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Porto Alegre, quarta-feira, 25 de julho de 2018.
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Jaime Cimenti

Livros

Edição impressa de 06/07/2018. Alterada em 25/07 às 10h09min

Economia para leigos

Quem não nota que o dinheiro e a economia nunca foram tão importantes, no mundo, como agora? Sempre foram, nada de novo - mas, definitivamente, em nossos tempos, o vil metal e os números da economia tomaram conta. Para entender as desigualdades sociais, políticas, culturais e econômicas que ainda reinam no planeta e tentar dar um jeito, só mesmo estudando economia, de preferência com tradução do economês por alguém bem intencionado e competente.
É o caso da obra Economia - O que é, para que serve, como funciona (Zahar, 384 páginas, R$ 69,90 impresso, R$ 44,90 e-book, tradução de George Schlesinger e revisão técnica de Eduardo Sá), best-seller internacional do economista, professor e escritor norte-americano Charles Wheelan. O volume traduz o jargão do economista em uma linguagem acessível para o leigo, com clareza, concisão e informação.
Wheelan é professor de políticas públicas no Darmouth College, em Chicago, foi correspondente da revista The Economist e escreveu para os jornais Chicago Tribune, The New York Times e The Wall Street Journal. Economia, seu primeiro livro publicado, ora lançado no Brasil, foi traduzido para mais de 13 línguas. Wheelan é autor de Estatística, lançado no Brasil pela Zahar.
A obra de Wheelan, a partir de exemplos cotidianos, com linguagem acessível, sem a pesada roupagem do economês, mostra que os conceitos essenciais da economia têm uma lógica simples e intuitiva. Por que há inflação? Qual o papel dos bancos centrais, dos governos e comércio mundial nas economias locais? Por que não foi evitada a crise financeira de 2008? Quais os prós e contras da globalização? Como poderemos usar o mercado de modo mais criativo para resolver problemas sociais? Essas e outras questões essenciais estão no volume, uma obra ótima para estudantes e leitores que desejam entender os desafios de nosso mundo contemporâneo.
Enfim, sem gráficos ou equações e de modo bem-humorado, o autor nos auxilia a entender riqueza, pobreza, política, gênero, meio ambiente e discriminação e como a economia afeta nosso dia a dia. O autor nos mostra a evolução da economia e que uma das áreas mais interessantes e produtivas é a da economia comportamental, que mostra como indivíduos tomam decisões. A parte final do livro, por sua vez, trata de sete questões sobre a vida em 2050.

lançamentos

A filosofia de Merlí (Faro Editorial, 318 páginas, tradução de Mirian Ibañez), do cineasta e roteirista espanhol Héctor Lozano e da jornalista e editora espanhola Rebecca Beltrán, é o livro interativo da famosa série do Netflix e apresenta centenas de questões para fazer o leitor pensar. Com desenhos e diagramação divertidos e modernos, o livro fala de Platão, Maquiavel, Aristóteles, Schopenhauer e Nietzsche, entre outros, ligando divertidamente a filosofia ao cotidiano.
Unidas (L&PM Editores, 288 páginas, tradução de Alexandre Boide), romance da professora e escritora irlandesa Sarah Crossan, foi o vencedor da Carnegie Medal 2016, o maior prêmio britânico de literatura infantojuvenil. As gêmeas siamesas Grace e Tippi não gostam de ser olhadas, mas se acostumaram. Unidas pelo quadril, não gostam de ser vistas como uma aberração e, sim, como duas pessoas, com personalidades e sentimentos diferentes.
A balada do cálamo (Estação Liberdade, 200 páginas), do escritor e cineasta Atiq Rahimi, nascido em Cabul em 1962, fala de exílio, da perda da terra da infância e das dores com linguagem poética e apresentando reflexões que vão direto ao cerne da obra e do ofício de escrever. Nascido na Índia, encarnado no Afeganistão e reencarnado na França, o autor fala de si mesmo com palavras singulares, poderosas e livres. O exílio dói, as palavras tentam amenizá-lo.
 

Copa-surpresa

Até os 90 e vários minutos, depois da prorrogação, dos pênaltis, sempre tem surpresa na Copa do Mundo e na vida. Lá pelos anos 1970 do século passado Dino Sani, ex-jogador e então técnico de futebol, quando tinha uns 40 e poucos e ainda não era um Dino de verdade, no estilo profeta do cotidiano, falou e disse: o futebol é uma caixinha de surpresas, se perde, se ganha e se empata. Tipo assim na vida, ganhos, perdas, empates e empatas. Só no Kinder Ovo a surpresa é sempre boa.

O futebol rivaliza com o amor, o sexo, o dinheiro, o poder, o turismo, as drogas (lícitas e ilícitas), o sorvete, a batata frita, o chocolate, o hambúrguer, a pizza e outras unanimidades mundiais, em termos de preferência, grana e importância. Antes das pílulas azuis, futebol e Copa do Mundo eram mais importantes para os velhinhos do que o sexo, pois tinha toda semana, ano ou a cada quatro anos.

Ainda bem que eu não era nascido em 1950, quando tomamos um Maracanazo e perdemos para o Uruguai. Em 1954, eu tinha uns meses de idade quando o Uruguai, campeão de 1950, foi eliminado em 1954, tipo a Alemanha este ano. No futebol e na vida, nem sempre o "melhor" ou o "maior" ganham e aí está a maior graça. Davi e Golias, o grande e o pequeno, a surpresa. A lógica e o jogo fora da curva. Na vida e na bola, Cristiano Ronaldo, Messi, Zico, Neymar e nós acertamos e erramos pênaltis. Futebol não é a vida, é bem menor, mas é uma grande parte dela. Um mantra para nos auxiliar a seguir.

Especialmente no Brasil, nesta Copa, estamos menos canarinho dependentes e não estamos tão preocupados em sermos os "melhores" os "campões" do mundo, os que "não desistem". O caneco virá ou não. Se Deus brasileiro quiser (e ele há de querer), a taça-hexa virá. Bem poderia ser entregue pelo querido Papa argentino num belíssimo bar-chope alemão na hermosa e amada Montevideo, com chocolate belga de sobremesa, tequila mexicana e champanhe francesa. Depois um digestivo italiano, para metabolizar a ausência da simpática Itália na Copa. Que momento!

Na segunda-feira, dia que o Brasil papou o México, na Rua da Praia com chuva, de verde-e-amarelo estavam vestidos apenas os sobreviventes orelhões. Debaixo dos guarda-chuvas, a galera ia para o trabalho, de preto, marrom e cinza, que a coisa não está fácil por aqui. A galera está tomando um refresco com a Copa, mas no segundo tempo em outubro, vai entrar em campo para fazer nova escalação do time que anda comandando e descomandando por aí. Tomara que os 30% que não querem votar ou pretendem anular o voto mudem de ideia e ajudem a renovar o legislativo, que pisou na bola e ainda levou bola para casa.

Ganhando ou perdendo a Copa, nenhum político ou partido vai tirar, indevidamente, dividendos do futebol. Futebol é jogo, alegria, paixão, disputa, briga, desigualdade econômica, saúde, perda e decepção, mas não substitui a vida real, nem é droga alienante a ser usada com abuso, favorecendo os tiranos de plantão. Médicos recomendam: torça com moderação, se é que isso é possível.

a propósito...

Hora de festa, de futebol 24 horas, de cobertura da imprensa soterrando tudo, mas não custa sonhar. Sonhar com mais futebol-arte e menos correria e atletismo. Sonhar com patrocinadores de produtos saudáveis. Sonhar com menos corrupção nos governos, nas entidades do futebol e sonhar com mais profissionalismo, contribuições fiscais e previdenciárias no mundo da bola. Sonhar que o dinheiro do povo, que sustenta o futebol, retorne um pouco, ao menos, em forma de escolas e hospitais públicos. Tenho que assistir todos os jogos possíveis, então vou parando por aqui, cantando "copa do mundo é nossa/com brasileiro/não há quem possa". E vamos botar a mão da Copa da Urna, votando bem. Urna não é penico. 
 
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