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Energia

- Publicada em 03h00min, 23/02/2021.

Biocombustível a partir do lixo deve crescer no Brasil

Produção nacional de biometano é de apenas 365 mil m³ por dia

Produção nacional de biometano é de apenas 365 mil m³ por dia


JONATHAN HECKLER/JONATHAN HECKLER/JC
Enquanto o governo brasileiro discute uma potencial redução na tributação de combustíveis fósseis, na contramão do resto do mundo, produtores de biogás tentam criar condições para fazer deslanchar no País uma alternativa renovável ao diesel: o biometano. O cenário em 2021 é visto como promissor, com a quebra do monopólio da Petrobrás nos gasodutos, a esperada aprovação do Novo Mercado do Gás pelo Congresso Nacional e o fortalecimento da agenda ESG (sigla em inglês para os aspectos ambiental, social e governança) na esteira da pandemia da covid-19.
Enquanto o governo brasileiro discute uma potencial redução na tributação de combustíveis fósseis, na contramão do resto do mundo, produtores de biogás tentam criar condições para fazer deslanchar no País uma alternativa renovável ao diesel: o biometano. O cenário em 2021 é visto como promissor, com a quebra do monopólio da Petrobrás nos gasodutos, a esperada aprovação do Novo Mercado do Gás pelo Congresso Nacional e o fortalecimento da agenda ESG (sigla em inglês para os aspectos ambiental, social e governança) na esteira da pandemia da covid-19.
Além do gás natural, a nova Lei do Gás deve incentivar também projetos de geração de biogás e biometano a partir de aterros sanitários e resíduos orgânicos. O texto já aprovado no Senado libera o acesso do biometano à rede de gasodutos, estimulando sua regulamentação pelos estados, a quem compete a política de distribuição do gás. O recém-aprovado marco do saneamento também é favorável, já que o biometano pode ser produzido a partir do tratamento do biogás gerado nos aterros sanitários e nas estações de tratamento de esgotos.
Segundo a Associação Brasileira do Biogás (Abiogás), a produção nacional de biometano é pequena: 365 mil m³ por dia. A entidade projeta um aumento de 10% em 2021, ritmo de crescimento abaixo do visto no ano passado (14%, apesar da pandemia). O volume está muito aquém do potencial brasileiro, estimado pela entidade em 120 milhões de m³ por dia, tendo em vista a quantidade de resíduos produzidos no País. Isso é o equivalente a 39 bilhões de litros de diesel, ou 70% do consumo nacional.
O biometano pode ser destinado à geração de energia elétrica e substituir o gás natural de uso industrial e residencial, mas é no abastecimento do transporte veicular que reside seu maior potencial. A estimativa é que ele reduza de 90% a 96% as emissões de gases do efeito estufa quando comparado ao diesel e à gasolina.
O diretor de vendas de soluções da Scania no Brasil, Silvio Munhoz, conta que, com a pandemia, cresceu a procura de empresas interessadas em caminhões a biometano e GNV (gás natural veicular). A estimativa é fechar 2021 com a venda de mais de duas centenas de unidades no País, contra 70 em 2020. A participação dos modelos a gás na produção e nas vendas gerais da fábrica de São Bernardo do Campo (SP) é pequena: mil veículos em um total de 30 mil por ano.
A Scania foi pioneira na produção desses veículos no Brasil. A primeira entrega foi feita em 2020, para a multinacional de cosméticos L'Oréal. No último dia 5, a fabricante apresentou o primeiro ônibus para fretamento movido a gás no País. O modelo vai transportar trabalhadores da usina de aços especiais da Gerdau, também a primeira a usar um caminhão a biometano na mineração.
 
Agência Estado
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