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Porto Alegre, sexta-feira, 03 de agosto de 2018.

Jornal do Comércio

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Jaime Cimenti

Livros

Edição impressa de 03/08/2018. Alterada em 03/08 às 01h00min

Mandela, os anos de presidência

DIVULGAÇÃO/JC
Nesse mundinho globalizado, pós-moderno, digitalizado, dividido e tumultuado em que sobrevivemos estamos carentes de referências, ideais, partidos, ideologias e pessoas que tenham consistência algo sólida e durabilidade maior do que um sorvete exposto ao sol. Como diz o título do livro clássico, de Marshall Berman, grande crítico da modernidade, Tudo o que é sólido desmancha no ar.
A cor da liberdade - Os anos da presidência (Editora Zahar, 472 páginas, tradução de Denise Bottmann), de Nelson Mandela e Mandla Langa, há poucos dias lançado no Brasil, relata os anos em que Mandela liderou a África do Sul, de 1994 a 1999, depois de ter sido o primeiro presidente democraticamente eleito de seu país. Nelson Mandela ficou na prisão por 27 anos, transformando-se em símbolo da resistência ao apartheid. Libertado em 1990, três anos depois recebeu o Prêmio Nobel da Paz e entrou definitivamente para a história como um dos maiores homens do século.
O livro tem como espinha dorsal as memórias que Mandela - ou Madiba -, começou a escrever quando se preparava para deixar o cargo mas que não conseguiu terminar. Coube ao premiado escritor sul-africano Mandla Langa completar a tarefa, utilizando o rascunho inacabado, as notas detalhadas de Mandela e um rico e inédito material de arquivo. A viúva do ícone, Graça Machel, escreveu o prólogo.
"A verdade é que ainda não somos livres; alcançamos apenas a liberdade de sermos livres, o direito de não sermos oprimidos. Demos não o passo final de nossa jornada, mas o primeiro numa estrada mais longa e ainda mais difícil. Pois ser livre não é apenas se desvencilhar dos grilhões, mas viver de uma maneira que respeite e fortaleça a liberdade dos outros. O verdadeiro teste de nossa dedicação à liberdade está apenas começando", são palavras de Mandela na passagem final da autobiografia Longa caminhada até a liberdade, que estão adequadamente na epígrafe desta obra, que bem mereceu o título de Livro do Ano, atribuído pelo jornal The Guardian.
A obra mostra como Mandela preferiu a esperança ao medo, como deixou seus demônios para trás e, livre, mostrou que alguns seres são insubstituíveis e se tornam líderes que inspiram a África e o mundo.

lançamentos

  • O mistério do carimbo mágico (Metamorfose, 134 páginas), narrativa infantojuvenil da escritora e professora Cláudia Sepé, autora de Histórias de Taiwan, fala de Pedro Henrique, que foi mal nas avaliações escolares e aí foi enviado para o sítio do avô, no interior de Minas Gerais. Na biblioteca da casa, um segredo: um objeto mágico com vontade própria muda sua vida. Mudar está em nossas mãos, é a síntese da história.
  • Remorsos para um cordeiro branco (Penalux, 132 páginas, tradução de José Eduardo Degrazia), da cubana Reina Maria Rodrigues, professora universitária, grande escritora e crítica literária, traz versos iluminados e cubaníssimos como "Só cheguei a ser quem sou/quando soube que algo morria por dentro/onde morava em pequeno espaço do peito/um cordeirinho branco/que me lambia aos gritos ".
  • A reinventora de histórias (Libretos, 16 páginas, R$ 25,00), narrativa infantil da bióloga e escritora Marcia Mocellin, com ilustrações da arquiteta, ilustradora e artista plástica Suzel Neubarth, traz a protagonista Heleninha, que adora ler histórias com sua avó. De tanto ler, Heleninha recria a história do lobo e dos três porquinhos e convida os leitores a também recontarem. Quem conta um conto, aumenta um ponto...

A democracia incansável

Democracia começou lá pela Grécia, no século V antes de Cristo, e nestes 2,5 mil anos foi circulando pelo mundo, com modificações e adaptações variadas. Aqui e ali, em determinados períodos, deu lugar a ditaduras, tiranias, aristocracias e outras situações nas quais as liberdades e os direitos de cidadania ficaram para trás. No século XIX, na América e no Sul da Europa, grandes ondas democráticas ocorreram. Há quem diga que a democracia cansou, que pode terminar ou coisa assim, como o professor de política inglês David Runcin, de Cambridge, em seu último livro How Democracy Ends, que está dando o que falar.
O autor alerta para narcisismos de ditadores de direita, esquerda e centro, que podem melar a democracia. O professor mostra os problemas da democracia representativa e os gritos fascistas que ainda persistem num mundo que evoluiu em liberdades democráticas e que está profundamente influenciado pela comunicação digital e por outras características da globalização. Óbvio que o tema é milenar, polêmico, infinito e que a democracia deve durar ainda uns milênios, em formas e aplicações novas.
Precisamos pensar em ideias e planos democráticos nessas próximas eleições brasileiras. Democracia não é fácil, nunca foi, mas seus ideais históricos de liberdade, igualdade, fraternidade, representatividade devem permanecer, mesmo depois das enormes e rápidas mudanças impostas pelas modificações sociais, políticas, econômicas e históricas. A democracia é o regime menos pior, como já foi dito. É o que temos para hoje. De extremismos de direita, esquerda e até de centro, de exageros, fundamentalismos, individualismos e salvadores da pátria ou de times de futebol de plantão não necessitamos e já vimos algumas vezes o tenebroso filme, que não tem o menor "happy end" e a mínima graça.
Quem sabe os candidatos apresentem planos mais claros, possíveis, ideias para tentar juntar nossos cacos federais e fazer deste País uma nação? Quem sabe a imprensa seja mais plural, isenta e democrática e até auxilie a propor questões e mesmo soluções que interessem mais ao coletivo do que a interesses específicos? Quem sabe as redes sociais sejam utilizadas para destilar menos ódios, rancores e extremismos e para tentar algum diálogo produtivo? Óbvio que isso tudo é difícil, que estamos descrentes, mas que remédio temos senão acreditar que os ares democráticos vão prevalecer em vez destes céus carregados de presságios terríveis?
A história da democracia no planeta mostra que seus ideais ainda são os mais saudáveis e melhores para todos. Observe-se a social-democracia dos países nórdicos, a democracia parlamentar da Austrália, do Japão, da Nova Zelândia e do Canadá, por exemplo, além da democracia em países europeus, e aí vemos onde é que o convívio humano está melhor. Nada é perfeito, claro, mas é preciso avaliar onde estão as melhores experiências e aí pensar em futuros para nosso Brasil.

a propósito...

As eleições, a rigor, ainda não começaram, ao menos de todo. Estamos meio perdidos, mais da metade indecisa ou sem querer votar. Desejo que o maior número vote. Nas últimas duas eleições, mais ou menos um terço dos eleitores não foi votar, anulou ou votou em branco, e deu no que deu. É difícil a escolha, mas tomara que pintem novidades, informações, planos e pessoas minimamente democráticas, honestas e preocupadas com o bem público. Tomara que haja uma baita renovação no Congresso Nacional, que no fundo é o dono da bola e apita o jogo. Tomara que Nossa Senhora Aparecida coloque sob seu manto os que são do bem. Acredite, ainda existem. Tomara que a gente não se canse da democracia e que ela não nos abandone. Nossa democracia ainda precisa amadurecer.
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