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Aviação

- Publicada em 17/10/2021 às 20h50min.

Alta nos preços das passagens aéreas freia retomada do turismo

Reabertura da economia e o aumento da demanda devido ao avanço da vacinação são fatores que explicam parte da elevação

Reabertura da economia e o aumento da demanda devido ao avanço da vacinação são fatores que explicam parte da elevação


LUIZA PRADO/JC
A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) faz um alerta para a escalada do preço do querosene de aviação (QAV), que registrou alta de 91,7% no segundo trimestre deste ano, em relação a igual período do ano passado, segundo os dados mais recentes da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) faz um alerta para a escalada do preço do querosene de aviação (QAV), que registrou alta de 91,7% no segundo trimestre deste ano, em relação a igual período do ano passado, segundo os dados mais recentes da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Também preocupam os sucessivos recordes de cotação do dólar em relação ao real neste ano, fatores que podem ameaçar uma retomada mais consistente da aviação comercial brasileira e vêm pressionando os preços das passagens aéreas.
O levantamento mais recente da Anac mostra que a tarifa média aérea doméstica real do segundo trimestre de 2021 registrou queda de 19,98% em comparação com o mesmo trimestre de 2019, período prévio aos impactos da pandemia da Covid-19. O preço médio do bilhete foi de R$ 388,95, ante R$ 486,10. A Abear destaca que qualquer comparação de preços de bilhetes tendo como referência o ano de 2020 leva em consideração os menores valores históricos por causa do impacto da pandemia. No ano passado, a tarifa aérea doméstica se situou em R$ 376,29, o menor preço em 20 anos.
A notícia é péssima para a esperada retomada do turismo. No momento em que cerca de 70% da população brasileira está vacinada contra a covid-19 ao menos com a primeira dose e se sente mais à vontade para retomar viagens aéreas, um fator pode complicar os planos de voar: o preço dos bilhetes.
No acumulado de 12 meses, as passagens aéreas tiveram alta de 56,81%, ficando atrás apenas de quatro itens, três deles do grupo de alimentos, além do etanol. A diferença é considerável se comparada ao índice geral da inflação acumulada de 12 meses, que ficou em 10,25%, o maior desde fevereiro de 2016. A reabertura da economia e o aumento da demanda devido ao avanço da vacinação são outros fatores que explicam o aumento no preço dos bilhetes. A busca pelos destinos nem sempre é acompanhada por uma oferta suficiente por parte das companhias.
A Anac aponta para aumento nas passagens nos meses de abril, maio e junho. Em relação aos mesmos meses do ano passado, o avanço no preço médio dos voos domésticos foi de 21,7%. A variação também pode ser explicada pela queda que o tíquete médio sofreu no segundo trimestre de 2020, quando a pandemia fez o volume de voos despencar mais de 90%.
A reportagem procurou as principais companhias aéreas brasileiras para que comentassem a questão. As três destacam que a precificação segue uma série de fatores. A Azul ressalta que a alta do dólar e do combustível, que vem ocorrendo sistematicamente, também influencia nos valores.
A Gol afirma que disponibiliza as vendas de seus voos, em geral, 330 dias antes da partida, possibilitando a quem se planejar com maior antecedência adquirir passagens mais baratas. Em nota, a Latam ressalta que, para a definição do valor da passagem, é preciso levar em conta que 65% dos custos da empresa são dolarizados e que o combustível da aviação representa em torno de 35% das despesas.
Ao analisar a inflação das passagens aéreas, o secretário nacional de Aviação Civil do Ministério da Infraestrutura, Ronei Glanzmann, lista como justificativas o patamar elevado do dólar e do petróleo, o avanço da vacinação e a pressão maior no mercado aéreo doméstico, além da tendência de recomposição de margem pelas companhias.
Glanzmann disse que o brasileiro deve enfrentar uma alta temporada movimentada e com preços elevados. Apesar de o ministério preferir trabalhar com os dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), e não com os do IBGE - que faz seus cálculos a partir de 'cesta' específica de destinos -, o secretário reconhece que a medição do IPCA sinaliza para bilhetes mais caros. "Acredito que os números da Anac vão sinalizar no mesmo sentido. Quem está comprando passagem está percebendo isso. Então, de fato, há uma tendência de aumento de preço", afirma.

Compra antecipada de passagem ajuda a minimizar gastos extras com tarifas aéreas

O presidente da Latam Brasil, Jerome Cadier, afirmou que a tendência é que cada vez menos consumidores comprem passagens em cima da hora, geralmente mais caras que as adquiridas antecipadamente. "As viagens serão mais planejadas e, com isso, o preço médio mais baixo das passagens veio para ficar", destacou o executivo.
Outra tendência do consumo pós-pandemia é a adoção de mais ferramentas digitais para agilizar a operação. Na companhia aérea, por exemplo, parte das viagens atualmente têm check-in automático (o passageiro nem precisa entrar no site), e o despacho das bagagens é feito por totens de autoatendimento nos aeroportos.
Segundo Cadier, os últimos seis meses exigiram maior capacidade de planejamento das companhias aéreas, tendo em vista o controle das variantes do novo coronavírus e as barreiras sanitárias impostas pelos países. "O mercado internacional está se recuperando mais lentamente", afirmou. "Nós já atingimos 90% da demanda do mercado doméstico em relação ao patamar de 2019, antes da pandemia. Já no mercado internacional, estamos entre 20% e 25% da demanda", salientou.
Por conta das incertezas, as pessoas estão postergando as viagens internacionais, um segmento que só vai se recuperar ao final de 2023, segundo o executivo. Cadier aposta no aumento do turismo doméstico no Brasil. "Antes da pandemia, a Latam Brasil operava 44 bases domésticas. Ao final do segundo trimestre de 2022, serão 56", afirmou.
A flexibilidade obtida com a redução de custos fixos permitiu à companhia testar novas rotas. "Consigo me adaptar mais rápido às mudanças de demanda", ressaltou Cadier, lembrando que a Latam Brasil voltou a liderar o mercado de voos domésticos nos últimos meses. "Mas isso para nós não é o mais importante, e sim manter uma operação sustentável".
Na semana passada, o grupo Latam informou que solicitou ao Tribunal de Nova York a prorrogação do prazo para apresentar com exclusividade seu plano de recuperação judicial, no âmbito do Chapter 11 (lei de falência norte-americana). O prazo, que venceria na sexta-feira (15), foi prorrogado para 26 de novembro.
"Por meio do Capítulo 11, as subsidiárias serão capazes de redimensionar suas operações e adaptá-las ao novo ambiente de demanda e reorganizar seus balanços financeiros, permitindo que ressurjam como negócios mais ágeis, eficientes e sustentáveis para um novo estágio pós-pandêmico", disse a empresa, em nota.
No evento de quinta-feira passada, Cadier fez questão de destacar o caráter educativo do pedido de recuperação judicial feito pela companhia, que aderiu ao Chapter 11 em maio do ano passado, seguindo a controladora, a chilena Latam, que havia tomado a iniciativa em março de 2020.
 
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