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Porto Alegre, sexta-feira, 29 de junho de 2018.
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Transporte

Notícia da edição impressa de 29/06/2018. Alterada em 29/06 às 01h00min

Brasil seguirá dependente do modal rodoviário

Diagnóstico mostra que dependência das estradas será mantida com custo extremamente alto até 2035

Diagnóstico mostra que dependência das estradas será mantida com custo extremamente alto até 2035


/ANA PAULA APRATO/ARQUIVO/JC
A matriz brasileira de transporte não deverá passar por significativa alteração nos próximos 20 anos mesmo que o governo federal consiga implementar todos os projetos já em andamento - como duplicações de rodovias e subconcessão de ferrovias, como a Norte-Sul - e mantenha o estoque atual em infraestrutura. A constatação é da Fundação Dom Cabral (FDC), no estuo a Plataforma de Infraestrutura em Logística de Transportes (Pilt), construída com base em dados públicos de órgãos governamentais e de empresas parceiras, como Arteris, Grupo CCR e EcoRodovias.
O diagnóstico da FDC mostra ainda que, com o portfólio atual de projetos federais, e se nada mais for proposto, o Brasil continuará dependente das rodovias e com um custo extremamente alto nesse modal até 2035. A instituição estima que o custo total do País com transporte tenha atingido R$ 166 bilhões em 2015 (ano usado como base para os cenários), com 70% desse montante consumido nas rodovias. Em 2035, esse custo subirá para R$ 233,3 bilhões, ao passo que a participação das rodovias nos custos se manterá praticamente igual, em 68%.
Caso os principais projetos federais nos setores de rodovias, portos, hidrovias e ferrovias saiam do papel até 2025 e nada mais seja feito até 2035, o custo logístico dos embarcadores de carga subirá quase R$ 130 bilhões. "E esse custo vai para algum lugar. Ou cai a margem das empresas, ou é repassado ao consumidor final", afirma Paulo Resende, coordenador do Núcleo de Logística, Infraestrutura e Supply Chain da FDC.
Como a crise recente com a greve dos caminhoneiros expôs, o Brasil precisa de investimentos de longo prazo em ferrovias e hidrovias, as mais apropriadas para transportar determinados tipos de cargas por longas distâncias, defende a FDC.
Pelas contas da fundação, se 10% da carga transportada em rodovias (medidas em Toneladas por Quilômetro Útil, TKU) for transferida para as ferrovias, haveria uma economia de custo de 2,4%, equivalente a R$ 4,85 bilhões em 2025 e R$ 5,6 bilhões em 2035. Se as hidrovias assumirem aquele papel, a economia de custo é maior ainda, de 4,5%, correspondendo a R$ 8,92 bilhões em 2025 e R$ 10,3 bilhões em 2035.
Porém a FDC frisa que, no curto prazo, o planejamento público para o setor não pode deixar de lado as rodovias. "A concentração de fluxos de cargas não permite, de forma nenhuma, que o Brasil tome a decisão brusca de, de repente, partir para a ferrovia e a hidrovia e esquecer das rodovias para transporte de longa distância", pontua Resende.
O especialista defende que o poder público tenha uma visão "estratégica, e não passional" sobre o modal rodoviário. "Ao planejarmos o curto prazo, não podemos romper o sistema rodoviário", acrescenta.

Tabelar frete é ir contra 'regra pétrea' da economia, diz FDC

Tabelar o frete rodoviário, como está sendo proposto pelo governo federal, é uma medida que vai contra a regra "pétrea" de oferta e demanda que rege a economia, avalia Paulo Resende, coordenador do Núcleo de Logística, Infraestrutura e Supply Chain da Fundação Dom Cabral (FDC). "Acho que qualquer poder que quiser mediar uma discussão de tabela de frete corre o risco de mediar uma coisa que não dá fruto", disse durante evento da FDC de lançamento da Plataforma de Infraestrutura em Logística de Transportes (Pilt).
Ainda na discussão sobre o frete, o especialista disse enxergar um "vácuo preocupante de intermediação técnica" no País. "A intervenção da instância suprema do Judiciário mediando situações desse tipo nos mostra a grande distorção institucional que o Brasil vive", opina Resende.
Conforme dados da plataforma, os embarcadores de carga deverão ver um aumento de cerca de R$ 130 bilhões de seus custos logísticos até 2035 - cenário que considera a implementação dos principais projetos federais nos setores de rodovias, portos, hidrovias e ferrovias até 2025 e a manutenção do estoque de infraestrutura existente.
Porém Paulo Resende destaca que essa elevação dos custos nos próximos 20 anos não irá, necessariamente, se reverter em alta do frete. "O frete é um preço final, é uma remuneração final. Você tem a formação dos custos e o frete. Entre o frete e a formação dos custos, você tem a margem, seja do autônomo ou das transportadoras."
 
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