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Porto Alegre, quinta-feira, 04 de outubro de 2018.
Dia do Barman e dia Mundial dos Animais.

Jornal do Comércio

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Dom Jaime Spengler

A voz do Pastor

Edição impressa de 04/10/2018. Alterada em 03/10 às 22h22min

A missão do cristão

Dom Adilson Pedro Busin, bispo auxiliar da Arquidiocese de Porto Alegre
"Portanto, ide e fazei com que todos os povos da terra se tornem meus discípulos" (Mt 28,19).
A missão é da essência do ser cristão. Abraçar a fé em Jesus Cristo é conceber a vida como caminho de duplo sentido. Receber para dar. Na encíclica Lumen Fidei encontramos a expressão de que amor gera a fé e a fé sustenta o amor. Do mesmo modo que existe a "luz da fé", somos colocados também diante da "luz do amor" (LF 34). Recebemos o batismo e, ao mesmo tempo, na graça recebida, está o germe e a gene da missão. O dom da fé é por essência dom de partilha. Missão é também graça, dom que se reparte. Na luz da fé, anunciamos a alegria do evangelho.
O mês de outubro recorda-nos a missão. A Igreja é missionária. Cristão é missionário. Quando Jesus diz "ide", já coloca os discípulos seus em movimento. A fé não é para ser guardada. É tesouro para ser partilhado, multiplicado, anunciado. Ser discípulo é ser missionário. Não se pode ficar parado. Jesus envia. Quer os discípulos no caminho. O Papa Francisco tantas vezes nos repete que quer uma "Igreja em saída". Missão é desinstalar-se. É sair e ir ao encontro. Não é uma saída sem rumo e sem conteúdo. O conteúdo é Ele, Jesus, como a expressão do amor do Pai. Sair animados e santificados pelo Espírito Santo. Assim foram os apóstolos. Saíram para além das fronteiras de Jerusalém e da Galileia. É preciso partir e pôr-se no caminho. Sem medo. Com a certeza que Ele estará conosco até o fim dos tempos.
A "Igreja em saída", sonho de Francisco, respalda-se em outra palavra chave, tão cara ao nosso Papa: a cultura do encontro. Sair para encontrar. Ir ao encontro das nações, dos povos novos para tornar conhecido o evangelho. Ter consciência de ser missionário, portador de um dom, e encontrar o outro para levar a boa nova. Não obstante haja a tentação de impor algo ou uma doutrina, a missão é anunciar o evangelho. Fazer discípulos é convidar e colocar as pessoas num caminho. Missão é atitude de abertura. Encontrar e anunciar a boa nova. Isto exige da Igreja e de cada cristão uma atitude contínua de discípulo. Disposto e sempre capaz de aprender com o Mestre.
Sair e ir ao encontro significa, em nossos dias, assumir as mesmas atitudes dos apóstolos ao serem enviados por Jesus. Missão é partir sem medo, livres, despojados dos bens e de si mesmos, certos de que não faltarão dificuldades e perseguições. Mas ancorados na certeza de que o próprio Senhor acompanha a quem Ele envia. Longe, no além-mar ou perto, em nossos bairros ou centros urbanos, há campos de missão. Há periferias físicas e existenciais das pessoas que precisam da boa nova. "A messe é grande" esperando cristãos "em saída" dispostos a anunciar. Crianças, jovens, idosos, homens e mulheres de nosso tempo e de nossas cidades são as multidões de hoje que esperam de nós, cristãos, o testemunho de fé e palavras que apontem esperança e alegria. Atitude de encontro e palavras de proximidade.
Francisco nos diz na Evangeli Gaudium: "Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças". Neste mês missionário, colhemos a oportunidade para renovar o ardor missionário que brota de nosso batismo. O "ide e anunciai" que Jesus dirigiu aos apóstolos, se dirige e se renova a nós, Igreja missionária. Boa missão a todos.
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