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Infraestrutura

- Publicada em 15h50min, 21/06/2021.

Brasil perde 40% da água potável nos caminhos da distribuição

Atualmente, 35 milhões de brasileiros não têm acesso a água potável

Atualmente, 35 milhões de brasileiros não têm acesso a água potável


/EVARISTO SA/AFP/JC
Estudo recém-divulgado pelo Instituto Trata Brasil (ITB), intitulado "Perdas de água potável (2021, ano base 2019): Desafios para a disponibilidade hídrica e ao avanço da eficiência do saneamento básico", revela que, no Brasil, quase 40% da água tratada é perdida nos caminhos até o consumidor.
Estudo recém-divulgado pelo Instituto Trata Brasil (ITB), intitulado "Perdas de água potável (2021, ano base 2019): Desafios para a disponibilidade hídrica e ao avanço da eficiência do saneamento básico", revela que, no Brasil, quase 40% da água tratada é perdida nos caminhos até o consumidor.
O ITB é uma das instituições parceiras da ABAR (Associação Brasileira de Agências de Regulação). Juntas, as duas entidades realizaram recentemente o estudo "Percepção das Agências Reguladoras Infranacionais quanto à atualização do Marco Regulatório do Saneamento Básico".
O índice exato da ineficiência na distribuição da água potável pelas cidades é assustador: 39,2% de toda a água captada não chega às casas dos brasileiros. Pelos cálculos do ITB, o volume perdido equivale a sete vezes o volume do Sistema Cantareira, maior conjunto de reservatórios para abastecimento do estado de São Paulo.
No momento em que o País atravessa uma crise hídrica com impactos diretos em diversos setores da infraestrutura - do fornecimento de água e energia ao tráfego nas hidrovias -, além de desdobramentos que afetam a economia em geral, o Trata Brasil calcula que uma redução desse índice de 40% para 25% significaria abastecer mais 63 milhões de pessoas ao ano.
Seria o suficiente para atender, por exemplo, a todas as favelas brasileiras com água potável por quase três anos.
O estudo foi realizado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a Asfamas (Associação Brasileira dos Fabricantes de Materiais para Saneamento), e elaborado pela consultoria GO Associados a partir de dados públicos do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS, ano base 2019). Contempla uma análise das 27 Unidades da Federação e das cinco regiões brasileiras, bem como das 100 maiores cidades do País.
Atualmente, 35 milhões de brasileiros não têm acesso a água potável. "Além de atender a este enorme contingente de brasileiros, no que se refere ao impacto ambiental, o volume de água que poderia ser economizado da natureza certamente ajudaria a manter mais cheios os rios e reservatórios espalhados pelo País", afirma o Trata Brasil em seu material de divulgação.
O ITB debruça-se também sobre os ganhos econômicos que seriam possíveis com a redução de perdas de água potável, considerando três diferentes cenários para a média nacional, com base no nível a ser alcançado em 2034: 15% (otimista), 25% (realista) e 35% (pessimista). "Exceto pelo cenário pessimista, tais objetivos são mais ambiciosos do que o estabelecido pelo Plano Nacional de Saneamento (Plansab) em 2013, que previa um índice de perdas de 31% em 2033. Já o cenário realista tido como base foi estabelecido pela Portaria Nº 490 de 2021 do MDR", afirma o instituto.
De acordo com o estudo, tomando-se como referência o cenário base, o potencial de ganhos brutos com a redução de perdas chega a R$ 54,1 bilhões até 2034. "Prevendo que metade deste valor precisaria ser reinvestido no próprio combate às perdas, o benefício líquido ainda assim seria da ordem de R$ 27,1 bilhões em 15 anos", ressalta o ITB.
O estado de São Paulo tem cinco entre os 10 municípios que se destacam em controle de perdas, considerando as 100 maiores cidades brasileiras: Campinas, Limeira, Santos, São José do Rio Preto e Taboão da Serra. As outras cinco são Blumenau (SC), Campo Grande (MS), Goiânia (GO), Maringá (PR) e Petrópolis (RJ). A Região Norte concentra os índices mais elevados, com destaque para Rio Branco (AC), Boa Vista (RR), Manaus (AM), Macapá (AP) e Porto Velho (RO). Também estão na lista dos 10 piores índices: Recife (PE), Cuiabá (MT), Cariacica (ES), Paulista (PE) e São Luís (MA).
Kátia Muniz Côco (Arsp), diretora da ABAR e coordenadora da Câmara Técnica de Saneamento Básico, Recursos Hídricos e Saúde (CTSan), lembra que o acompanhamento, por parte da agência reguladora, da performance dos prestadores em relação à redução do índice de perdas é uma atividade essencial da regulação. "
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