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Porto Alegre, sexta-feira, 14 de dezembro de 2018.
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Jaime Cimenti

Livros

Edição impressa de 14/12/2018. Alterada em 13/12 às 22h34min

Resgate, realidade e ficção

Resgate em Pamplona (Editora Metamorfose, 256 páginas), nova narrativa do bageense Léo Ustárroz, nascido em 1952, é, em síntese, uma pungente história de reencontro e resgate, que se passa em Pamplona (Espanha), Porto Alegre, Capão da Canoa, Bagé, Santo Antônio da Patrulha e Cidreira. Ustárroz formou-se em Engenharia Química e trabalhou por mais de 20 anos na área. Posteriormente, graduou-se em Ciências Jurídicas e Sociais e sempre se dedicou ao hábito da leitura, inclusive enfrentando leituras difíceis como Ulisses e O som e a fúria.
Ustárroz estreou em narrativa longa com o romance Sala de embarque, publicado em 2016 pela Editora Metamorfose com base em muitas viagens e nas postagens no blog leoustarroz.blogspot.com.br. Ele também é colunista colaborador do portal Artistas Gaúchos e Escrita Criativa.
Resgate em Pamplona começa com um vídeo postado no YouTube e aí iniciam as ideias de resgatar pessoas e afetos do passado, especialmente a militante que esteve tão próxima e desapareceu sem deixar vestígios durante o interminável 1968. Os cenários, que vão do Distrito de Palmas, Bagé, a Pamplona, cidade querida por Ernest Hemingway, passando também pelas cidades mencionadas antes, estão bem descritos, assim como os personagens e as construções narrativas são consistentes.
No prefácio, o consagrado jornalista e escritor Flávio Dutra, autor dos livros Crônica da mesa ao lado e A maldição de Eros e outras histórias e coautor de Dueto - a dois é sempre melhor e da antologia Os dez miolados, escreve: "Ainda que a obra gravite em torno do destino da jovem militante, inesperadamente desaparecida, é sobre o reencontro que Resgate em Pamplona verdadeiramente trata. O reencontro com o passado, da volta às origens, de boas ou más lembranças, mas sempre necessária. O reencontro como prestação de contas existencial, do que fizemos ou fomos omissos, não como um julgamento de nossas atitudes pretéritas, mas como preenchimento dos vazios que ficaram. O reencontro como escolha nossa e por não por força do acaso. É assim, no reencontro com nós mesmos, que a vida, afinal, faz sentido."
Ao terminar a narrativa de linguagem fluída e despojada que nos remete à prosa espontânea de John Fante, entre lembranças e resgates, pensamos como se fundem a realidade e a ficção e como a vida passa.

Lançamentos

A diplomacia de defesa na política internacional (Editora Palmarinca, 290 páginas), do contra-almirante da reserva Antonio Ruy de Almeida Silva, professor-doutor em Relações Internacionais pela PUC-Rio, trata da complexidade da diplomacia de defesa. No prefácio, escreve o professor Paulo Fagundes Visentini: "A obra contribui para um debate que segue dividindo a academia sobre se houve ruptura ou continuidade com o fim da Guerra Fria".
Manual da separação - Guia prático, funcional e acolhedor (Editora Sulina, 126 páginas), de Paula Britto, advogada especialista em Direito de Família e Sucessões e mediadora, trata de como funciona uma separação bem elaborada, especialmente com maior proteção aos filhos e com a ideia de manter o afeto que pode ter se perdido no tempo. A autora fala também de reconstrução de nova família.
Palavras com som (Libretos, 88 páginas), do biólogo português nascido em Lisboa Gonçalo Ferraz, apresenta dezenas de longos, belos e densos poemas e sonetos que tratam de paz, amor e guerra. O autor ganha a vida contando animais e já morou em Nova Iorque, Manaus e Porto Alegre. Alguns versos: "Depois do fim da estrada, atrás dos montes, /Para lá do caldeirão do arco-íris/Há uma terra sem nome, um chão sem fontes/Povoado por lembranças e delírios.
 

Espírito natalino

Então é Natal e, tal como na imortal canção de John Lennon, perguntamos o que fizemos. A história do nascimento de Jesus Cristo e da cristandade segue linda, inspiradora e vai permanecendo há milênios como um dos maiores patrimônios da humanidade, de todos os seres humanos. Poucos escritores teriam escrito uma narrativa tão comovente.

Uma velha história diz que o mais importante foram os mandamentos trazidos pelo patriarca Moisés, que recebeu de Deus as tábuas. Dizem que Deus queria cem mandamentos e nosso bom Moisés conseguiu que fossem só dez. A gente sabe quem sem leis não há seres humanos e sociedade.

Boa parte das pessoas entende que o mais importante é Jesus Cristo e o amor que ele pregou. Uns reclamam que não se pode amar muitas pessoas e muito menos todas, que não se deve oferecer a outra face e que o ser humano é o que é.

Há os que pensam que, ao fim e ao cabo, o dinheiro seria o mais importante e que Marx teria tocado no cerne da questão humana. O tema segue em debate e o mundo segue dando suas voltas.

Algumas décadas depois, Sigmund Freud, com a psicanálise e a descoberta do inconsciente, revelou que talvez o mais importante para os humanos fosse o sexo, fonte de alegria, prazer, preocupações, vida e morte. O sexo desde a tenra infância.

Seguindo a história, dizem que Albert Einstein, o genial criador da teoria da relatividade, teria dito que, em realidade, não há uma coisa mais importante que a outra, e que leis, cabeça, coração, dinheiro e sexo estão pós-modernamente embolados, tudo muito relativo. Os escritores de best-sellers sabem há muito que as pessoas se interessam, principalmente, por amor, sexo e poder, tantas vezes mesclados com crimes, espiritualidade, História e magias.

Num mundo tão complexo, cheio de novidades a cada segundo, em ritmo hipercinético supersônico e lotado de seres múltiplos, dotados de várias personalidades, em cento e tantos países, realmente está tudo misturado. Einstein falou e disse. A letra do lendário tango Cambalache, composta em 1934 por Discépolo, aliás, já tinha cantado a pedra. Vivemos entre a razão e a doideira e a mistura cambalacheante.

Claro, há os que buscam o bom senso, valores clássicos, um equilíbrio possível, um mundo mais harmônico e pacífico. Ainda bem que são muitos. Bons valores e virtudes caem bem e, na história da humanidade, entre as aberturas e as fechaduras das sociedades, a coisa sempre foi assim. Abre, solta, fecha, abre de novo, velhas novidades, utopias e distopias, nada de muito novo sob a luz do sol, a não ser o sol, que é novo toda manhã e não cansa de brilhar, nos aquecer e depois tirar uma soneca, não sem antes dar aquele espetáculo no entardecer diário, com entrada franca. O sol não pode viver perto da lua, decretou o samba perene do Nelson Cavaquinho. Então é Natal, não podemos deixar o samba morrer. Espírito natalino vem bem.

A propósito...

Concordo com um dos meus ídolos, o escritor israelense Amos Oz: na vida podemos amar poucas pessoas, a família, amigos mais próximos. É complicado, talvez impossível, amar e abraçar todo mundo, como Jesus Cristo. Mas é preciso, nesse planeta cheio de indivíduos solitários, egoístas, tecladictos e preocupados em excesso com seus egos, suas tribos, suas identidades e seus gêneros, procurar solidariedade, compaixão, respeito democrático ao outro e ideias diferentes. É pensar em direitos humanos, direitos das pessoas, dos cidadãos e buscar o melhor possível em termos do coletivo. É difícil, a gente sabe, mas no Natal o mínimo a fazer e pensar nisso. E fazer o melhor. (Jaime Cimenti)
 
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