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Porto Alegre, terça-feira, 10 de setembro de 2019.

Jornal do Comércio

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opinião

Edição impressa de 10/09/2019. Alterada em 10/09 às 03h00min

Vínculo empregatício entre motoristas e aplicativos de transporte

Ruslan Stuchi
É notório que as plataformas digitais são uma realidade do mercado atual no Brasil e no mundo. Dentre tantas, ganham destaque as de transporte privado, que envolvem os motoristas à perspectiva de terem a liberdade de escolherem seus horários de trabalho e ganharem dinheiro fora de um emprego fixo. É a chamada "uberização" do trabalho.
É notório que as plataformas digitais são uma realidade do mercado atual no Brasil e no mundo. Dentre tantas, ganham destaque as de transporte privado, que envolvem os motoristas à perspectiva de terem a liberdade de escolherem seus horários de trabalho e ganharem dinheiro fora de um emprego fixo. É a chamada "uberização" do trabalho.
Com o crescente aumento de motoristas inscritos nas plataformas, cresceram, também, as polêmicas envolvendo os apps, seus inscritos e a Justiça do Trabalho.
Nos últimos meses, houve uma crescente no número de reclamações trabalhistas visando reconhecer eventual vínculo empregatício entre o aplicativo Uber (uma das plataformas) e os motoristas.
Em decisão mais recente, o Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (TRT-3) julgou que o motorista da Uber possui vínculo empregatício com a empresa. Os desembargadores reconheceram que o motorista não desempenha as funções por sua iniciativa e conveniência, nem deixa de se submeter ao controle do aplicativo, pois, quando da análise do contrato de adesão, o motorista obrigatoriamente deve aceitar as condições e os termos ali impostos. A decisão ainda ressalta que a empresa atua de forma arbitrária, estabelecendo regras, selecionando motoristas e alterando os valores das corridas quando entende adequado, o que compromete a renda final do trabalhador. Dessa forma, foi reconhecida a relação de emprego.
Pois bem, cabe, aqui, elucidar alguns termos como "vínculo" e "emprego", que dizem respeito às relações de trabalho.
Vínculo é aquilo que liga ou estabelece um relacionamento de dependência entre as partes. Emprego, por sua vez, é toda e qualquer ocupação em serviço privado ou público, no estabelecimento ou na residência do empregador, ou até mesmo a distância.
Ainda, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) declara como empregador "a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço", e, conjuntamente, caracteriza como empregado "toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário". Com esses conceitos, faz-se necessário que constem alguns requisitos obrigatórios para caracterizar uma relação de emprego.
Entretanto, como o tema é ainda considerado atual e cercado de polêmicas, os entendimentos judiciais não estão pacificados. Assim, é necessária uma análise fria caso a caso, na qual serão analisados vários requisitos para configuração de tal vínculo empregatício, entre eles, subordinação, habitualidade, onerosidade, pessoalidade.
Certamente, esse tipo de debate mostra a transformação das relações trabalhistas, tirando aquela visão única de que empregado precisa estar desenvolvendo sua atividade em um local físico. Agora, uma pessoa pode exercer uma relação de trabalho por aplicativos. Novas decisões sobre o tema surgirão para criar uma jurisprudência e firmar um entendimento sobre o vínculo entre motoristas e aplicativos.
Advogado especialista em Direito do Trabalho e sócio do escritório Stuchi Advogados
 
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