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Porto Alegre, sexta-feira, 11 de dezembro de 2020.
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Jornal do Comércio

Porto Alegre,
sexta-feira, 11 de dezembro de 2020.
Notícia da edição impressa de 11/12/2020.
Alterada em 11/12 às 03h00min

Interrupções

Em março deste ano, quando estava começando a ser exibido, O oficial e o espião (J'Accuse), o grande filme de Roman Polanski, teve sua carreira interrompida pelas medidas então tomadas diante das ameaças da pandemia, então em seus primeiros dias. Seis meses depois, com a adoção de medidas de segurança e com a lotação sendo reduzida a 30 por cento de cada sala, os cinemas voltaram a ser reabertos. Os filmes em cartaz foram liderados pelo frustrante Tenet, que daria a Christopher Nolan a chance de confirmar os acertos e o impacto de seu trabalho anterior, o admirável Dunkirk. E se as expectativas não foram confirmadas, mesmo assim a reabertura foi um alento. E certamente deixou bem claro que a tela ampla é insubstituível. Foi importante, também, o papel em que todo esse tempo as telas domésticas exerceram para combater o isolamento e até mesmo permitir, mesmo que através de meios insatisfatórios, o conhecimento de algumas obras importantes.
Em março deste ano, quando estava começando a ser exibido, O oficial e o espião (J'Accuse), o grande filme de Roman Polanski, teve sua carreira interrompida pelas medidas então tomadas diante das ameaças da pandemia, então em seus primeiros dias. Seis meses depois, com a adoção de medidas de segurança e com a lotação sendo reduzida a 30 por cento de cada sala, os cinemas voltaram a ser reabertos. Os filmes em cartaz foram liderados pelo frustrante Tenet, que daria a Christopher Nolan a chance de confirmar os acertos e o impacto de seu trabalho anterior, o admirável Dunkirk. E se as expectativas não foram confirmadas, mesmo assim a reabertura foi um alento. E certamente deixou bem claro que a tela ampla é insubstituível. Foi importante, também, o papel em que todo esse tempo as telas domésticas exerceram para combater o isolamento e até mesmo permitir, mesmo que através de meios insatisfatórios, o conhecimento de algumas obras importantes.
E agora - estamos escrevendo quando as salas ainda não foram reabertas - outro filme notável, o documentário de Bárbara Paz sobre Hector Babenco, teve poucos dias de exibição. Trata-se de um trabalho de exceção, prejudicado no momento em que começava sua carreira e a se tornar conhecido do público. O filme de Polanski saiu da grade de programação e o de Paz certamente voltará quando as determinações agora em vigor forem revogadas. E não é possível ignorar a razão dos responsáveis pelo setor, que lembram estar o cinema sendo punido no lugar daqueles que têm ignorado indispensáveis medidas de segurança.
É interessante essa iniciativa de, mais uma vez, fazer com que o cinema seja a primeira atividade a ser vítima de medidas semelhantes. E não apenas delas. Uma volta ao passado nos permitirá ver - e ouvir, se isso fosse possível - como o cinema foi atacado e até ridicularizado pelo desconhecimento de alguns, algo que costuma fazer com que se tornem públicas limitações e mediocridades. Quando a televisão começou a transmitir cerimônias de premiação, eram comuns manifestações ironizando o fato e sugerindo que as emissoras se dedicassem mais a outros programas, em vez de perder tempo com nomes desconhecidos.
Para alguns desinformados, desconhecidos eram cineastas, atores, atrizes, roteiristas e técnicos hoje figuras pelas quais as novas gerações de espectadores, principalmente aqueles formados em centros de estudos cinematográficos, e os que, independentemente de sua formação, se interessam pelas expressões artísticas, mostram admiração. Piadas e ironias eram comuns, algumas até dirigidas a funcionários de cinemas que eram obrigados a permanecer no trabalho nas noites de inverno. A televisão foi transformada em anjo exterminador do cinema.
Num cenário em que o cinema era visto como distração e em muitos casos como perigoso elemento subversivo, era até normal que surgissem manifestações, orais e escritas, contra ele. Em outros países isso não acontecia, até porque o poder era exercido por quem tinha conhecimento necessário para evitar manifestações reveladoras de precariedades. E isso era o resultado de formação adequada no passado.
No Reino Unido, por exemplo, houve apoio para que Laurence Olivier iniciasse sua carreira de cineasta, durante a Segunda Guerra Mundial, com Henrique V, a peça de Shakespeare na qual podiam ser encontrados os temas necessários para manter o povo mobilizado. E nos Estados Unidos, nomes como John Ford, Frank Capra, George Stevens, John Huston e William Wyler foram convocados pelas forças armadas, setor no qual certamente muitos sabiam da importância de tais nomes e o papel que poderiam exercer na luta contra o nazi-fascismo.
Aqui, ao contrário, filmes que em outros países eram vistos por pais e filhos em sessões vespertina, eram vetados. Mesmo que certas aberrações tenham sido extintas, ameaças permanecem e certamente, num futuro que deve ser evitado, o cinema seria a primeira vítima. No caso atual certas medidas são indispensáveis. Mas certamente seriam importantes ponderações para evitar danos que poderão ser irreparáveis.
 
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