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Porto Alegre, sexta-feira, 09 de novembro de 2018.
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Jaime Cimenti

Livros

Edição impressa de 09/11/2018. Alterada em 08/11 às 22h07min

Roma por Airton Ortiz

Roma, a Cidade eterna, é onde sempre o passado conviveu e convive com o presente. Palco de grandes figuras e acontecimentos históricos, a capital italiana é um grande museu a céu aberto, um cenário de Papas, igrejas, praças e monumentos que encantam as pessoas. Roma, não por acaso, é um dos principais destino turísticos do mundo. Para nós, brasileiros, que recebemos milhões de imigrantes, Roma tem gosto especial. Além das artes e da história, nossos sentidos se encantam com os vinhos e as delícias gastronômicas da cidade, cuja glória vai do seu passado ao seu futuro.
Roma (Benvirá, 168 páginas), de Airton Ortiz, escritor com mais de 20 livros publicados e consagrado jornalista criador do Jornalismo de Aventura, nos apresenta uma cidade vista por seus experientes e curiosos olhos. O autor inicia a viagem pelo monte Palatium, onde Roma começou. Segue pelo Forum Romano, Coliseu, Campidoglio, Via Appia, Caracalla, Basilica di San Pietro, Santa Maria, Piazza Navona e Cidade do Vaticano, entre outros milenares cartões-postais e não apenas nos fala dos pontos turísticos, mas vai nos oferecendo aulas de história.
Airton Ortiz foi finalista do Prêmio Esso de Jornalismo e tem viajado pelo mundo em busca de histórias extraordinárias e personagens interessantes. Escreveu, entre outros livros de sucesso, Pelos caminhos do Tibete, Expresso para a Índia e obras sobre Nova Iorque, Paris, Atenas, Londres e Havana, todos publicados pela Benvirá. Ortiz é um exímio globe trotter.
Roma é dividido em três partes: Roma dos romanos; Roma dos italianos e Roma dos Papas. A primeira foca o aspecto histórico. A segunda mostra a cidade moderna com as maravilhas do Renascimento e a terceira enfatiza a imortal Cidade do Vaticano, onde estão a Capela Sistina, a Pietá e a deslumbrante Basílica de São Pedro. Uma cidade, três mundos vistos por Ortiz, que igualmente leva os leitores a locais pouco conhecidos pelos turistas e mostra as incontáveis faces da cidade que atravessa o tempo e a história com muita majestade.
O livro convida a flanar por Roma, aprender história, ouvir relatos dos simpáticos romanos (que lembram os cariocas) e, de tarde, para iniciar mais uma noitada, misturar Prosecco com licor de pêssego branco, enfeitado com uma cereja em calda. As cores lembrarão as pinturas renascentistas de Giovanni Bellini, que deu nome ao famoso drinque. Salute!

Lançamentos

Ele sabe (Editora Metamorfose, 76 páginas), narrativa infantojuvenil da professora universitária e premiadíssima escritora Jane Tutikian traz, com bom humor, sensibilidade, poesia e realidade, a história dos gêmeos adolescentes José e João, diferentes e iguais. Eles descobrem os encantos e desencantos da vida, em meio a futebol, skate, moto, música, WhatsApp, amor pela mesma menina e buscas por compartilhamento e expressão.
Uma fresta no sótão (Libretos, 248 páginas), romance de estreia da professora e escritora Lisana Bertussi traz, com profundidade, sensibilidade e inusitados improvisos de forma, uma colagem em patchwork com recortes humanos de três figuras femininas. Vó, mãe e neta são reconstruídas como velhos vestidos levados várias vezes à costureira para fazer companhia em novos tempos. Lembranças tipo pedacinhos de papel no caleidoscópio.
O quebra-nozes (Editora Zahar, 346 páginas, tradução de André Telles e Luis S. Krausz) traz a versão clássica e a versão original da imortal história de Natal, de Alexandre Dumas e E.T.A. Hoffmann. Entre o sonho e a realidade, em meio a histórias maravilhosas, estranhas e a reinos, feitiços e delícias está a narrativa que inspirou o lendário balé de Tchaikovsky. O volume tem mais de 230 ilustrações de época e apresentação de Priscila Maria Vaz.
 

A feira de sempre

Poucas coisas duram muito neste mundo descartável, líquido, presentificado, pós-tudo e outros adjetivos novos que aparecerão amanhã ou hoje à noite, para tentar definir os estilhaços que andam voando por aí. Em meio a esta falta de fronteiras de países, pensamentos, de ações e da escassez de bom senso, então tem, ainda bem, a Feira do Livro. Ela é muito mais e vai mais além do mesmo. Ela é cada vez melhor e mais desafiadora de uns e outros que ficam falando em pouca leitura, livrarias e editoras em recuperação judicial e até em morte do livro. Se o livro morreu, o velório está bombando. Só não morrem os apocalípticos, que dizem que o teatro, o cinema, o CD e não sei mais o quê ou quem morreram. Só as profecias furadas não morrem.
Pontual e imbatível como as flores primaveris dos jacarandás e madura como os versos da querrrrrrrida (sotaque meu de Bento Gonçalves) patrona da feira Maria Carpi, que prefiro chamar com carinho de Madrinha, a Feira do Livro está aí. A feira, viva como a luz da manhã. A feira está loira, brasileira, sexygenária e vestida como uma guria. A feira não quer saber de tempos, números e datas, coisas boas para cientistas, médicos, poetas e outros interessados neles.
A feira é multimídia, tem centenas de ótimas atividades e expressões, mas para mim os escritores, os livros, as histórias e os leitores são os protagonistas do filme que sempre termina em final feliz. Sim, os editores, os distribuidores e os livreiros são os tri coadjuvantes ou coprotagonistas, pronto, está certo.
Livro é muito mais que um jardim dentro do bolso, um paraíso portátil ou uma porta que se pode abrir para viver vidas, histórias e cenários infinitos. Livro é muito mais do que estar ao mesmo tempo acompanhado e sozinho. Livro é mar, não tem palavras ou definições capazes de expressar sua dimensão que vai além do tempo, do espaço e da imaginação. Livro é espaço e liberdade ilimitados, livro é plural, democrático, único, diverso e eterno. Livro é unânime como árvore. Ou quase. Quase ninguém é contra árvore ou livro.
A Feira do Livro é isso tudo e mais, em praça pública, que é o espaço e o palco mais livre, criativo e digno para os humanos. A Feira do Livro em 1954 cabia num olhar. Naquele tempo, nós e o mundo, de certa forma, cabíamos num olhar. Hoje muitos olhares, sons, palavras, ruídos, percepções e até alguma harmonia, mediação ou diálogo. Hoje, até algum silêncio saudável e reparador em alguns momentos do dia em que deixamos de lado o vício da tecladição.
Desculpem se não falo aqui, especificamente, de algum livro ou escritor. Essas linhas são para a Feira do Livro de sempre e para todos nós, em geral. Fico esperto e assim não me indisponho com ninguém e ganho a discussão sem começá-la. Poderia criticar algumas coisas da feira, mas não sou muito de criticar amigos. Amigos não têm defeitos, ou quase não. Principalmente amigos antigos, como a feira.
 

A propósito...

Parabéns, mais uma vez, para a Câmara Rio-Grandense do Livro, para o presidente Isatir Bottin e o vice Astomiro Romai, para as meninas Jussara Rodrigues, Sônia Zanchetta e o guri Gerson Souza, principais responsáveis por não deixarem o samba do livro morrer. Longa vida, campai, para eles e demais participantes e colaboradores da feira, para a Câmara, para o livro e para todos nós, que nunca vamos deixar de "pegar nos livros", como nos ensinaram nossos pais e avós. Mas pegar de leve, com carinho e atenção, como se o livro fosse a mão da(o) namorada(o). Melhor não forçar a lombada do livro, não atirar no chão e não fazer "orelhas" nas suas páginas. Livros são sensíveis, sofrem com maus tratos e, dizem, devolvem as energias ruins para a origem. (Jaime Cimenti)
 
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