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Porto Alegre, quinta-feira, 28 de junho de 2018.
Dia do Ministério Público Estadual.

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Dom Jaime Spengler

A voz do Pastor

Notícia da edição impressa de 28/06/2018. Alterada em 27/06 às 21h57min

A unidade da Igreja

Os cristãos confessam a Igreja una, santa, católica e apostólica. Há, desde as origens, a compreensão de que as Igrejas locais - ou dioceses - são, em sua pluralidade, manifestações e concretizações em lugares distintos da única Igreja de Cristo.
Com a difusão da fé cristã, foram se estabelecendo comunidades em contextos geográficos, culturais e históricos muito distintos. Esses fatores foram forjando a vida das distintas comunidades, sua pregação, as formas de vida comunitária e cultural, sua identidade doutrinal e confessional. 
Ao longo dos séculos, a unidade da Igreja foi se tornando um grande desafio. A comunidade de Roma, ou Igreja de Roma, com seu bispo, foi se consolidando como referência e garantia da unidade. Não faltaram, contudo, cismas, divisões e rupturas motivadas por razões políticas e doutrinais, disciplinares e interesses particulares.
Apesar das divisões acorridas, permanece a convicção de que em Roma se conservam os túmulos dos apóstolos Pedro e Paulo. Pedro fundou a Igreja primitiva sobre a herança de Israel. Paulo, mestre e doutor das nações, anunciou a todos os povos que encontrou o Evangelho da Salvação. Por diferentes meios, os dois congregaram a única família de Cristo.
Os Apóstolos, tendo Pedro como cabeça, são os fundamentos da Igreja de Cristo. Pedro se distingue no seio da comunidade nascente como aquele que tem a primazia. Isso se deve ao fato de ter confessado publicamente que Jesus é o Messias e de condição divina. Tal confissão é o alicerce sobre o qual a Igreja, comunidade de comunidades, está constituída. Por isso, é atribuído a Pedro o poder das chaves (Mt 18,18; 16,19). Sua missão, após os eventos da paixão, morte e ressurreição de Jesus, será "confirmar os irmãos na fé" (Lc 22,32), por meio do exercício do ministério pastoral (Jo 21,15-19).
Desde o período pós-apostólico, constatam-se elementos que ligam o apostolado de Pedro, de forma particular, à comunidade de Roma. Por isso, o relacionamento da comunidade de Roma com as demais comunidades que vão se constituindo no tempo é semelhante ao de Pedro com os demais apóstolos.
Na Igreja de Roma está a cátedra de Pedro. Desse modo, ela se tornou a garantia da tradição apostólica e da unidade disciplinar da Igreja, embora não seja superior às outras comunidades. Na comunhão das comunidades unidas pelo vínculo da fé, a Igreja de Roma possui uma dignidade particular e uma função própria de unidade, da qual não deve esquivar-se, nem deve ser ignorada.
A fé que une todos os batizados ensina que é Deus quem guia e faz crescer a Igreja, isto é, a comunidade de fé. O Evangelho é a força e a vida da Igreja. É ele que a purifica e renova, produzindo frutos onde os fiéis o escutam e acolhem.
A comunidade de fé que possui como fundamento a fé dos apóstolos Pedro e Paulo não é uma associação para fins religiosos ou humanitários. Ela é um corpo vivo, uma comunhão de irmãos e irmãs unidos pela fé no Crucificado-Ressuscitado e seu Evangelho.
Um sinal do cultivo da unidade é a peregrinação que os bispos, enquanto sucessores dos apóstolos, a cada cinco anos, são exortados a realizar aos túmulos dos apóstolos Pedro e Paulo, além do encontro com o sucessor de Pedro, o bispo de Roma. Essa peregrinação tem o objetivo de aumentar o seu sentido de corresponsabilidade como sucessores dos apóstolos por toda a Igreja e de fortalecer a comunhão com o sucessor de Pedro.
 
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