Porto Alegre, terça-feira, 11 de agosto de 2020.
Dia do Advogado.

Jornal do Comércio

Porto Alegre,
terça-feira, 11 de agosto de 2020.
Corrigir texto

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Mercado

- Publicada em 03h00min, 11/08/2020.

Pesquisa define perfil dos operadores logísticos no Brasil

Setor é um dos que mais emprega, e gera cerca de 1,5 milhão de postos de trabalho diretos

Setor é um dos que mais emprega, e gera cerca de 1,5 milhão de postos de trabalho diretos


JCOMP VIA FREEIPIK.COM/DIVULGAÇÃO/JC
A edição 2019/2020 da pesquisa Perfil dos Operadores logísticos no Brasil, realizada pela  Abol - Associação Brasileira de Operadores Logísticos, revela crescimento no faturamento anual e no número de empresas do segmento. O estudo, encomendado pela entidade à Fundação Dom Cabral (FDC), é realizado desde 2014 e detalha características e tendências do mercado da operação logística.
A edição 2019/2020 da pesquisa Perfil dos Operadores logísticos no Brasil, realizada pela  Abol - Associação Brasileira de Operadores Logísticos, revela crescimento no faturamento anual e no número de empresas do segmento. O estudo, encomendado pela entidade à Fundação Dom Cabral (FDC), é realizado desde 2014 e detalha características e tendências do mercado da operação logística.
O levantamento abrangeu um universo de 275 empresas. O estudo revelou uma Receita Operacional Bruta (ROB) no total de R$ 100,8 bilhões anuais, estimando um faturamento médio de R$ 366 milhões por empresa. Adicionalmente, o setor é um dos que mais emprega nos dias de hoje, gerando aproximadamente 1,5 milhão de postos de trabalho diretos e indiretos, e arrecada R$ 14,7 bilhões em tributos e R$ 11,5 bilhões em encargos trabalhistas. 
Na comparação com a versão anterior da pesquisa, divulgada em dezembro de 2018, o número de empresas era de 269, com o total da ROB anual de R$ 81,4 bilhões, o que representava um faturamento médio de R$ 302,6 milhões, por empresa.
"O fato de o operador logístico não ter uma Classificação Nacional de Atividade Econômica (CNAE) específica dificulta em muito a medição exata de quantos somos e do quanto representamos" observou o diretor presidente e CEO da Abol, Cesar Meireles.
O estudo foi antecipado para analisar também o momento da pandemia e enfatizar como as empresas do setor vêm lidando com os novos desafios impostos. "Como sociedade civil sem fins lucrativos, temos por política compartilhar todos os nossos estudos para promover conhecimento. Sendo assim uma colaboração da associação com todos os stakeholders e sociedade em geral e dentro da cadeia logística de valor na qual o operador está inserido", diz Meireles.
A atualização do estudo coincide com o avanço no Projeto de Lei (PL) nº 3.757/2020, que prevê a regulamentação da atividade dos Operadores logísticos e modernização da lei de armazenagem geral, o Decreto nº 1.102/1903. O PL foi protocolado no último dia 13/07 na Câmara dos Deputados Federais, sob a autoria do deputado federal Hugo Leal (PSD/RJ). "O PL reduzirá a burocracia e as obrigações acessórias. Assim, teremos um ambiente de maior segurança jurídica, que, por consequência, permitirá identificar novas frentes para investimentos", acredita.
O professor de Logística, Transporte e Planejamento de Operações e Supply Chain, coordenador do estudo da e pesquisador responsável pela Plataforma de Infraestrutura em Logística de Transportes, Paulo Resende, destaca a tendência de ampliar o espectro de serviços oferecidos e ambientes de atuação.
Além de transporte, armazenagem e gestão de estoques, as empresas intensificam sua aproximação do mercado de consumo final. "Os operadores logísticos no Brasil seguem a tendência mundial de uma posição mais distante nas cadeias produtivas para se aproximarem do consumo final."
Outra constatação do estudo diz respeito à diversidade de segmentos de mercado nos quais os operadores logísticos atuam. Há uma predominância no automotivo, alimentos e bebidas, eletroeletrônicos, saúde (humana e animal), têxtil e varejo, segmentos já tradicionais na dinâmica logística, segmentos de alto valor agregado e peso bruto baixo, com alto giro de estoque. Mas, outros segmentos passaram a figurar no horizonte das empresas do setor logístico.
"Em função do comércio eletrônico e das mudanças na dinâmica de consumo, existe, agora, um movimento intenso de aproximação do mercado de consumo final e uma ampliação na atuação, com presença em determinados segmentos, como telecomunicações, tecnologia industrial e de serviços bancários e comércio eletrônico.. Ou seja, o operador logístico vem expandido muito rapidamente sua presença na cadeia de suprimentos e distribuição", avalia o professor da FDC.
Sobre a evolução do setor,em 2013/2014, quando a primeira pesquisa foi realizada, o setor era composto de 159 empresas. Hoje, 275 empresas compõem o setor. O faturamento médio dessas empresas cresceu 21%, comparado aos últimos resultados. Além disso, é um grupo que emprega direta e indiretamente mais de 1,5 milhão de pessoas. Não é pouca coisa.
Os operadores logísticos já estão entre os 25 maiores empregadores no País, quando consideramos total de pessoal empregados no setor privado puro, arrecadando mais de R$ 26 bilhões em tributos e encargos trabalhistas", pontuou o professor.

Investimento em inovação e tecnologia cresce

Softwares de gestão de armazenagem, de rastreamento, roteirização e gestão administrativa ganharam peso entre os investimentos do operadores logísticos. Essa é uma das constatações da pesquisa 2019/2020 da Abol - Associação Brasileira de Operadores Logísticos.

A injeção de recursos na aquisição de máquinas e equipamentos e na modernização das instalações e infraestrutura continua a acontecer, mas há uma tendência perceptível na busca de uma melhor integração tecnológica e operacional dos Operadores Logísticos com os clientes.

Essa tendência vem alterando o chamado pacote de valores logísticos oferecidos pelas empresas ao mercado, que, além de critérios como velocidade, cumprimento de prazo, flexibilidade no atendimento ao pedido, passou a focar também em customização, aumento do portfólio de produtos, busca pelo menor preço e integração tecnológica.

"O cliente embarcador vê-se acostumado com a presença do operador logístico na dinâmica operacional, portanto, a integração tecnológica e a customização de soluções precisam ser melhor explorados na relação comercial", destaca o diretor presidente e CEO da Abol, Cesar Meireles.

Armazenagem é um dos principais custos de empresas embarcadoras

A pesquisa Perfil dos Operadores logísticos no Brasil, da  Abol - Associação Brasileira de Operadores Logísticos, identificou a armazenagem como principal custo logístico (53%) Para reduzir os gastos, muitas empresas embarcadoras têm transferido seus custos para operadores logísticos, terceirizando frotas e serviços.

Outra tendência que já se materializa é a alteração na frequência das entregas e dos canais de distribuição. Impulsionados pelo ritmo imposto pelo comércio eletrônico, os operadores logísticos têm agora que fazer frente a uma cadeia de suprimentos, abastecimento e distribuição mais frenética e ininterrupta. Entre os Operadores Logísticos que participaram da pesquisa, 46,15% não operam com o comércio eletrônico e 28,21% disseram ter planos de operar. Já operando, estão 25,64%.

Em relação aos problemas relacionados à distribuição urbana de mercadorias, foram identificadas na pesquisa como de grande impacto o roubo de cargas, o congestionamento, a disponibilidade deficiente de áreas para carga e descarga e o tempo de entrega dos produtos do comércio eletrônico.

A não trouxe surpresas quanto à identificação dos desafios e entraves para uma maior eficiência logística. Entre os mais votados estão altos custos logísticos diretos (combustíveis) e indiretos (seguros), marco regulatório, carga tributária e obrigações acessórias no âmbito fiscal e burocracia de processos.

De olho em atender o cliente em todas as necessidades, ganha importância expandir o portfólio de produtos e serviços, ter uma nova política de inovação, oferecer novos serviços para os clientes, padronizar as operações, atender as exigências de mercado, expandir as operações para outros locais e reduzir os custos logísticos.

E para dar conta do recado, as empresas elencaram a inovação tecnológica e de processos como estratégias para sofisticar o portfólio de serviços.

Comentários CORRIGIR TEXTO