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opinião

- Publicada em 16h24min, 24/09/2019. Atualizada em 16h24min, 24/09/2019.

Uma nova geração de advogados

Germano Schwartz
Forjei-me advogado com o pai. Na lide. No interior do nosso Estado. Era - e sou - datilógrafo. Aos 12 anos fazia petições artesanalmente usando uma Olivetti 198. Aos poucos, com tempo, muita folha carbono e um lápis borracha. Quando a máquina elétrica com corretor automático foi a mim apresentada eu vibrei. Era algo de outro mundo.
Forjei-me advogado com o pai. Na lide. No interior do nosso Estado. Era - e sou - datilógrafo. Aos 12 anos fazia petições artesanalmente usando uma Olivetti 198. Aos poucos, com tempo, muita folha carbono e um lápis borracha. Quando a máquina elétrica com corretor automático foi a mim apresentada eu vibrei. Era algo de outro mundo.
Já era advogado formado quando travei contato com os computadores e a Internet. Aquilo que eu fazia em dois dias, agora eu poderia fazer quase instantaneamente. Minha lista de processos subiu exponencialmente e carga de trabalho idem.
O que narrei é, certamente, a realidade de muito dos leitores juristas e advogados. A denominada judicialização, seja da política, da saúde, da economia, ou de outros setores, não deixa de ser resultado de dois fatores. O primeiro da tecnologia, que alavancou o acesso à justiça. O segundo de uma cultura de litígio.
Existe solução? É uma pergunta pertinente. Conter a tecnologia é enxugar o gelo. Mas, ao reverso, ela pode ser utilizada para fazer com que o acesso à justiça seja célere e eficiente. É uma proposta radical, mas os novos advogados devem entender de inteligência artificial, de programação jurídica, de jurimetria, de robotização, de holografia para audiências, de peticionamento eletrônico, entre outras possibilidades futuras desse mundo novo.
O outro fator é algo que realmente é difícil de desapegar. Existe Direito fora do Direito! Desjudicializar é mais rápido e efetivo. Negociações, arbitragem e decisões sem a presença de juízes são algumas alternativas ao numeroso tráfego de causas no Brasil.
Construir uma cultura de consenso ao invés da cultura litigiosa na qual as gerações anteriores - inclusive a minha - foram criadas é um grande desafio. Significa dizer que tanto quanto saber a norma jurídica - imprescindível -, o profissional do Direito precisa ter uma postura de resolução relacionada a uma equação tempo x razoabilidade.
Proponho esta reflexão a todos os profissionais da área, que precisam acompanhar a transformação da sociedade e compreender a singularidade de cada cenário - com empatia, com flexibilidade e com praticidade, cumprindo seu papel de forma ética, ágil e efetiva.
Reitor da UniRitter
 
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