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Porto Alegre, quarta-feira, 14 de agosto de 2019.
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Edição impressa de 14/08/2019. Alterada em 13/08 às 13h18min

Companhias de médio porte precisam se reestruturar, diz especialista

Knoepfelmacher participou de 115 reestruturações desde 2002, incluindo a recuperação da Odebrecht

Knoepfelmacher participou de 115 reestruturações desde 2002, incluindo a recuperação da Odebrecht


AVENER PRADO/FOLHAPRESS/JC
Agência Estado
Responsável pelas maiores reestruturações de empresas no Brasil, o sócio da consultoria, Ricardo Knoepfelmacher, afirma que ainda há, no País, entre 800 e mil empresas médias que precisam passar por reestruturação. "Imaginávamos que, neste momento, já estaríamos com uma agenda de crescimento que ajudaria as empresas", diz Knoepfelmacher.
Responsável pelas maiores reestruturações de empresas no Brasil, o sócio da consultoria, Ricardo Knoepfelmacher, afirma que ainda há, no País, entre 800 e mil empresas médias que precisam passar por reestruturação. "Imaginávamos que, neste momento, já estaríamos com uma agenda de crescimento que ajudaria as empresas", diz Knoepfelmacher.
Ele participou de nada menos do que 115 reestruturações desde 2002 - incluindo a maior recuperação judicial do País, a da Odebrecht. Segundo ele, a crise econômica frustrou os planos das empresas, que haviam captado dinheiro caro para os planos de expansão e provocou a avalanche de reestruturações no País. "Elas fizeram planos para um Brasil que não se realizou, e a estrutura de capital ficou inadequada", afirmou o executivo da consultoria paulista.
De acordo com o Indicador Serasa Experian de Falências e Recuperações, o Brasil registrou 618 pedidos de recuperações judiciais no primeiro semestre de 2019, o que resultou em uma queda de 17,9% na comparação com o mesmo período em 2018, quando ocorreram 753 requisições. Seguindo o padrão visto nos últimos dois anos, o acumulado semestral em 2019 apresentou recuo de 1,2% ante o mesmo período do ano anterior. Até o momento, o indicador totalizou 678 pedidos de falências, comparado com 686 durante os seis primeiros meses de 2018.
O número de falências requeridas chegou a 98 em junho, reduzindo 39,9% na variação mensal - maio registrou 163 requisições. Considerando a análise ano a ano, entre 2018 e 2019, o recuo foi de 16,9% nesses pedidos.
De acordo com o Indicador Serasa Experian de Falências e Recuperações, o Brasil encerrou 2018 com 1.408 pedidos de recuperações judiciais. O acumulado de janeiro a dezembro do ano passado se manteve similar ao patamar consolidado de 2017 (1.420), com pequena queda de 0,8%. O recuo foi de 24,4% comparado ao recorde histórico de 2016 (1.863) - o maior volume registrado desde 2006 e posterior à Nova Lei de Falências (junho de 2005), resultado influenciado pelo cenário recessivo que ganhou força a partir de 2014. Entre os pedidos de recuperação judicial contabilizados em 2018, as micro e pequenas empresas predominaram com 871 requerimentos. Na sequência, aparecem as médias (327) e as grandes empresas (210).
Na análise do Indicador de dezembro de 2018, os requerimentos de recuperação judicial caíram 5,9% frente a novembro de 2018 (111 pedidos contra 118). A queda também foi de 5,9% em relação a dezembro de 2017 (118). As micro e pequenas empresas continuaram a liderar, com 78 pedidos. As médias responderam por 24 requerimentos, e as grandes, por nove.
Em 2018, 1.459 pedidos de falência foram efetuados em todo o Brasil - 761 requeridos por micro e pequenas empresas, 355 por médias e 343 por grandes. A redução é de 14,6% no comparativo com os 1.708 requerimentos de 2017. O acumulado de janeiro a dezembro do ano passado é o menor já apurado pela série histórica, posição até então ocupada pelo índice de 2014 (1.661), desde que a Nova Lei de Falências (junho de 2005) entrou em vigor. Em relação a 2016 (1.852), a queda foi de 21,2%.
Já as falências requeridas em dezembro de 2018 (105) recuaram 14,6% em relação a novembro de 2018 (123). A variação anual apontou alta de 1,9% em dezembro de 2018 (105) em comparação a dezembro de 2017 (103). Na análise do último mês do ano passado, as médias empresas (43) e as micro e pequenas (42) empataram na liderança dos pedidos, seguidas pelas grandes (20).
Em 2016, o senhor falou que via mais três anos de reestruturação pela frente. Como avalia essa declaração agora?
Ricardo Knoepfelmacher - Talvez tenha me enganado. Achei que ia acabar mais rápido. Vejo três questões importantes para as reestruturações dos últimos oito anos. Durante um bom tempo, as taxas de juros eram muito altas e as empresas, alavancadas. Elas fizeram planos para um Brasil que não se realizou, e a estrutura de capital ficou inadequada. Aí tiveram de fazer grandes reestruturações. Isso abarca empresas médias e grandes. Na infraestrutura, teve a Lava Jato. Apoiamos a operação pela limpeza nas práticas de negócios do Brasil, mas a forma como foi feita teve efeito colateral nas grandes empresas.
Só a Lava Jato? O ajuste fiscal não teve reflexos?
Knoepfelmacher - É claro. A Lava Jato e o encolhimento da agenda de infraestrutura. Não tem obra, a economia não reage. Você tem aí um fenômeno que não pega só as empresas de engenharia, mas, como muitas dessas empresas tinham entrado em concessões públicas, há uma miríade de portos, aeroportos e estradas pedagiadas que tiveram restrições de capital no período e tiveram de ser vendidas. Imaginávamos que, neste momento, já estaríamos com uma agenda de crescimento ajudando as empresas.
Qual a situação hoje?
Knoepfelmacher - Estimamos que ainda há uma quantidade entre 800 e mil empresas médias, com dívidas entre R$ 100 milhões e R$ 1 bilhão, que necessitam de reestruturação. Essas empresas estão com alavancagem acima de 3,5 vezes a geração de caixa, que é uma das referências usadas para ver quão endividada está a empresa e qual a capacidade dela honrar a dívida. Monitoramos isso em 14 setores da economia, muito concentrados no Centro-Sul.
O senhor vê diferença do cenário de 2015/16 para o de hoje?
Knoepfelmacher - Estou mais otimista hoje. Tudo indica uma reforma da Previdência que vai deixar as finanças públicas mais saudáveis. Algumas ações que estão sendo tomadas agora vão aumentar a confiança do investidor no Brasil. A taxa de juros ainda é alta comparada com a de outros países. O Brasil tende a atrair novos investimentos, e a situação das empresas em geral, com o juro menor, deve ser menos ruim do que em 2015. Naquela época, ainda havia grandes casos para resolver, como Oi, que está terminando, e Odebrecht. Esses casos estão, de alguma forma, provisionados e endereçados.
O senhor falou que as empresas apostavam em um cenário que não se realizou. Elas erraram ou era imprevisível mesmo?
Knoepfelmacher - Em geral, é o efeito manada. Por exemplo, o setor imobiliário residencial passou por uma grande crise vinda de uma bolha na qual todas as incorporadoras foram meio que atiçadas ou induzidas a entrar nos mais diferentes mercados e produtos. Todas, talvez com duas exceções, foram nessa estratégia e, hoje, valem entre 2% e 5% do que valiam quando abriram capital. É impressionante a destruição de valor. Hoje, o estoque dessas unidades está acabando e os preços começam a se recuperar. Cada setor tem suas idiossincrasias e características. Mas muitos erraram, seja porque o Brasil não deu certo ou por decisões estratégicas.
Quais os sintomas da necessidade de reestruturação?
Knoepfelmacher - Tem alguns sinais. Primeiro são os problemas de gestão, sejam decisões estratégicas malsucedidas ou controles deficientes. Na questão de gestão, talvez um apêndice especial para questões de compliance (agir de acordo com boas práticas). Se uma empresa tem uma prática ruim, foi pega fazendo uma coisa errada, vai virar inidônea e ser obrigada a assinar um acordo de leniência para poder continuar prestando serviço para o poder público. Isso não deixa de ser um problema de má gestão que precisa ser resolvido. O segundo é a estrutura de capital inadequada. Esses sintomas estão ligados. Um erro de gestão pode levar a empresa a ficar mais endividada do que a capacidade de geração de caixa para pagar a dívida. Esse é o melhor sintoma para avaliar se a empresa precisa de reestruturação.
As empresas demoram para entender que precisam se reestruturar?
Knoepfelmacher - Esse é o grande problema. Há uma negação natural de a empresa entender que ela precisa se reestruturar. Às vezes, esse tempo é demasiado e a deterioração chega em um ponto a partir do qual não há retorno. Mas é muito raro que não haja nada que possa ser feito. Mesmo em casos graves, no geral, você consegue algum tipo de solução. Se a decisão tivesse sido tomada um ano antes, porém, muitos ativos e a saúde financeira do grupo seriam preservados.
Com toda essa onda de reestruturação, isso não mudou?
Knoepfelmacher - Não mudou muito. Tem um pouco a ver com a natureza humana e a capacidade das empresas de criarem os alertas necessários.
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