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Porto Alegre, quarta-feira, 26 de dezembro de 2018.

Jornal do Comércio

JC Contabilidade

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Fala Profissional

Edição impressa de 26/12/2018. Alterada em 26/12 às 01h00min

Grupo irá debater e compartilhar soluções tributárias

Josias Cordeiro da Silva é presidente do WTC Curitiba

Josias Cordeiro da Silva é presidente do WTC Curitiba


/WTC CURITIBA/DIVULGAÇÃO/JC
Roberta Mello
Um Grupo de Tributos e Desburocratização que reúne executivos empenhados em otimizar o planejamento tributário das empresas foi lançado no final deste ano e começa a se reunir em janeiro de 2019. A intenção é elaborar propostas que possam ser levadas ao Congresso Nacional a fim de diminuir a burocracia, simplificar a tributação e estimular o crescimento econômico do País.
Os encontros serão bimestrais, envolvendo executivos de empresas de diferentes setores produtivos da Região Sul do Brasil. Durante as reuniões, os profissionais compartilharão boas práticas, cases de empresas associadas, riscos e dificuldades tributárias, alterações legislativas pertinentes e oportunidades de melhorias, entre outras questões relevantes.
O presidente do WTC Curitiba, Josias Cordeiro da Silva, "nossa realidade engloba impostos federais, estaduais e municipais cobrados em cascata, que prejudicam muito o desenvolvimento das empresas". "Hoje, os departamentos financeiros são maiores que os de vendas e de marketing para que as companhias deem conta de toda a burocracia. Precisamos mudar esse cenário para que a economia brasileira se desenvolva de maneira mais eficaz e estimule novos investimentos", explicou Silva.
JC Contabilidade - Como surgiu a ideia de criação do grupo?
Josias Cordeiro da Silva - Essa iniciativa surgiu a partir das conversas que nós do World Trade Center realizamos com executivos do Sul do País. E foi muito natural, por conta da minha experiência como executivo da área tributária e financeira de empresas multinacionais por 25 anos. Comandamos o WTC em Curitiba, Joinville, Florianópolis e Porto Alegre, e temos realizado encontros nos três estados do Sul. Identificamos que havia essa lacuna para debates sobre questões tributárias, e os executivos foram receptivos à ideia de compartilhar suas experiências e práticas nessa área. Dessa maneira, idealizamos a criação do grupo com o início para 2019 e aproveitamos a chegada de um novo governo, que já vem debatendo possibilidades de mudanças na legislação tributária, para discutir esses temas e colocar essas mudanças em prática.
Contabilidade - Quem faz parte da iniciativa?
Silva - Fazem parte do grupo 30 executivos que atuam como líderes da área de tributos e impostos de empresas nacionais e multinacionais do Sul do País. O grupo será presidido durante o ano de 2019 pelo diretor corporativo de impostos do Grupo Volvo, Augusto Flores.
Contabilidade - A escolha por ser um grupo relacionado à Região Sul é para debater pautas próprias da região, além das questões federais?
Silva - Sem dúvida, além das questões federais, a Região Sul - que é uma das mais industrializadas do País - tem uma pauta própria e precisa se debruçar sobre suas necessidades para se inspirar em cases de sucesso e também propor alternativas ao Congresso Nacional. Iniciativas como essa, em geral, ficam restritas ao eixo Rio-São Paulo, mas queremos realizar essa troca de experiências com as empresas dos três estados do Sul, considerando as particularidades da nossa região e os diferentes segmentos envolvidos. Por exemplo, temos as empresas do segmento do agronegócio, que possuem grande força na Região Sul e poderão debater questões relacionadas à tributação específica desse segmento.
Contabilidade - Quais você acredita que serão os principais temas tratados?
Silva - A legislação tributária é tão ampla e complexa, e há um caminho a ser trilhado até definirmos a nossa pauta. Em todos os encontros farão parte das discussões a apresentação de cases das principais dores enfrentadas pelas empresas e oportunidades de planejamento tributário, havendo uma rica discussão sobre melhores práticas nesses temas, que poderão ser aproveitadas pelas demais participantes. Baseado nessas discussões, elaboraremos uma pauta e um plano de ação para propor mudanças de legislação e redução de burocracia.
Contabilidade - A primeira pauta a ser debatida será a reforma tributária? Por quê?
Silva - Além dos pontos citados anteriormente, nosso principal objetivo é debater pontos de melhoria e de simplificação tributária. Essas ideias passarão por debates e aperfeiçoamentos e poderão, no futuro, ajudar a embasar mudanças legislativas pertinentes ao empresariado. Sabemos da importância da reforma tributária, mas, se não tivermos organização e planejamento efetivo, não sairemos do lugar. Vamos produzir ideias e levá-las àqueles que têm maior afinidades com o tema no congresso. Apesar de ser um tema técnico e complexo, os congressistas precisarão ouvir os empresários e executivos, e queremos ser parte ativa desse diálogo, a fim de que suas necessidades e anseios também sejam atendidos.
Contabilidade - Que pontos vocês já chegaram a um consenso de que são os mais importantes de a reforma tributária mudar ou solucionar?
Silva - Há um consenso de que é preciso simplificar a carga tributária que incide sobre as empresas. Uma pesquisa do Fórum Econômico Mundial mostra que o Brasil está muito atrás em termos de complexidade tributária, carga tributária elevada, tributos de importação. Nesses quesitos, o Brasil está entre os 10 piores entre 140 países, o que é lamentável. Outra pesquisa do Banco Mundial entre os G-20 mostra que o Brasil é o país onde mais se gasta horas para cumprir com as obrigações acessórias, em uma média de quase 2 mil horas por ano, comparado ao penúltimo lugar, a Argentina, com 300 horas/ano somente, quase sete vezes menos. Não há uma receita de bolo, nem uma unanimidade em relação à reforma tributária. Não temos a expectativa de que isso ocorra da noite para o dia, mas, como um grupo, temos representatividade para apresentar pontos importantes de melhoria, que trabalharemos para fechar a pauta no primeiro trimestre de 2019.
Contabilidade - Além do contato com deputados e a cobrança em esferas locais e federais, o grupo pretende estimular trocas de experiências?
Silva - Sim, há uma geração de valor relevante para os participantes. O grupo servirá para que os executivos conheçam boas práticas, cases de empresas associadas, otimização tributária, riscos e dificuldades tributárias. Essa troca permitirá que eles conheçam a realidade tributária de outras empresas para, a partir daí, debater as melhorias necessárias e aplicar melhores práticas em suas empresas. Não há uma iniciativa como essa no Sul do País, e essa falta de diálogo dificulta o gerenciamento do dia a dia e o embasamento de propostas concretas. Acreditamos que esses encontros serão muito proveitosos na gestão tributária das empresas, sendo esses debates essenciais para a criação de propostas que tragam resultados efetivos.
Contabilidade - Que outras ações o grupo deverá realizar em um futuro próximo?
Silva - O GTD (Grupo de Tributos e Desburocratização) será estendido, em breve, para São Paulo e Porto Alegre. E, além das discussões de ordem tributária, será criado um grupo semelhante para se discutir questões relacionadas à reforma trabalhista e à terceirização, que é uma discussão muito pertinente para o momento atual do País. Essas mudanças na legislação trabalhista foram muito profundas e não são autoaplicáveis, sendo que a discussão entre empresas para se conhecer as melhores práticas certamente irá gerar muito valor às empresas da região também.
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