Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, quinta-feira, 14 de junho de 2018.
Dia Mundial do Doador de Sangue.

Jornal do Comércio

Colunas

COMENTAR | CORRIGIR
Dom Jaime Spengler

A voz do Pastor

Notícia da edição impressa de 14/06/2018. Alterada em 13/06 às 23h55min

Festas juninas

O mês de junho é marcado pelas festas juninas, que são assim denominadas porque estão inseridas no mês de junho. Em muitos lugares, o povo costuma se reunir para festejar Santo Antônio, São João Batista, São Pedro e São Paulo. Durante o mês de junho, acontece um fenômeno natural interessante: o Hemisfério Sul tem o dia mais curto e a noite mais longa do ano, e, no Hemisfério Norte, o contrário, com o dia mais longo e a noite mais curta do ano. Tal fenômeno era motivo de celebrações em meio aos povos antigos: pedia-se colheita farta e agradecia-se as já realizadas. 
As festas juninas são marcadas por alegria, música, danças típicas, fogueira grande, casamento caipira, bandeirinhas coloridas, fogos de artifício e comidas típicas, como rapadura, pinhão, pipoca, quentão e canjica. Essas festas são oportunidade privilegiada para o encontro de pessoas e recordação de um estilo de vida, por vezes, distante no tempo, mas sempre marcado por saudades, devido à simplicidade, ao encontro amigo, à alegria, à partilha, à descontração e à fé.
Os festejos populares juninos são expressão da obra divina realizada em figuras da tradição cristã: Santo Antônio é invocado especialmente nas dificuldades; São João, aquele que foi enviado para preparar os caminhos do Senhor; São Pedro, a rocha escolhida sobre a qual o Senhor edificou sua Igreja; e São Paulo, evangelizador intrépido. Esses homens, por caminhos distintos, cooperaram e cooperam para que a obra de Jesus continue no tempo. Um intercede nas dificuldades, outro inaugura caminhos, outro garante a unidade da comunidade de fé, e outro, ainda, intrepidamente, vai ao encontro de diversos povos e culturas.
Esses homens são santos! Por isso são venerados - isto é, merecem respeito, consideração, reconhecimento pelo bem que realizaram ao longo de suas vidas na relação com Deus, no seguimento de Jesus Cristo, no testemunho e anúncio do Evangelho e na relação com os irmãos e irmãs. 
Neste período do ano, de um lado, o povo canta, festeja e se diverte, dançando e partilhando pratos típicos. De outro, a comunidade de fé, na liturgia, faz memória de homens que se destacaram no caminho da fé.  
No encontro com as diversas tradições regionais, as festas juninas foram adquirindo contornos característicos. O povo cultiva um sentido, por vezes diluído, que dá unidade a tudo o que existe e sucede na experiência. Este sentido se coloca à disposição de todos através das tradições culturais que representam a hipótese de realidade com que cada ser humano pode olhar o mundo em que vive. Isso se expressa na religiosidade popular! Entretanto, num mundo no qual tudo se torna motivo de negócio, até mesmo as tradições culturais e religiosas com sua simplicidade e sabedoria vão perdendo a característica de oferecer significado à vida e ao mundo. 
Nas festas juninas se expressa o desejo de um mundo melhor, marcado por paz e justiça, fraternidade e concórdia. Por isso, o povo não se cansa de lutar para superar todo tipo de dificuldades (Santo Antônio); empenha-se por cooperar na preparação de caminhos, em vista de um mundo um pouco melhor para as novas gerações (São João); deseja um fundamento firme sobre o qual possa construir um projeto de nação (São Pedro), ousado e propositivo (São Paulo).
Essas festas expressam, ainda, o desejo humano de confraternização, promovendo comunhão e unidade. Elas são espaço de cultivo da possibilidade de um mundo transformado, no qual dificuldades imputadas possam ser superadas; bloqueios e empecilhos, desfeitos; a unidade, reconstruída; a fraternidade e a paz, experimentadas. 
 
COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
Seja o primeiro a comentar esta notícia