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Porto Alegre, quinta-feira, 14 de março de 2019.
Dia Nacional da Poesia. Dia do Vendedor de Livros.

Jornal do Comércio

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Dom Jaime Spengler

A voz do Pastor

Edição impressa de 14/03/2019. Alterada em 13/03 às 23h04min

Tempo de graça

Redescobrir e reviver em profundidade o significado do compromisso batismal! Eis a oportunidade que o tempo quaresmal oferece a todos. Os 40 dias que antecedem a celebração da Páscoa representam ocasião propícia para redescobrir o que significa ser cristão e o sempre necessário progresso no conhecimento e no amor de Cristo.
Este tempo representa uma estação ou peregrinação propícia para se treinar com maior tenacidade na busca de Deus, orientados, sobretudo, pelo Evangelho do Crucificado-Ressuscitado. Tal disposição é expressão do desejo humano de aproximar-se de Deus. É nesse contexto que ressoa, de forma contundente, a exortação de Jesus: "Arrependei-vos e crede no Evangelho" (Mc 1,15).
Converter-se não é expressão de um esforço pessoal em vista de possível autorrealização ou sucesso pessoal. Isso porque o ser humano não é senhor do próprio destino. Ele não se faz, mas é expressão de amor que não surge de si mesmo. Poder-se-ia dizer que conversão consiste em não se considerar "criadores" de si mesmos, mas filhos e filhas do Eterno, nossa origem e destino.
Converter-se significa, para o batizado, compreender a versão de Deus para a humanidade de todos os tempos, condensada no Evangelho; significa procurar Deus, estar com Deus, empenhar-se por viver e conviver segundo as indicações oferecidas por Deus ao longo da história da salvação, cujo ápice é o mistério da encarnação. Converter-se consiste em abandonar qualquer forma de segurança humana e lançar-se com confiança e simplicidade no seguimento do Senhor Jesus.
Durante o período da Quaresma, a Igreja nos oferece instrumentos ascéticos e práticos para que cada um possa percorrê-lo frutuosamente. São 40 dias em que cada um pode realizar e aprofundar uma experiência ascética e espiritual. O jejum, a oração e a caridade (esmola) são as práticas consagradas pela tradição para quem se dispõe à referida experiência. Ela encontra seu vigor na determinação pessoal de realizar o caminho proposto.
Merece destaque durante o tempo da Quaresma o exercício da caridade: Deus caritas est. É nesse contexto que a Campanha da Fraternidade - proposta, desde 1963, pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - encontra sua razão. Afinal "a caridade não é uma espécie de atividade de assistência social que se poderia mesmo deixar a outros, mas pertence à sua natureza, é expressão irrenunciável da sua própria essência". (...) A doutrina cristã sobre o Estado e a doutrina social da Igreja sempre consideraram como "norma fundamental do Estado a prossecução da justiça e sua finalidade a justa ordem social, garantindo a cada um, no respeito do princípio da subsidiariedade, a própria parte nos bens comuns" (Bento XVI). Disso decorre a conveniência de promover no seio da sociedade, séria reflexão sobre um aspecto da vida social que necessita de especial atenção - e, talvez, conversão! - a fim de promover a implantação do Reino de Deus anunciado por Jesus.
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