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Porto Alegre, sexta-feira, 20 de julho de 2018.
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Jornal do Comércio

JC Logística

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Transporte

Edição impressa de 20/07/2018. Alterada em 20/07 às 01h00min

Incerteza sobre valor do frete trava exportação

Vendas futuras da próxima safra de soja estão suspensas desde o início das negociações depois da greve

Vendas futuras da próxima safra de soja estão suspensas desde o início das negociações depois da greve


/EVARISTO SA/AFP/JC
Produtores de soja do Brasil estão perdendo a oportunidade de ampliar exportações para a China. De acordo com eles, o aumento do custo do frete após a aprovação da tabela mínima de preços do frete do transporte de cargas, calculado entre 25% a 40%, pode reduzir a competitividade do produto nacional e anular o "prêmio" (valor extra) que importadores oferecem no momento.
As vendas futuras da próxima safra estão suspensas desde o início das negociações dos caminhoneiros com o governo, após a greve que paralisou o transporte de cargas no País no fim de maio. O motivo, diz o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho (Aprasoja), Bartolomeu Braz Pereira, é que os produtores ainda não sabem o impacto exato da nova tabela em seus custos.
Além disso, informa ele, há cerca de 20 milhões de toneladas de soja em estoque que sobraram da última safra, colhidas recentemente. "Não fosse essa situação, já teríamos vendido, pelo menos, 12 milhões de toneladas desse estoque, principalmente para os chineses", acredita Pereira. "Estamos perdendo a oportunidade inclusive de vender com o prêmio, que, hoje, está US$ 2,30 por bushel (saca com 27 quilos)", diz.
Pereira afirma que o Brasil teria condições de assumir a cota hoje exportada pelos EUA ao mercado chinês, de cerca de 35 milhões de toneladas. Mas, para isso, seriam necessários, pelo menos, dois anos para preparar novas áreas de cultivo. Neste ano, o País deve produzir cerca de 118 milhões de toneladas de soja, das quais 56 milhões deverão ser exportadas para a China até dezembro.
"No momento, em razão das instabilidades internacionais e locais, os produtores ainda não estão com planos de ampliar o plantio", afirma o presidente da Aprosoja. "Tudo vai depender do mercado futuro e das confirmações de que, de fato, haverá maior demanda pela soja brasileira." Para Pereira, ainda há dúvidas se a guerra comercial será mantida no longo prazo.
Daniel Amaral, gerente de Economia da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), também afirma que o problema brasileiro é a logística, que já encarecia o produto nacional e vai piorar com a alta do frete. "O custo de produção e escoamento da soja vai aumentar a ponto de engolir o ganho que se espera com o prêmio", diz. Segundo ele, até agora, os chineses já adquiriram quase 40 milhões de toneladas de soja produzida no Brasil.
 
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