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Opinião

- Publicada em 03h00min, 12/08/2020.

O auditor independente e a retomada das atividades econômicas

Francisco Sant'Anna é presidente Ibracon - Instituto dos Auditores Independentes do Brasil

Francisco Sant'Anna é presidente Ibracon - Instituto dos Auditores Independentes do Brasil


IBRACON/DIVULGAÇÃO/JC
Francisco Sant'Anna
As prioridades neste momento são a preservação da vida e a busca de soluções para a contenção da Covid-19. Entretanto, também cabe planejar e estruturar a retomada da atividade econômica, investimentos, recuperação do mercado de trabalho e dos empregos. Nesse processo, cada setor e profissão terá papel relevante.
As prioridades neste momento são a preservação da vida e a busca de soluções para a contenção da Covid-19. Entretanto, também cabe planejar e estruturar a retomada da atividade econômica, investimentos, recuperação do mercado de trabalho e dos empregos. Nesse processo, cada setor e profissão terá papel relevante.
No caso da auditoria independente, sua missão será significativa em três vertentes principais, que convergem para a necessidade de as empresas emergirem da presente crise com uma base sólida de confiança em suas demonstrações contábeis.
Sua primeira contribuição, a partir da análise das transações de 2020, muito impactadas pela estagnação, é diagnosticar eventuais situações de impairment, ou seja, se o valor contábil dos ativos e linhas de negócios excede ao montante recuperável. Ao ser criterioso e diligente, fazendo os questionamentos pertinentes ao cenário de disruptura, identificando e alertando sobre essa questão, o profissional de auditoria contribui com a empresa, investidores do mercado de capitais, acionistas e interesse público.
A segunda colaboração importante da auditoria independente será avaliar se os procedimentos internos das empresas voltados a mitigar riscos não foram prejudicados pela abrupta adaptação ao home office. A despeito de toda a tecnologia disponível, pode haver casos em que o processamento das operações num ambiente diverso perca eficácia. Assim, é fundamental verificar se os sistemas de controles de cada organização estão proporcionando a mesma segurança, viabilizando-se eventuais correções.
A terceira contribuição refere-se à esperada retomada dos processos de abertura de capitais. Antes da Covid-19, havia muitas empresas que realizariam oferta pública inicial de ações (IPO), como startups e firmas familiares, em decorrência da queda dos juros no País, que tornou menos interessantes investimentos em renda fixa. Porém, esse movimento foi adiado, devendo ser reiniciado no pós-pandemia. Para isso, será necessária auditoria independente das demonstrações contábeis das organizações, que também ajuda no restabelecimento da confiança dos investidores.
O valor da contribuição dos auditores independentes é cada vez mais perceptível no seu relacionamento com os conselhos de Administração e Fiscal e comitês de auditoria das empresas. Tal tendência associa-se principalmente à observância da seção "Principais Assuntos de Auditoria" no relatório final de auditoria independente, no caso das companhias sob o guarda-chuva da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), introduzida a partir dos exercícios findos em ou após 31 de dezembro de 2016. Isso reforçou ainda mais essas interações, proporcionando mais benefícios a todos e mais segurança ao investidor.
Confiança recíproca, aliás, é um dos princípios que devem ser enfatizados no contexto da terrível doença que afeta a humanidade. É provável que as pessoas, organizações de todos os setores e a civilização repensem seus valores e propósitos. É desejável que os negócios mantenham objetivos de rentabilidade, porém com mais foco na contribuição à sociedade e na ética.
Tais reflexões são pertinentes neste momento em que a pandemia tornou mais visíveis as desigualdades no Brasil. É preciso pensar mais nos segmentos carentes, inclusive com maiores investimentos em saúde e sustentabilidade socioeconômica. Creio que investidores, consumidores e agentes do mercado fiquem mais atentos se as empresas têm preocupações com essas questões, para as quais é fundamental a transparência, um dos fatores estimulados pela auditoria independente.
Presidente Ibracon - Instituto dos Auditores Independentes do Brasil
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