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Porto Alegre, quarta-feira, 04 de setembro de 2019.

Jornal do Comércio

JC Contabilidade

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Fala Profissional

Edição impressa de 04/09/2019. Alterada em 03/09 às 11h07min

Sucessão familiar deve ser planejada para ter o devido êxito

'A gente sabe que ninguém é eterno, mas é difícil um fundador mudar sua forma de atuar', diz Alaniz

'A gente sabe que ninguém é eterno, mas é difícil um fundador mudar sua forma de atuar', diz Alaniz


IBRACON/DIVULGAÇÃO/JC
Eduardo Lesina
Imagine uma empresa de pequeno porte, familiar, fundada por um empreendedor criativo e entendedor das mecânicas do seu trabalho. Essa empresa cresce e atinge uma receita considerável no decorrer de sua trajetória, chegando ao nível de média ou até mesmo grande empresa. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 90% dos empreendimentos brasileiros são iniciativas familiares e seguem, ao menos em parte, essa história.
Imagine uma empresa de pequeno porte, familiar, fundada por um empreendedor criativo e entendedor das mecânicas do seu trabalho. Essa empresa cresce e atinge uma receita considerável no decorrer de sua trajetória, chegando ao nível de média ou até mesmo grande empresa. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 90% dos empreendimentos brasileiros são iniciativas familiares e seguem, ao menos em parte, essa história.
Representando cerca de 65% do PIB do País, as empresas familiares também tem outro ponto em comum. Conforme o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a cada 100 empresas de iniciativa familiar, somente 30 se mantém atuantes após a sucessão - e somente cinco chegam à terceira geração. Esse fenômeno está sendo percebido pelos auditores brasileiros e tem se tornado uma preocupação real para as empresas.
Paulo Alaniz, presidente da 6ª Seção Regional do Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Ibracon), que engloba os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, garante que as empresas familiares têm procurado serviços relacionados a consultoria e a auditoria independente. Tanto para análise de gestão e de contas, quanto para a implementação de um processo de governança corporativa, Alaniz vê a busca pelos serviços como benéfica para a manutenção da empresa.
JC Contabilidade - No Brasil, 70% das empresas familiares encerram suas atividades depois da morte do fundador, segundo o Sebrae. Por quê isso acontece e o que deve ser feito para evitar?
Paulo Alaniz - Essa é uma das grandes questões que envolvem, principalmente, empresas de médio e pequeno porte, nas quais a gestão está centrada na figura do fundador. Quando ele atinge uma determinada idade, ou devido à alguma necessidade, e precisa deixar o negócio, a empresa tende a acabar com a sua saída. Isso acontece quando não é realizado o processo de sucessão no momento devido. Muitas empresas acabam seguindo esse caminho e é por isso que temos a preocupação de divulgar que as medidas sejam tomadas com antecedência para que a empresa já crie regras de governança e, principalmente, pense na questão da sucessão. A gente sabe que ninguém é eterno, mas é difícil um fundador mudar sua forma de atuar enquanto ele ainda está com saúde plena e a frente dos negócios. Fazer esse convencimento de que é algo importante a ser feito é uma das grandes batalhas dentro de cada empresa.
Contabilidade - E como fazer esse convencimento?
Alaniz - A grande discussão é que uma empresa inicia suas atividades por conta do talento do fundador e, quando ele consegue se destacar no seu negócio e atinge uma certa maturidade em termos de lucro e resultados, esse é o momento para que se pense no futuro da empresa. Para que aconteça assim, tem que se discutir quais medidas de governança tem que ser tomadas para que não ocorra uma interrupção nos negócios com a eventual falta do sócio-fundador. É um tema bastante importante porque isso mexe com as emoções das pessoas. Muitas vezes a pessoa não está preparada para isso. Aqui no Rio Grande do Sul a gente tem uma cultura muito forte de empresas desse porte, em que o fundador se vê sempre como o principal dentro da empresa, e revela um pouco da autoridade e da tomada de decisões por parte dele.
Contabilidade - Qual o impacto da falta de governança e de um planejamento para sucessão?
Alaniz - Um dos grandes impactos que a gente percebe é que as empresas acabam perdendo aquele potencial que tinham em termos da própria geração de receitas e riquezas, justamente por essa questão. O que acontece é que com a falta de planejamento, um negócio que foi próspero durante determinado momento e deixou de existir por conta de uma falta de preocupação com a questão da sucessão e da própria governança.
Contabilidade - Como se constrói o processo de sucessão dentro de uma empresa?
Alaniz - Esse é um trabalho que temos feito, até com o apoio de outras entidades, de criar uma segregação entre o que é negócio da empresa e o que são ativos da família. Existe o modelo de criação de holdings, com as holdings familiares e as holdings de investimento, para que se possa fazer a segregação correta disso. Alguns familiares se identificam com a empresa, alguns foram criados dentro da própria estrutura do negócio que era realizado, então essas pessoas são capacitadas para continuar - assim que definida as posições que devem assumir. Outras não tem nenhuma atratividade em relação ao negócio. No caso dessas, o ideal é que elas não estejam a frente de nenhum dos negócios da empresa. Elas são herdeiras e terão seus direitos preservados, mas elas não trazem nenhum tipo de contribuição para a continuidade do empreendimento. Esse é um processo que deve ser discutido com as famílias e com o próprio fundador, enquanto ele ainda está a frente do negócios, para que se resolva essas questões a fim de que a empresa não sofra e preserve seu potencial de geração de riqueza.
Contabilidade - Qual a atuação das auditorias independentes nessa questão?
Alaniz - Os auditores procuram fazer o diagnóstico. A ideia é que se segregue quais são as atividades geradoras de valor da empresa, como a receita é produzida, quem são os atores principais dessa geração de receita e qual é o plano estratégico de negócios que essa empresa terá que seguir. A partir daí, a auditoria vai ver os controles que são colocados para que isso de fato aconteça. Hoje, com a aplicação dos novos procedimentos e novos conceitos de valorização de ativos, temos uma forma de apurar o valor justo desses e fazer a segregação, emitindo relatórios, fazendo com que esse valores sejam delimitados e de uma forma independente. O papel da auditoria, nesse caso, é servir como alguém independente da família que vai validar esses números para que depois os herdeiros, com base nesses informes financeiros, façam os processos legais que vão se consolidar com a parte jurídica.
Contabilidade - A auditoria é obrigatória nas empresas de capital aberto, enquanto nas empresas de capital fechado não existe essa obrigatoriedade. Existe uma diferença na atuação dos auditores nessa questão?
Alaniz - Nas companhias aberta, existe uma preocupação com o foco de geração de informação para um público externo. Então, nas empresas de capital aberto tem que se dar prioridade nas divulgações que vão atender a públicos como a própria bolsa de valores, investidores, bancos, enfim, chamamos tecnicamente de stakeholders, ou seja, outros interessados nas informações da empresas. Para companhias fechadas, como elas não têm essa obrigatoriedade de estar prestando essas informações para o público externo, o foco é mais no ambiente de geração de informação gerencial mesmo, informação de negócio para os gestores da empresa. O que muda, basicamente, é a destinação dos relatórios, uma vez que as regras de auditoria são as mesmas.
Contabilidade - Existe uma tendência dos auditores de se inserirem nas empresas de capital fechado?
Alaniz - Penso que o principal foco é exatamente este: fazer com que, dentro do contexto no qual há o entendimento de que as empresas de capital fechado precisam estar adequadas, mesmo sem uma obrigatoriedade legal. Elas precisam estar em linha para garantir a própria sobrevivência delas. Quando isso fica claro para o gestor, ele vai buscar auditoria como um dos pilares da governança, com alguém que pode estar de fato confirmando se aquelas regras que ele estabeleceu e deveriam ser cumprida, estão de fato sendo realizadas. Além disso, quando houver distância entre o resultado e o que era planejado, o auditor vai buscar entender o porquê de ter acontecido. A auditoria serve como um pilar para ajudar a governança da empresa.
Contabilidade - Os auditores são preparados para trabalhar com a questão da sucessão familiar?
Alaniz - Esse tema precisa ser abordado com uma abrangência maior do normalmente é. Dentro das Ciências Contábeis, estamos mais relacionados a geração de relatórios, apuração do patrimônio envolvido na questão sucessória, mas não é só isso. Existe uma questão que tem que ser trabalhada do ponto de vista de gestão, que envolvem questões da administração e da economia, e que existe uma questão jurídica que faz a segregação dos pertences e como deve ser feito o processo de sucessão. Na área de auditoria a gente procura de fato abranger todas essas questões e buscamos fazê-lo de forma conjunta. Atualmente discutimos muito a necessidade de especialistas em vários aspectos, uma vez que os negócios adquiriram um nível de complexidade tão grande que, para que possamos apurar todos os efeitos e impactos, faz-se necessário um olhar sob várias óticas. Por isso trabalhamos em conjunto, nos processos de sucessão familiar, com auditoria, consultoria jurídica, administradores, e outros profissionais que são alocados no projeto para que a gente possa de fato ter êxito no planejamento. 
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