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Porto Alegre, quinta-feira, 08 de novembro de 2018.
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Dom Jaime Spengler

A voz do Pastor

Edição impressa de 08/11/2018. Alterada em 07/11 às 22h44min

Educar-se para a solidariedade

Dom Aparecido Donizeti de Souza, Bispo auxiliar da Arquidiocese de Porto Alegre
Já ouvimos o dito popular que "o pouco, com Deus, é muito; e o muito, sem Deus, é pouco". Essa expressão - que, possivelmente, já saiu de nossos lábios - nos reporta ao Evangelho que será parte da liturgia do próximo fim de semana, no qual traz presente a figura de uma mulher que sabe, em sua pobreza, oferecer "tudo que possuía para viver" (cf. Mc 12,44).
É fato que vivemos num mundo materialista, consumista e individualista. Infelizmente, cresce um indiferentismo diante do sofrimento alheio. A própria vida humana tem pouco ou nenhum valor para muitos. Na verdade, a vida entrou na dinâmica da cultura do descartável. Mas é fato, também, que nos deparamos com muitos gestos generosos de solidariedade para com os mais pobres e sofridos. Seria muito bom que o ser humano espontaneamente desenvolvesse essa sensibilidade para com o outro e soubesse viver a partilha como algo natural. Contudo, não é o que acontece, pois isso supõe famílias que sejam movidas por valores altruístas, nas quais dedicar-se generosamente ao bem do outro predominasse nos relacionamentos cotidianos. A questão é que precisamos combater e superar a globalização da indiferença que toma conta de nossos corações.
A exemplo da viúva, conforme o Evangelho de São Marcos, que se encontrava no templo e soube dar um testemunho de generosidade, provocando elogios da parte de Jesus, podemos também recordar pessoas que, no nosso tempo, também contagiam positivamente com gestos gratuitos e generosos em favor dos mais necessitados. Entre tantas pessoas, lembro com carinho de nossa saudosa dra. Zilda Arns Neumann, médica pediatra e sanitarista brasileira, que faleceu em Porto Príncipe, Haiti, no dia 12 de janeiro de 2010, durante uma palestra sobre seu trabalho na Pastoral da Criança. Seu testemunho de doação e amor para com os mais necessitados deixou uma profunda marca de Deus tanto para a Igreja como para toda a humanidade.
Ainda é significativo lembrar que o exemplo e testemunho será sempre a melhor forma para educar ou educar-se para a solidariedade. Diante disso, outra figura que vem contagiando a muitos é o Papa Francisco, que, com simples gestos e palavras, vai mostrando como viver segundo os ensinamentos de Jesus Cristo. Seus gestos de amor e solidariedade para com os mais pobres e fragilizados calam fortemente em muitos corações. Mas basta, também, olharmos ao nosso redor para vermos que muitos católicos e não católicos, cristãos e não cristãos estão realizando muitos projetos voltados para a defesa e a promoção da vida dos que mais precisam. É louvável ver pessoas preocupadas com os moradores de rua, pessoas dedicadas aos enfermos, aos dependentes químicos, pessoas que assistem e ajudam com amor famílias em situações de vulnerabilidade social e tantos outros grupos que temos e necessitam de atenção especial.
Que possamos, portanto, deixar-nos ser educados por tantos bons exemplos na história em vista da construção de um mundo mais humano, solidário onde todos tenham acesso aos direitos de uma vida digna conforme o projeto de Deus.
 

Correção

O texto da coluna A Voz do Pastor publicado no dia 1 de novembro, "O Dia de Finados faz pensar na vida", é de Dom Leomar Brustolin, e não de Dom Dozineti, como foi publicado.
 
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