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DIA DO CONTADOR

- Publicada em 21/09/2021 às 13h22min.

No Dia do Contador, profissionais reconhecem importância da tecnologia e da LGPD

Pandemia acelerou processos de digitalização dos escritórios e exigiu rápidas adaptações dos profissionais

Pandemia acelerou processos de digitalização dos escritórios e exigiu rápidas adaptações dos profissionais


Gerd Altmann/Pixabay/divulgação/jc
Vitorya Paulo
Transformação digital, necessidade de aperfeiçoamento constante e novas regras como a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) são os grandes marcos para os profissionais contábeis desde o início da pandemia de Covid-19. No Dia do Contador, celebrado em 22 de setembro, a reflexão paira sobre quais legados e aprendizados o período deixa para a profissão.
Transformação digital, necessidade de aperfeiçoamento constante e novas regras como a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) são os grandes marcos para os profissionais contábeis desde o início da pandemia de Covid-19. No Dia do Contador, celebrado em 22 de setembro, a reflexão paira sobre quais legados e aprendizados o período deixa para a profissão.
Na visão da presidente do Conselho Regional de Contabilidade (CRCRS), Ana Tércia Rodrigues, a pandemia acelerou processos que já estavam previstos, mas acabaram sendo antecipados em razão das limitações do período. A contadora defende que a classe deve, cada vez mais, desenvolver o “pensamento digital”, que não só se refere a digitalização de documentos mas, sim, a criação de uma cultura incorporada nas empresas. “No futuro, o que teremos de refletir é o quanto se conseguiu manter, melhorar e performar”, pontua.
A partir da digitalização, outro desafio que se impôs aos contadores foi a LGPD, que tornou obrigatória a preocupação com a segurança dos dados. Os escritórios, que lidam com informações sensíveis, como CPF e números de contas bancárias, seguem enfrentando o peso da responsabilidade de manuseá-las. “A verdade é que não temos cultura de conhecimento para lidar com essa demanda”, afirma Ana.
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Para Ana Tércia, a pandemia acelerou processos que já estavam previstos. Foto: CRCRS/DIVULGAÇÃO/JC
Além disso, com muitas mudanças a cada dia, os contadores precisaram estar sempre dois passos à frente, afirma a presidente. Isso porque, a cada nova Medida Provisória (MP) publicada pelo governo que alterava questões trabalhistas e salariais, os escritórios de contabilidade precisavam se adaptar e aconselhar os clientes em questão de horas. “As pessoas precisaram estudar e entender, de uma forma até sofrida”, relata. Nesse processo, Ana avalia que até mesmo o ensino remoto, que antes era mal visto por muitos, foi melhor aceito.
Para lidar com essa realidade, a classe contábil precisou de muita união e senso de coletividade. E nisso, não deixou a desejar. Coordenador da Comissão de Estudos da Tecnologia da Informação do CRCRS, Flávio Duarte Ribeiro Jr. percebe que muitos escritórios e profissionais se auxiliaram de forma mútua, principalmente em março de 2020 quando as restrições pela pandemia foram mais fortes.
Além da força dos contadores, Ribeiro Jr. destaca a importância das entidades de classe que, no momento crítico, se focaram em reivindicar o trabalho dos profissionais contábeis como essencial. “Os prefeitos entenderam a importância de ter um contador”, afirma. Apesar da crise econômica e sanitária imposta pela Covid-19, o coordenador avalia que a jornada foi “melhor do que se tinha imaginado”, no sentido da permanência de empresas no ambiente de negócios.
Para o futuro, um dos grandes desafios será a capacidade de liderança de equipes. Para Ana Tércia, apesar do digital já estar bem consolidado, a parte de tratamento humano ainda enfrenta entraves e dificuldades. Por isso, escritórios devem se qualificar nesse sentido. “O gestor do futuro é um profissional que vai ter que entender de pessoas”, pontua.

"Verificamos um aumento no espírito de colaboração entre os associados"

Caroline Sebastião de Oliveira, diretora de Comunicação do SESCONRS
Caroline Sebastião de Oliveira, diretora de Comunicação do SESCONRS
ARQUIVO PESSOAL/DIVULGAÇÃO/JC
Para nós, como Sindicato que representa as empresas contábeis, e também para os empresários contábeis, foi um momento de muito trabalho, pois muitas peculiaridades surgiram neste período, até mesmo para auxilio das empresas a passarem por esse momento. Também verificamos um aumento do espírito de colaboração entre nossos associados, ajuda mútua. Compartilhamento de ideias, modelos de gestão, implementação de tecnologias para home office, adequações com equipes. Acreditamos que atingimos verdadeiramente o espírito de sindicato que busca a integração de seus associados. A principal lição que este momento deixa para a profissão é que temos que estar preparados para adversidades, porém contar com apoio, ideias e colaboração de entidades e de colegas de profissão contribui para que seja mais fácil de enfrentar as situações.

"O principal ensinamento da pandemia é que temos capacidade de superação"

Presidente do Sindicato dos Contadores e Técnicos em Contabilidade do Vale do Taquari (Sincovat), Noeli Teresinha Kuhn.
Noeli Teresinha Kuhn - presidente do Sindicato dos Contadores e Técnicos em Contabilidade do Vale do Taquari (Sincovat)
ARQUIVO PESSOAL/DIVULGAÇÃO/JC
Tivemos que lidar com inúmeros decretos e medidas provisórias publicadas diariamente, as quais alteravam a relação de trabalho, vencimento de impostos, concessão de créditos e tantos outros. Além de estar muito atento à publicação da norma, o contador ainda precisava estudar, interpretar e orientar o seu cliente de forma ágil e correta. Podemos afirmar que fomos mais do que contadores dando suporte para as empresas que foram obrigadas a suspender suas atividades e se readequar. Agimos como parceiros e consultores zelando pelo equilíbrio econômico de pequenas, médias e grandes empresas e mantendo vivos seus negócios.
O principal ensinamento da pandemia é que temos capacidade de superação, de mudar completamente as coisas da noite para o dia com a versatilidade necessária. Hoje, temos uma visão muito clara de que as crises são imprevisíveis e difíceis de lidar quando não estamos preparados. Somado a isso, está a questão do conhecimento aliado à tecnologia, pois além de estarmos muito bem preparados tecnicamente, necessitamos de ferramentas contábeis versáteis e softwares adequados às nossas demandas.

"Em um curto espaço de tempo tivemos que colocar nossas equipes em teletrabalho"

Breda destaca que os contadores não apenas produzem dados, mas analisam e auxiliam na decisão dos negócios
Zulmir Breda, presidente do Conselho Federal de Contabilidade (CFC)
CFC/DIVULGAÇÃO/JC
Esse período tem deixado ainda mais clara a nossa essencialidade. Em um curto período de tempo, e em um contexto muito distinto do habitual, precisamos estudar e aplicar grande quantidade de normativos publicados pelo Governo para conter a crise econômica gerada pela pandemia, especialmente na área trabalhista e previdenciária. Tudo isso visando manter as empresas em funcionamento e preservar os empregos. Apoiamos também muitas empresas a acessar as linhas de crédito oferecidas pelo Governo, que eram mais vantajosas, para dar fôlego a esses negócios.
Outro ponto que merece destaque é o trabalho a distância, ou teletrabalho. Há algum tempo, nós, contadores, estamos migrando para o mundo digital. Contudo, em um curto espaço de tempo tivemos que colocar nossas equipes em teletrabalho e alguns de nossos clientes também encontraram dificuldades com essa questão. Nesse cenário, do tão necessário isolamento social, precisamos dar suporte às empresas também nesse sentido.
 
Ressalto a importância da incorporação da tecnologia pelos profissionais da contabilidade. A pandemia acelerou ainda mais o processo de digitalização, exigindo maiores investimentos em software e equipamentos. Outra lição diz respeito à mudança no perfil do contador. Mais do que nunca, fomos chamados a atuar como consultores de negócios, orientando nossos clientes a superar a crise. Cada vez mais, vamos estar mais funcionais e mais estratégicos. 
 

"Foi um período de fundamental atuação das entidades contábeis"

Valdir Coscodai, presidente do Ibracon
Valdir Coscodai, presidente do Ibracon
ARQUIVO PESSOAL/DIVULGAÇÃO/JC
Foi um período de grande crescimento para a profissão, que se mostrou resiliente, adaptável aos diversos cenários e compromissada com o País, os negócios e os clientes, oferecendo grande contribuição durante a pandemia e no planejamento e estruturação da retomada da atividade econômica. Também destaco que foi um período de fundamental atuação das entidades contábeis, que se mantiveram unidas e se fortaleceram juntas. 
Acredito que duas lições merecem destaque nesse cenário. O primeiro é o fortalecimento da tecnologia em nossa profissão. Ela já era um elemento presente e constante no dia a dia, mas a pandemia acabou acelerando esse processo, tornando-a fundamental para os trabalhos cotidianos.
O outro que também já era comum em nossa realidade, mas que ficou ainda mais evidente na pandemia, trata-se do elemento humano e do trabalho que ele realiza. Com ética, habilidades técnicas, multidisciplinaridade e alto nível educacional, as pessoas formam o pilar fundamental para a relevância da profissão e foi graças a elas e a esse constante aprendizado que rege nossa profissão, que conseguimos nos adaptar e continuar trabalhando. Dias melhores virão. Acreditem.

"Enquanto os médicos salvavam vidas nós buscávamos salvar as empresas"

Maria Rosania Santana Almeida, presidente do SindiContábil - Pelotas e Região
Maria Rosania Santana Almeida, presidente do SindiContábil - Pelotas e Região
ARQUIVO PESSOAL/DIVULGAÇÃO/JC
Enquanto os governantes buscavam soluções, na expectativa de resposta da ciência pra combater a Covid, se buscava linhas de créditos que pudessem salvar as empresas neste momento pandêmico. Enquanto os médicos salvavam vidas, nós dizíamos, no cenário contábil, que buscávamos salvar as empresas. E de fato: em meio a tudo isso, quem ganhou destaque são os serviços dos escritórios de contabilidade, bem como os profissionais contábeis. Do ponto de vista dos negócios, não é um exagero afirmar que o contador foi e está sendo e será o braço direito do empresário para poder superar todos esses desafios. Nós passamos um período muito estressante porque eram muitas Medidas Provisórias (MPs) editadas diariamente e o cliente queria a solução imediata. Todos nós trabalhávamos quase 24 horas por dia, madrugada a dentro, porque as MPs não são completamente explícitas na sua redação. Ficávamos lendo durante a noite, quando ela era publicada. Tivemos que nos virar nos 30 para poder salvar as empresas. Agora, estamos começando a respirar e confiantes para que, superado esse momento, tenhamos uma nova esperança.
Se as empresas tiveram que se readaptar e aprender a trabalhar de forma remota, adotando novas tecnologias e tiveram que mudar seus processos de forma rápida, no meio contábil, os escritórios terão que traçar um novo panorama, uma nova estratégia, para se manter no mercado. Porque a tecnologia chegou. O mundo digital não é mais uma utopia, é uma realidade.
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