorial, em seu mais amplo sentido. O leitor torna-se um participante do sentir japonês".
O prefácio e a detalhada e profunda apresentação são do professor Rafael Brunhara, que escreveu: "Ainda hoje, a coletânea é obra essencial no currículo escolar japonês e serve como uma das melhores introduções à poesia japonesa, cobrindo aproximadamente sete séculos e reunindo cem de seus mais icônicos poetas".
A antologia está presente em incontáveis representações nas artes e na cultura pop, através do karuta, um famoso jogo de cartas inspirado pela obra. Traduções têm sido publicadas pelo mundo. A primeira tradução em inglês é de 1866; a francesa, de 1993; e a espanhola, de 2004 , para citar algumas.
Na introdução, os leitores terão noções da poesia japonesa, seus procedimentos e seu profundo relacionamento com a natureza. Como se vê, uma obra instigante, profunda, delicada e altamente representativa de uma cultura milenar.

Coronavírus e outras pandemias

Comparados aos outros animais, os seres humanos não são os que têm mais força, os que enxergam melhor, têm olfato ou audição mais desenvolvidos, correm mais depressa ou apresentam mais agilidade. Mas os seres humanos ganham em racionalidade, e há quem diga que a fala e a linguagem é que permitiram aos humanos sobreviverem e seguirem dominando a cena.
As baratas são ainda mais duras na queda, sobrevivem em ambiente hostil, se alimentam de matéria decomposta e podem viver sem cabeça por algumas semanas. Baratas são mais resistentes que os humanos e que quase todos os animais não insetos. Mas os verdadeiros heróis da resistência são musgos, algas e protozoários.
A história da humanidade está repleta de pragas, pestes, doenças e guerras que dizimaram milhões. A Gripe Espanhola, que, na verdade, tem origem incerta, liquidou entre 17 milhões e 100 milhões de pessoas em todo o planeta, em 1918. A peste negra matou em torno de 50 milhões na Idade Média. A tuberculose, desde o início até o momento, consta que matou 1 bilhão de seres humanos.
Os números do coronavírus são menos assustadores, ao menos por enquanto, mas todos devemos nos cuidar e cuidar dos outros. Esta, aliás, é a parte boa da história. Se cuidar mais e cuidar dos outros. O desenvolvimento das ciências, dos medicamentos e das comunicações, somados às atitudes praticamente generalizadas no mundo em relação ao vírus, igualmente nos dão esperanças de que vamos seguir sobrevivendo, feito as baratas, sem precisar tornar-se personagem de Kafka (na real, o romance fala em inseto, mas todo mundo fala em barata).
As reações quanto ao vírus são tão variadas quanto às individualidades humanas. Um velho e querido amigo, que anda meio deprê, me disse que até seria bom que o corona pegasse ele e o levasse para o andar de cima, livrando-o deste vale de lágrimas. Ainda bem que ele disse isso mais da boca para fora, como quem namora a morte, mas não quer casar com ela. Muitos devem pensar e sentir como ele, num mundo problemático e com uma mídia que, agora, decididamente, dá cada vez mais espaço para a desgraceira.
Aliás, o coronavírus dá uma ótima oportunidade para os jornalistas se focarem em informações corretas, na medida do possível precisas, e cumprirem sua missão social de bem informar, comentar, analisar e interpretar o que anda por aí. Alarmar sem necessidade, fazer shownalismo ou sensacionalismo barato numa hora dessas é de última, e está todo mundo de olho nos profissionais fakes.
Agora, a mídia é serviço. A parte de entretenimento fica para daqui algumas semanas, embora o momento de reclusão seja bom para ver filmes, séries e outros programas, nas várias plataformas de comunicação. Talvez na história do mundo o jornalismo nunca tenha sido tão importante para salvar vidas e informar os humanos que andam em pânico por aí.
Numa hora de poucas notícias boas, a notícia boa é justamente o fato de que, neste momento, a imprensa, os jornalistas e as pessoas em geral crescem. Ao menos a maioria. Os aproveitadores e os desavisados, como sempre, vão para a lata de lixo da história.

Lançamentos

  • Em voz baixa (Iluminuras, 72 páginas), coletânea de poemas e textos da gaúcha Maria Lúcia Verdi, mestre em Literatura Brasileira e articulista do jornal digital www.brasiliarios.com.br, mostra poemas densos e profundos, que dialogam com seus autores preferidos e tratam de vida, tempo, amores, viagens, poesia e leitura.
  • Macha (L&PM Editores, 144 páginas), romance da escritora, roteirista e jornalista gaúcha Claudia Tajes, narra como uma mulher acorda de sonhos intranquilos e nota que tem um volume entre as pernas. O que isso quer dizer? Hoje, ser homem e mulher assume novos significados, e o texto faz rir e refletir sobre a questão.
  • O terapeuta e o lobo - A utilização do conto na clínica e na escola (Artmed, 216 páginas, segunda edição revista e ampliada), do psiquiatra, poeta e escritor Celso Gutfreind, mostra como contar histórias pode promover a saúde mental. A obra é fruto de muitas pesquisas e do trabalho do autor junto a crianças.
     

A propósito...

Numa hora dessas, sempre é bom lembrar a velha história, que poderia ser contada num cemitério hebraico, onde os túmulos são quase todos iguais. Na cidade dos pés juntos, de qualquer religião, aliás, todos os habitantes são iguais. Depois do rápido jogo de xadrez da vida, que é bom que seja democrático, humanitário, solidário e pacífico, o rei, a rainha, os bispos, os cavalos, as torres e os peões vão direto para a mesma caixinha. O resto é silêncio. Tomara que o vírus desapareça bem ligeiro e a gente retome alguns velhos e saudáveis hábitos humanos, tipo assim, se comunicar melhor, se aproximar mais e lembrar mais uma vez que somos anjos de uma asa só, que precisamos dos outros para voar. (Jaime Cimenti)
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