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Porto Alegre, quinta-feira, 21 de junho de 2018.
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Dom Jaime Spengler

A voz do Pastor

Notícia da edição impressa de 21/06/2018. Alterada em 21/06 às 13h10min

A vida é feita de encontros

Dom Adilson Pedro Busin, CS, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Porto Alegre
Celebramos a 33ª Semana Nacional do Migrante (de 17 a 24 de junho), e, dentro da mesma, celebra-se o Dia Mundial do Refugiado (20/06). Guiam-nos o tema "A vida é feita de encontros" e o lema "Braços abertos sem medo para acolher".
A realidade mundial das multidões de migrantes e refugiados que cruzam desertos, mares e fronteiras é um "grito que sobe aos céus". O que parecia estar tão longe, faz-se realidade em nosso País também. Nos últimos anos, chegaram de forma mais expressiva os haitianos e os senegaleses. Agora, somam-se a eles, uma multidão de venezuelanos que batem às portas do Brasil. Estive na Venezuela durante fevereiro e março, e acompanhei de perto esta realidade em Roraima.
O convite que nos vem desta realidade é o de vencer o medo com gestos humanitários de respeito e tolerância. Mas podemos ir além. Precisamos nos educar para o encontro e a acolhida. O Papa Francisco nos colocou os quatro verbos: acolher, proteger, promover e integrar. Neste ano, quisemos dar um acento especial no acolher. Por isso, o lema "braços abertos sem medo de acolher" quer nos levar a esta atitude. Precisa nascer em nosso interior para que se transforme em gestos contínuos de acolhida.
Vencer os medos. Eis um desafio e um processo educativo que se impõe a todos nós para buscar o bem maior. Muitas vezes, presenciamos expressões e gestos de xenofobia, preconceito e exclusão em relação aos migrantes. Mas, em contrapartida, há belos gestos de pessoas, organizações políticas e civis, da Igreja Católica e de muitas outras denominações religiosas que promovem um verdadeiro encontro com o migrante.
Desde as fronteiras até as nossas cidades, milhares de mãos se estendem para acolher. Abrigos e casas de migrantes, centros de documentação, distribuição de alimentos e roupas, busca de casas e inserção no trabalho, estes e outros modos expressam o abraço ao migrante.
A migração traz em si desafios para quem chega e para quem acolhe. Há situações que precisam ser consideradas com cautela, planejamento e organização. Mas o medo pode turvar a razão. Recordamos os discípulos que, ao verem Jesus vindo sobre as águas, disseram: "É um fantasma!". O medo não pode embaçar nosso olhar diante da realidade migratória e dos refugiados. A fé nos diz que a história é guiada pela sabedoria de Deus que nos fez irmãos e irmãs. Migrar é parte do ser humano. É um direito. "A migração dá ao homem como pátria o mundo" (João B. Scalabrini).
Podemos escolher ver fantasmas e ficar no barco à deriva açoitado pelo vento. Fechados em nosso mundo e até em falsas seguranças. Ou, então, podemos ver o Senhor andando sobre as ondas dominando o mal. As ondas migratórias são oportunidade. A vida é feita de encontros. Braços abertos para acolher. O próprio Senhor nos diz: "Eu era migrante e me acolhestes!". Abrace o Cristo acolhendo um migrante.
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