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Porto Alegre, quarta-feira, 25 de julho de 2018.
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Jaime Cimenti

Livros

Edição impressa de 29/06/2018. Alterada em 25/07 às 10h09min

Madonna: aos 60 anos, a maior

Quase todo mundo concorda que Madonna, bem viva aos 60 anos, é o maior ídolo da música pop. "As pessoas dizem que sou controversa. Mas acho que a coisa mais controversa que fiz foi ficar aqui. Michael se foi. Tupac se foi. Prince se foi. Whitney se foi. Amy Winehouse se foi. David Bowie se foi. Mas ainda estou aqui. Aos que duvidam e aos que se opõem, e a todos que me apresentaram ao inferno: sua resistência me tornou mais forte, me impulsionou mais, me transformou na lutadora que sou hoje. Tornou-me a mulher que sou hoje", diz Madonna na nova edição revista e ampliada de sua biografia Madonna 60, da escritora Lucy O'Brien, autora de livros sobre mulheres e música.
Madonna: 60 anos (Editora Agir, 536 páginas, tradução de Inês Cardoso e Carolina Rodrigues) traz os 40 anos de carreira da Rainha do Pop, a mulher mais importante para a indústria da música e do entretenimento, com hits mundiais como Like a virgin, Papa don't preach e Material girl. A obra mostra Madonna influenciando fortemente o mundo da música e atraindo a mídia e o público por seus relacionamentos amorosos, filhos, opiniões políticas, ativismo social, posições feministas e defesa de grupos LGBT.
Nascida no estado de Michigan, em 1958, Madonna teve uma mãe ex-dançarina e amante de música clássica, angelical e bondosa, que na adolescência lia Anne Sexton, Virginia Woolf, Sylvia Plath e Frida Kahlo. Madonna tinha cinco anos quando a mãe faleceu, fato que a marcou.
Em 1977, período de grande produção e experimentação para a dança, Madonna ganhou uma bolsa de estudos para dançar com a Alvin Ailey American Dance Theater, de Nova Iorque. Nos anos seguintes, com garra, foi caminhando no show business.
A partir de 1982, iniciou-se a enorme quantidade de discos gravados pela diva e as dezenas de vídeos, filmes, peças e livros e turnês mundiais. Em certo período, a musa foi criticada, chamada de vadia, e sua arte foi contestada. Com o passar dos anos, a carismática artista foi reconhecida como a mais bem-sucedida de todos os tempos.
Em 2016, Madonna apoiou Hillary para presidente e, em dezembro desse ano, ao receber o Prêmio de Mulher do Ano do Billboard Women in Music, fez um discurso amargo e triste sobre abuso e resistência, antecipando-se à campanha #MeToo. Em 21 de janeiro de 2017, na Marcha das Mulheres em Washington, falou para 500 mil pessoas: "Pensei em mandar a Casa Branca pelos ares".
Madonna é um dos maiores fenômenos de nossa era.

lançamentos

O fogo e o relato - Ensaios sobre criação, escrita, artes e livros (Boitempo, 168 páginas), de Giorgio Agamben, filósofo italiano e um dos principais intelectuais de sua geração, traz reflexões sobre o que está em jogo na literatura, no que consiste o fogo que nossos relatos perderam e que alguns querem recuperar; e pergunta qual é a pedra filosofal dos escritores. A obra, enfim, trata da linguagem e da relação entre vida e obra.
Imersão - um romance terapêutico (Harper Collins, 256 páginas), do psiquiatra, neurocientista e palestrante Diogo Lara, autor do best-seller Temperamento Forte e Bipolaridade, traz a jornada desafiadora de Amanda, 36 anos, médica estabelecida, que quer debelar seu abatimento num seminário intensivo em um castelo na Escócia. Lá conhece Mike, terapeuta que usa técnicas inovadoras para curar problemas psíquicos e se redescobre.
Na direção das montanhas (AGE, 108 páginas), da jornalista e escritora Andréia Borges de Azevedo, natural de São Francisco de Paula e autora do romance Movidos pelos ventos, traz belas fotos e poemas que compõem um painel entre a natureza e as memórias. Cavalos, nevoeiro, montanhas, céu e pinheiros, entre tantos temas, estão na obra da autora que ama os Campos de Cima da Serra.
 

A bola da vida, a vida da bola

É madrugada, o estádio está vazio e silencioso como um cemitério ou uma escola no domingo. Eu, a bola da vez, a da Copa de 2018, chamada de Telstar, acordo ao lado de outras bolas, neste frio armário de aço. Desde 1930, em cada Copa do Mundo, apareci de formas e cores diferentes. Já fui marrom escuro, marrom claro, branca, branca e preta, amarela, tricolor, branca e azul e bonita e colorida na África em 2010, quando me chamaram de Jabulani (celebração), com 11 cores, representando os dialetos e as etnias. Fui meio rebelde naquela Copa e fazia curvas inesperadas. E daí, qual o problema? No Brasil, em 2014, fui a Brazuca, em homenagem ao orgulho de ser brasileiro. Os alemães, educados, já se desculparam pelas sete vezes que me colocaram no filó.

Só lembram de mim na hora do jogo. O juiz filho da mãe me bota no centro, apita e manda me rolarem. No início, vão me dar uns toquinhos carinhosos, depois virão os pontapés fortes, as cabeçadas vigorosas, os empurrões nas cobranças de laterais e os passes e os chutes "colocados", sem muita força, que de tão bem colocados me fazem entrar lá no ângulo superior da goleira, onde dorme a coruja e os goleiros não conseguem chegar.

Aprendi a gostar dos tapas e beijos, vou levando minha vida de bola, sendo a bola da vida, para quem ainda gosta de metáforas clichês, tipo "o futebol é o jogo da vida". Uns acham que o futebol é só um jogo maravilhoso, outros metem sindicato, política e grandes interesses financeiros no meio, com aquela corrupçãozinha humana básica junto. Mas isso deixa para lá. Sou só uma bola que prefere ser redonda. É hora de festa. O livro do americano sobre as negociatas do futebol fica para depois.

Os boleiros têm relações muito ambivalentes comigo, tipo assim amor e ódio. No fundo, me amam. Em certos momentos, me colocam com cuidado na marca do pênalti, perto das bandeirinhas de escanteio ou no lugar onde vou ficar para baterem a falta. Aí levo um chute forte, mas, mesmo assim, dependendo do jeito como for tratada, vou cair no fundo das redes. Ou vou levar um soco do goleiro, um golpe de mãos espalmadas ou um abraço, como se eu fosse um bebê. Se o goleiro me pegar, vai gostar. Se for gol, vai me odiar e dar um pontapé para eu ir ao centro do gramado.

Modestamente, sei que sou o centro das atenções. O estádio todo me acompanha, e as máquinas fotográficas e câmeras de televisão me seguem. Quando o jogo termina, aí é a solidão do vestiário, com as bolas reservas até o próximo treino ou jogo. Treino é treino, jogo é jogo.

Gosto mais do jogo, tem mais gente me dando atenção. Sempre assim, até eu murchar e me aposentarem. Óbvio que gosto quando os jogadores, geralmente em casa ou escondidos, me dão abraços e beijinhos. Me acho importantíssima quando o jogador do time que está perdendo faz um gol e, em vez de comemorar, me pega no fundo das redes e leva até o centro, para tentar outro gol.

a propósito...

Odeio quando chamam de bola a propina em negócios públicos ou privados. "Fulano levou bola" - isso é falta de respeito comigo, uma senhora idosa, mundialmente conhecida. Vão se catar! O que é que estão pensando? Bola cheia, bola redonda ou bola murcha ainda aceito, e óbvio que não gosto quando me passam errado e fico quadrada. Vão treinar! Gosto quando os pés dos atletas me tocam como se fossem mãos, como os pés de craques como Pelé e Puskás, por exemplo. Ter as mãos no lugar dos pés não é para qualquer um. Gosto de ficar parada e também de rolar, tipo assim a vida, que é imobilidade e movimento. Não reclamo de quando me movimentam em linhas retas, mas prefiro as curvas do caminho, que, afinal, retas parecem mais a morte, e curvas parecem mais vida. (Jaime Cimenti)

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