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Porto Alegre, sábado, 25 de julho de 2020.
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Jornal do Comércio

Porto Alegre,
sábado, 25 de julho de 2020.
Notícia da edição impressa de 11/10/2019.
Alterada em 13/10 às 16h03min

Órfã de duas mães vivas

A Devolvida, romance de grande sucesso da italiana Donatella Di Pietrantonio, vendeu 250 mil exemplares

A Devolvida, romance de grande sucesso da italiana Donatella Di Pietrantonio, vendeu 250 mil exemplares


REPRODUÇÃO/JC
A Devolvida (Faro Editorial, 160 páginas), romance de grande sucesso internacional da italiana Donatella Di Pietrantonio, já vendeu 250 mil exemplares na Itália e teve seus direitos autorais negociados para 25 países. Já teve adaptações para o teatro e cinema e agora chega ao leitor brasileiro, traduzido por Mario Bresighello.
A Devolvida (Faro Editorial, 160 páginas), romance de grande sucesso internacional da italiana Donatella Di Pietrantonio, já vendeu 250 mil exemplares na Itália e teve seus direitos autorais negociados para 25 países. Já teve adaptações para o teatro e cinema e agora chega ao leitor brasileiro, traduzido por Mario Bresighello.
Donatella nasceu e vive na região de Abruzzo. Formou-se em Odontologia e só mais tarde descobriu a literatura como vocação. Seus livros já foram traduzidos para diversos idiomas e ela já recebeu muitos prêmios por todo o mundo, especialmente o Campielo e o Nápoli.
A pungente, sensível e emocionante narrativa sobre uma menina de 13 anos, de família abastada, que foi levada para uma casa estranha e com pessoas que dizem ser seus pais e irmãos, lembra narrativas históricas e clássicas como as das italianas Elsa Morante, Laura Grimaldi e Elena Ferrante. Densos e complicados relacionamentos vão se sucedendo na linguagem ágil, precisa e tocante da autora.
"Eu repetia devagar a palavra mãe umas 100 vezes, até perder todo o sentido e se tornar apenas um movimento dos lábios. Eu fiquei órfã de duas mães vivas. Uma me entregou quando eu ainda tinha seu leite na língua; a outra me devolveu quando eu tinha treze anos. Eu era filha de separações, de laços de parentesco falsos ou omitidos, de distâncias. Não sabia mais de quem eu provinha. No fundo, até hoje não sei." Este é um trecho do livro que dá uma pequena ideia da magnitude da narrativa.
A história se passa numa pequena cidade italiana onde todos conhecem a história da menina. Ela era a criança que os pais naturais , pobres e de família numerosa, "deram" a um parente que não podia ter filhos . Quando a menina frequentava o Ensino Médio ela foi devolvida, não por maldade, mas porque a vida pode ser mais complexa do que imaginamos.
"Minha vida anterior me distinguiu, me isolou na nova família. Quando voltei, falava outra língua e não sabia mais a quem pertencia", diz a protagonista, forçada a crescer para reintegrar-se ao seu núcleo original, onde vive uma sensação de subtração, de gente esvaziada de significado. Em meio à dor, ela busca sentido.

A propósito...

É isso aí, é aproveitar o Dia da Criança para se desconectar, um pouco ao menos, das geringonças e aporrinholas eletrônicas e curtir, física e presencialmente, a natureza, os animais e as pessoas. Mensagens sobre infância e fotos de crianças no celular serão muito bem-vindas, mas não fique mais que oito horas do dia da criança conectado... Brinque. Leve a sério a brincadeira e brinque de ser sério. A vida é importante e curta demais para ser levada tão a sério. Como disse o outro, morre mais feliz quem morre com mais brinquedos. Feliz Dia da Criança, queridos leitores. Ah, quando e se eu crescer, quero ser um guri tipo assim o Roberto Brenol e o Fernando Albrecht. Já é! Fui!

Dia da Criança

Sim, ainda existem crianças e, felizmente, ainda existe o dia delas, num planeta e numa época que não são lá muito infantis. Óbvio que os conectadíssimos kids de agora são muito, muito diferentes do que já foram naqueles tempos do lápis e do papel, do quadro-negro, da bola de gude, da autoridade dos pais e professores e daquela romântica infância querida, com as tardes fagueiras, à sombra das bananeiras e debaixo dos laranjais, do querido poeta Casimiro de Abreu.
Um dos maiores tesouros da vida são os sonhos de infância. Lá em Bento Gonçalves, em meio à linda paisagem verdejante, às colinas com curvas cheias de vida e ao perfume dos parreirais, sonhei ser bombeiro, motorista de caminhão, jogador de futebol, engraxate e acho que até em ser doutor eu devo ter sonhado.
Quando eu tinha 10 anos, minha inesquecível e querida professora do quarto ano primário, Adyles Ros de Souza, foi generosa e disse que minhas redações eram muito boas. Sonhei ser escritor. Estou fazendo o possível para não desmentir aquela mestra que foi decisiva naquela manhã ensolarada de abril, numa daquelas 5902 escolinhas de madeira que o Brizola mandou fazer. Tem minutos eternos na vida. Na memória eles acontecem muitas vezes.
Criança, criar, criatividade. Olhar o mundo com olhos de criança, como se fosse a primeira vez que a gente contemplasse o mar. Olhar deslumbrado de turista amador. O genial escritor e jornalista Fernando Sabino, que por conta de sua jovialidade e espírito, uns chamavam de Fernando Bambino, disse que quando ficasse velho queria ser menino. Nada mais sábio e lindo.
Envelhecer, amadurecer, aproveitar os tons dourados do sol do entardecer, tentar equilibrar o ganho de experiências com o desgaste físico e mental normais, tudo bem, mas nunca deixar de cultivar as lembranças, os sentimentos bons e os sonhos e as vivências do tempo de piá. O menino é pai do homem, escreveu o poeta Wordsworth.
Para o que não foi legal na infância, para os traumas, ressentimentos, bullying e outras porcarias, bote neles um esquecimento básico ou, se quiser e achar melhor, crie memórias inventadas, pense no que deveria ter sido ou numa forma diferente de olhar para o espelho retrovisor. Mas não olhe demais para trás.
Não fique aí pensando que o mundo dos adultos e a velhice são só coisas ruins e que você precisa se rebelar pela vida afora, por ter deixado de ser uma criança, por terem tirado das tuas mãos os velhos brinquedos, as ilusões e as purezas da inocência. Nem sempre a gente foi uma criança assim tão inocente... Leve a criança, o jovem, o adulto e o idoso num balaio só, como se eles fossem pêssegos maduros. Leve tudo e vá para um piquenique num domingo de primavera.
Não dê a mínima para os sem-noção que te chamarem de "crianção", "criança grande" ou para os indelicados que dizem que você "não teve infância". Deus os perdoe, eles não sabem o que dizem e talvez os coitados é que não tiveram uma infância digna desse nome. 

Lançamentos

Criminologia e Direito (Editora Revan, 228 páginas, R$ 45,00), do célebre Clovis Bevilaqua, jurista, jornalista, magistrado, professor e crítico, faz parte da Coleção Pensamento Criminológico. É o primeiro livro de criminologia da América Latina e surpreendeu pela amplitude da reflexão jurídica pelo vanguardismo.
Melancolia (Editora Record, 112 páginas), do engenheiro e poeta carioca Carlos Cardoso, apresenta versos como "retiro do bolso minha arma/uma folha de papel/e uma caneta/não há pólvora". Apresentação elogiosa de Heloisa Buarque de Hollanda, que diz: "A poesia de Carlos é vital. Se expõe como recurso de vida, de respiração".
A Capela de Três Vendas de Catuípe e a história da imigração italiana - A saga de um neto de imigrantes (Besourobox, 240 páginas), de J.H. Dacanal, professor, jornalista e escritor, acompanhado de dezenas de fotos, apresenta a história da sociedade colonial-imigrante clássica a partir de vários aspectos, focando a comunidade e a Capela.
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