Porto Alegre, quarta-feira, 11 de março de 2020.

Jornal do Comércio

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Opinião

Notícia da edição impressa de 11/03/2020. Alterada em 11/03 às 03h00min

Mulheres movidas por desafios e o protagonismo feminino

Ana Tércia L. Rodrigues, presidente do CRCRS Crédito CRCRS Divulgação

Ana Tércia L. Rodrigues, presidente do CRCRS Crédito CRCRS Divulgação


/CRCRS/DIVULGAÇÃO/JC
Ana Tércia L. Rodrigues
Impossível iniciar o mês de março sem pensar que a cada ano estamos avançando, a passos largos, rumo a um status de conquistas e protagonismo feminino, sem precedentes na história. Isso nos remete a refletir estrategicamente sobre atitudes individuais, sobre cada novo degrau a ser escalado, lembrando que, dentro das organizações político-empresariais, existe sobre nossas cabeças um enorme "teto de vidro" a ser transposto por todas nós, mulheres, com muita força e competência.
Impossível iniciar o mês de março sem pensar que a cada ano estamos avançando, a passos largos, rumo a um status de conquistas e protagonismo feminino, sem precedentes na história. Isso nos remete a refletir estrategicamente sobre atitudes individuais, sobre cada novo degrau a ser escalado, lembrando que, dentro das organizações político-empresariais, existe sobre nossas cabeças um enorme "teto de vidro" a ser transposto por todas nós, mulheres, com muita força e competência.
Cada uma que rompe essa barreira invisível vai compondo um mosaico de protagonismos e incentivando outras mulheres a sonhar alto. O efeito do despontar das mulheres no inconsciente coletivo do universo feminino é arrebatador e nos leva a ter, cada vez mais, motivação para seguir avançando e encorajando outras mulheres a darem vazão aos seus sonhos de empreendedorismo, de autonomia financeira, patrimonial, familiar, profissional e acadêmica.
Falar de empoderamento feminino é muito mais do que uma retórica vazia alicerçada em clichês históricos de guerra dos sexos. Trata-se de um resgate de autoestima, de assumir as rédeas sobre as próprias escolhas, podendo validá-las ou até se arrepender, voltar atrás e fazer escolhas novas, com a certeza de que queremos ser bem- sucedidas. Mas, para isso, temos que nos permitir errar, acertar, se perdoar, conviver com as limitações, com os medos, com a solidão, com os fantasmas que nos assombram.
Tudo isso pelo simples fato de que, num passado muito recente, tínhamos certeza de que a maioria das posições de destaque da nossa sociedade não estavam ao nosso alcance. O abismo de um mundo sem perspectivas é o pior fracasso que alguém pode experimentar e essa foi a herança que nós mulheres recebemos ao nascer.
A mudança começou e é irreversível. Ao não nos conformarmos, começamos a construir uma realidade diferente para as futuras gerações de mulheres que já nascem empoderadas.
Conforta saber que as primeiras a alcançar espaços nunca antes ocupados têm a obrigação de abrir a porta e não fechá-la ao sair, para que outras mulheres possam passar e nunca mais permitir que essa porta seja fechada.
Especificamente, no cenário contábil, as mulheres vem galgando espaços importantes. Dentro do Sistema CFC/CRCs, 10 conselhos regionais, atualmente, são presididos por mulheres nos estados do RS, MS, MG, RR, SC, AM, AP, ES, PE e PI, representando 37% do total de CRCs no País.
Pela primeira vez na história, uma mulher assume a presidência da Associação Interamericana de Contabilidade, a alagoana Maria Clara Bugarim, para orgulho de toda classe contábil brasileira. Por outro lado, ainda somos poucas na liderança empresarial e política. Porém, é notório que a presença feminina vem se impondo, firmando espaços, quebrando paradigmas e superando preconceitos.
Conforme estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), realizado no ano passado, até 2030, a participação feminina no mercado de trabalho deve crescer mais que a masculina. Dentre as causas apontadas para essa mudança estão o investimento maior em educação e a qualificação por parte das mulheres.
Nosso desafio é mostrar a competência e habilidade de liderar, não pelo fato de sermos mulheres, mas por estudarmos, termos experiências e estarmos preparadas para os desafios. Não se trata de competição, mas, sim, de senso de oportunidade. Sentir-se capaz é o primeiro passo. Autorizar-se ao sucesso.
O protagonismo não se ganha de presente, conquista-se na árdua batalha da intelectualidade e da capacidade de fazer mais e melhor. Alheios ao fato de que a diversidade na composição de equipes agrega valor aos negócios e melhora a performance das empresas, muitos gestores insistem em ignorar essa potência produtiva que é uma mulher motivada por objetivos e movida por desafios.
Presidente do CRCRS